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País vive ‘evasão silenciosa’ de talentos

Com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus a partir de março, o Brasil superou a marca de 13 milhões de desempregados. Mas, na área de tecnologia da informação (TI), sobram vagas. O que falta é mão de obra formada para atender à demanda do setor que avança junto com a transformação digital em diferentes segmentos da economia, o que pode atrapalhar os planos de empresas e a recuperação do país. Eduardo Peixoto, diretor de design do CESAR, contou no “E agora, Brasil” que o hub de tecnologia instalado no Recife cresceu 35% neste ano. Com mais demanda por serviços, foi preciso contratar.

“Nós contratamos 130 pessoas durante a pandemia, e continuamos com 70 vagas abertas”, afirmou Peixoto, citando que o problema também afeta o Porto Digital, parque tecnológico que abriga 330 empresas, que faturam mais de R$ 2 bilhões “Tanto no CESAR como no Porto Digital, os negócios não aceleram mais rapidamente por falta de mão de obra qualificada.” Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom), o setor de TI empregava 1,56 milhão de pessoas no fim de 2019. A demanda é de 70 mil profissionais de TI por ano, mas aproximadamente 25 mil vagas ficam ociosas.

As empresas ainda enfrentam a crescente concorrência de empresas estrangeiras. Com o dólar alto, contratar em reais é barato. E, com o trabalho remoto, nem é preciso se preocupar com vistos e mudanças. “As tecnologias de comunicação aplainaram o acesso ao capital humano. Não existem mais barreiras geográficas. Empresas de fora estão contratando profissionais que já são escassos aqui”, disse Peixoto. “Estamos vivendo uma evasão silenciosa.”

O especialista lembrou cenário semelhante que aconteceu na virada do século, com as empresas de tecnologia americanas buscando mão de obra em outros países. O Brasil poderia ser o destino dos investimentos, mas tinha poucos formados em ciências exatas: “Esse negócio, de desenvolvimento de softwares, acabou indo para a Índia”. Para resolver o problema é preciso investir na formação profissional, mas isso leva tempo. Para queimar etapas e atender a essa demanda, Peixoto propõe que o país invista no ensino médio, para habilitar estudantes como técnicos em programação.

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