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Isolamento leva recuperação do setor de serviços a desacelerar em março

A queda dos serviços em março, em meio à piora na pandemia e a mais restrições, veio um pouco acima do esperado, mas não assustou economistas. A leitura é que, assim como indicado pela indústria e pelo varejo no mês, o impacto da segunda onda na atividade brasileira se mostra bem menos intenso do que o observado no choque inicial do ano passado. Mesmo assim, o movimento dos serviços aponta para desaceleração no ritmo de recuperação e também para um desempenho ainda muito heterogêneo entre os seus segmentos.

O volume de serviços prestados recuou 4% em março, ante fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo IBGE. A queda foi maior que a mediana de -3,3% colhida pelo Valor Data, mas economistas observaram que houve revisões altistas na série, o que deixa os resultados mais próximos em termos de nível. Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor interrompeu 12 quedas seguidas ao subir 4,5%, influenciado pela base de comparação baixa de março de 2020, quando a pandemia chegou aqui.

Com o resultado de março, os serviços voltaram a ficar abaixo do patamar pré-covid, destaca Rodrigo Lobo, gerente da PMS. “Em fevereiro, o setor tinha ultrapassado pela primeira vez o patamar pré-pandemia, chegando a ficar 0,8% acima do nível de fevereiro de 2020. Com esse revés de março de 2021, volta a se situar 2,8% abaixo.” A queda foi puxada pelas perdas de 27% nos serviços prestados às famílias – a maior desde abril de 2020 (-45,6%) e que deixou o segmento 44,4% abaixo do nível pré-covid- e de 1,9% nos transportes, ainda 1,4% acima do patamar anterior à pandemia. Também houve contração nos serviços profissionais e administrativos (-1,4%), para nível 3,6% inferior ao pré-crise. “Serviços de caráter mais presencial são os que mais sentem os efeitos das medidas restritivas, como os prestados às famílias, entre eles alojamento e alimentação”, diz Lobo, citando subdivisão que tombou 28%.

Os dois segmentos com alta em março foram informação e comunicação (1,9%) e outros serviços (3,7%), ambos agora 4,7% acima do nível de fevereiro de 2020. O quadro entre segmentos é “muito heterogêneo”, resume Lucas Rocca, economista da LCA Consultores. Ele destaca ainda que o primeiro trimestre de 2021 continuou com crescimento na margem – 2,8% ante o último trimestre de 2020, na série com ajuste -, mas está desacelerando. “A recuperação dos serviços já foi mais forte, especialmente na segunda metade do ano passado. Na passagem de ano, temos uma perda de ritmo.” A ausência de estímulos no período, como o auxílio emergencial e o BEm (para sustentação do emprego), e a inflação, diz Rocca, contribuíram para reduzir a renda disponível das famílias, o que afeta o consumo. Além disso, há restrições de oferta com o isolamento.

Em março deste ano, no entanto, a queda dos serviços foi inferior à de março de 2020 (-6,6%), o que, segundo Lobo, do IBGE, reflete, entre outras coisas, o maior aprendizado das empresas para lidar com a realidade de funcionamento em épocas de restrição. Os efeitos das regras mais duras de mobilidade devem deixar resquícios para abril, observa Flávio Serrano, economista-chefe da Greenbay. “Ainda devemos ver dados fracos para indústria, comércio e serviços”, diz. Não parece haver um consenso entre economistas, porém, em relação aos serviços. “A questão agora é saber se na passagem de março para abril será positivo, se vai crescer acima ou não daquela base. Tudo indica que, possivelmente, não”, diz Mayara Santiago, pesquisadora da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

A MCM Consultores projeta estabilidade. Já a XP estima, preliminarmente, alta de 2,1%. “Os índices de confiança das sondagens do consumidor e de serviços relativos a abril recuperaram cerca de metade da expressiva contração registrada em março. Além disso, a maioria dos índices de mobilidade – incluindo atividades de lazer/recreação – vem subindo de forma significativa desde meados de abril, aproximando-se dos níveis registrados no início de fevereiro”, escreve o economista Rodolfo Margato.

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