Pandemia ‘força’ brasileiro a empreender e abertura de empresas bate recorde

Em plena pandemia, o Brasil registrou um recorde no número de novas empresas abertas e no saldo de empresas em atividade, aponta o boletim Mapa de Empresas, divulgado pelo Ministério da Economia. Foram 3,36 milhões de novas empresas abertas, o maior volume registrado desde 2010. Com isso, o estoque chegou a 19,9 milhões, também um recorde. Dados parciais dão conta que, em janeiro, o país atingiu a marca dos 20 milhões de empresas oficialmente em atividade.

Os números mostram ainda que o Brasil é um país de microempresas e microempresários. Ao final do ano passado, eram 14,4 milhões empresas com esse perfil em operação, das quais 2,84 milhões foram criadas no ano passado. Cerca de 77% das empresas abertas em 2020 eram Microempreendedores Individuais (MEIs). “São evidências de que o Brasil passa por uma crise”, avaliou o coordenador do curso de Economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV), Joelson Sampaio. “Num período como o que temos vivido, as pessoas que perderam o emprego ou tiveram problemas nos negócios se reinventam.” Uma fonte da área econômica dá essa mesma explicação. Atribui o movimento ao chamado “empreendedorismo forçado.” O professor avalia que a perspectiva do mercado de trabalho é melhor neste ano, a depender do sucesso do plano de vacinação e do controle da crise sanitária. A mobilidade, comentou, é o coração da economia.

Há nesse universo um grande número de negócios embrionários, disse o secretário de Governo Digital, Luis Felipe Monteiro. Pessoas optam por abrir MEIs ou microempresas para começar a empreender, principalmente no comércio e nos serviços. “Quem acaba carregando o pais nas costas são os micro e pequenos”, afirmou a subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo e Artesanato, Antonia Tallarida. Para ela, é correto afirmar que somos um país de microempresas e microempreendedores. O governo atribui o crescimento no número de empresas às medidas de facilitação para abertura de empresas. Outra explicação é a exigência de formalização para contratar os empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

O mapa mostra que a crise também tem afetado o perfil das empresas em operação no Brasil, disse o secretário especial adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Gleisson Rubin. No ano passado, o setor que mais concentrou abertura de novas empresas, com 200,7 mil, foi o de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios. Foi onde também houve maior número de empresas encerradas, com 73,7 mil. “Há um movimento sendo captado, de substituição de lojas físicas por empresas que só funcionam no ambiente virtual”, disse. “Vestuário, calçados, eletrônicos, objetos para o lar, objetos cuja logística de transporte não seja muito onerosa.” No ano passado, as vendas pelo e-commerce cresceram 40%, informou. O boletim destaca também que o tempo médio para abertura para abertura de uma empresa no Brasil ficou em 2 dias e 13 horas ao fim de 2020. É uma redução de 8 horas (11,6%) em relação ao segundo quadrimestre de 2020 e de 1 dia e 22 horas (43,0%) na comparação com o fim de 2019.

A implantação do balcão único deverá reduzir o tempo ainda mais e “certamente impactará positivamente a posição do Brasil no próximo ranking Doing Business que retratar essas medidas”, disse Rubin. A meta é reduzir a demora a menos de um dia. O Balcão Único reúne quatro diferentes portais e sete etapas do processo de abertura das empresas. Começou a funcionar em São Paulo no último dia 15 e entrará em operação no Rio ainda neste mês. Essas são as duas praças pesquisadas pelo Banco Mundial para elaborar o ranking Doing Business.

VALOR ECONÔMICO