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Ponto de equilíbrio do home office é o grande desafio

O trabalho remoto ingressou na rotina da maioria das empresas brasileiras de forma apressada, como alternativa para manter a operação funcionando durante a pandemia. O modelo foi aprovado por muitas empresas, conforme apontam pesquisas. Seu sucesso no futuro, no entanto, requer ajustes, na avaliação de consultorias especializadas em transformação digital. “Achar ponto de equilíbrio em um modelo de trabalho mais flexível será o maior desafio do ano que vem”, diz Juliana Almeida, vice-presidente de operações de infraestrutura e nuvem da Capgemini Brasil. Para ela, a grande flexibilidade que caracterizou o home office no início da pandemia deu lugar a contexto de dificuldades, em decorrência, em grande parte, de deficiências na infraestrutura tecnológica que suporta o modelo, incluindo internet instável e quedas de energia no domicílio do colaborador. Novas preocupações com segurança de dados corporativos e de clientes também se tornaram mais frequentes, diz ela.

Sobre esse tema, Leandro Lofrano, gerente de produto sênior da fabricante Lenovo, orienta as empresas a buscarem mecanismos de proteção extra para quem trabalha de casa. “A rede doméstica não apresenta tantas camadas de proteção como o ambiente corporativo, deixando dados sensíveis mais expostos a ciberataques.” O gerente acrescenta que as empresas devem estabelecer regras claras para o uso de informações confidenciais e para compartilhamento de dados corporativos, e lançar mão de todos os recursos disponíveis para barrar ataques, como logins com usuário e senha, tokens de segurança, verificações em duas etapas e sistemas criptografados. Entre tendências que se firmam, Lofrano cita consumo combinado de hardware, software e serviços mediante pagamento de tarifas mensais, modelo conhecido como DaaS (sigla em inglês para dispositivos como serviço). O maior apelo desse tipo de oferta, diz ele, é reduzir gastos de capital e tornar mais robustos os sistemas de TI. Ele também destaca a evolução das ferramentas à disposição das empresas, como tecnologias embarcadas em softwares de videoconferência que alteram ou desfocam a imagem de fundo, liberando o usuário de se preocupar com cenário.

O principal executivo da Simpress, Vittório Danesi, diz que número crescente de empresas percebe que terceirizar equipamentos, em vez de comprá-los – repassando ao fornecedor a gestão das máquinas e a assistência in loco para cada profissional – é o que eles precisam para implementar home office ou modelo híbrido. “Contratações em que usar é mais importante do que ter tendem a se aplicar a impressoras, PCs, notebooks, celulares e outros equipamentos”. Na Salesforce, especializada em nuvem empresarial, o diretor de marketing para América Latina, Daniel Hoe, alerta para a necessidade de as empresas adotarem o conceito de mobilidade corporativa em seu sentido mais amplo, que inclui adoção de um conjunto de aplicativos que podem ser acessados de qualquer lugar, via nuvem. Segundo Hoe, as empresas brasileiras estão bem posicionadas em mobilidade quando esta se refere a uso de dispositivos móveis para acesso a contas de e-mail, aplicativos de videoconferência e de mensageria, como WhatsApp. “É bom mas insuficiente; mobilidade significa dar aos empregados capacidade de realizar, via smartphone ou outro dispositivo, qualquer tarefa que fariam no escritório, como acessar informações dos clientes, aprovar pedido de compra e assinar contrato eletronicamente.”

Victor de la Rosa, diretor de entrega e produção da Minsait no Brasil, empresa da Indra, destaca a importância de tecnologias que permitam suporte e monitoramento remoto para otimizar a produtividade dos funcionários, além da capacitação e engajamento dos profissionais envolvidos com home office. “As empresas têm que contar com ferramentas que permitam a realização de treinamentos virtuais e de aplicativos, para fomentar o diálogo constante entre a empresa e o funcionário.” O papel da nuvem como facilitadora do monitoramento da jornada de trabalhadores remotos é frisado por Rui Botelho, diretor de operações da SAP Brasil. “Na gestão da crise, empresas como os grupos Fleury e Ipiranga usaram solução SAP em nuvem para avaliar desde infraestrutura de TI, acesso à rede até temas relacionados à saúde mental e gestão de relacionamento”, diz.

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