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Só 5% dos shoppings operam plenamente

O setor de shopping centers enfrenta o seu pior cenário, em termos de empreendimentos fechados, desde junho de 2020, apurou o Valor com base em dados do segmento. Hoje há 359 centros de compras fechados e 213 abertos – a maioria destes tem algum tipo de restrição de funcionamento -, segundo a Abrasce, a associação do setor. Para efeito de comparação, no começo de junho de 2020 eram pouco mais de 360 sem funcionar.

Existem apenas 29 empreendimentos no país operando sem qualquer tipo de restrição, de uma base de 601 centros de compra (menos de 5% do total). Circula entre empresários de shoppings, em grupos de mensagens, um levantamento da Abrasce mostrando que, na sexta-feira, quatro Estados não tinham decretado restrições de circulação com efeito sobre os shoppings: Roraima, Alagoas, Maranhão e Espírito Santo. Em 14 Estados, como São Paulo, Goiás e Bahia, os governos determinaram o fechamento total dos empreendimentos, como parte das medidas emergenciais diante da aceleração do número de casos de covid-19 e lotação das UTIs nos hospitais. Já com o toque de recolher após determinado horário, são 18 Estados – e há regiões em que há as duas situações. Esse cenário tende a aumentar a pressão sobre novas negociações entre shoppings e lojistas. Nos últimos dias, grandes empresas abertas, como Iguatemi, Aliansce Sonae e BR Malls, já informaram que não vão negociar isenção nos aluguéis aos lojistas, e de outras despesas, alegando que a situação atual é diferente daquela do início da pandemia.

Ainda entendem que a atual fase de fechamentos temporários afetará as operações por um período mais curto do que em 2020, e o aumento da vacinação deve levar a uma melhora no ambiente de consumo já neste ano. No ano passado, os shoppings pararam de operar em todo o país, entre março e abril, especialmente, e sem vendas, acabaram isentando as lojas no período, assumindo esses custos. Hoje, afirmam que as conversas sobre descontos serão individuais, e avaliadas caso a caso, sem isenção no valor das despesas. Nos últimos meses, as companhias foram reduzindo descontos sobre aluguéis, com a retomada gradual das vendas.

Segundo a ABF, associação das franquias, a situação atual é mais frágil do que há um ano, em parte porque as varejistas já carregam desempenho mais fraco de vendas há meses, e já se endividaram para se manter nos últimos meses. “Nos próximos dias buscaremos contato para reuniões com associação de shoppings e empreendimentos por conta da piora desse cenário, para buscarmos alguns denominadores comuns em torno dos questionamentos de lojistas. Mas não há uma negociação coletiva de contratos”, disse Antonio Leite, diretor vice-presidente da ABF. “O que estamos fazendo é orientando associados com dados e materiais nessas negociações individuais. Por exemplo, sobre índice de reajuste de aluguel, entendemos que o IGPM e o IGPDI não refletem o varejo, porque há efeito de dólar e commodities. E o reajuste pelo IPCA faria mais sentido”, disse. Em 2020, o IGPM subiu 23% e o IPCA, 4,52%. Na Aliansce, as vendas dos lojistas atingiram 86,3% do patamar de vendas do quarto trimestre e na Iguatemi, também esteve em 86% frente ao apurado um ano antes. Em 2020, as vendas dos lojistas de shoppings foi de R$ 128,8 bilhões, queda de 33,2% sobre 2019.

VALOR ECONÔMICO