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Intenção de consumo das famílias é a maior em 2 anos

Valor Econômico

Continuidade desse movimento, no entanto, depende da manutenção da atual trajetória favorável de mercado de trabalho, diz economista da CNC

Por Alessandra Saraiva

Impulsionado por melhora no mercado de trabalho, o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), subiu 4,4% em maio ante abril, para 79,5 pontos. Com o aumento, o ICF atingiu maior patamar desde maio de 2020 (81,7 pontos).

A continuidade desse ímpeto de consumo nos próximos meses, no entanto, depende da manutenção da atual trajetória favorável de mercado de trabalho, alertou Catarina Carneiro da Silva, economista da entidade. Isso porque, lembrou ela, o ambiente de consumo, nos próximos meses, traz “desafios” ao planejamento de novas compras, por parte do consumidor – como cenário de inflação mais elevada e juros altos.

Na passagem de abril para maio, a CNC detalhou que todos os tópicos usados para cálculo do ICF mostraram alta. São os caso dos aumentos detectados em emprego atual (4,1%); perspectiva profissional (7,1%); renda atual (4,5%); acesso ao crédito (3%); nível de consumo atual (2,4%); perspectiva de consumo (3,5%) e momento para duráveis (5,5%).

Ao detalhar os resultados, a economista observou que a boa performance do índice foi causada por cenário melhor de emprego, com recuo na taxa de desemprego, e geração de vagas líquidas. Isso, na prática, levou a um aumento na renda originada de trabalho, com impacto favorável no consumo, notou ela.

Essa boa percepção quanto a mercado de trabalho também ajudou a melhorar avaliação de renda por parte do consumidor. No ICF, 24,5% das famílias consideraram a renda melhor do que há um ano, maior proporção desde maio de 2020 (28,6%).

No entanto, ao falar sobre as expectativas de consumo para os próximos meses, a técnica foi cautelosa. Ela reiterou que o avanço da inflação e o provável ambiente de juros mais elevados são desafios ao consumo futuro.

“O consumidor sabe que não está tudo bem; mas ele tem esse salário, essa renda [originada do trabalho]” notou ela. “Mesmo que ele [o consumidor] não tenha poder de compra como antes, esse avanço do mercado de trabalho está levando o consumo a crescer.”

Para a especialista, caso o bom cenário no emprego prossiga, isso pode sustentar o ímpeto de consumo do consumidor, mesmo com inflação e juros elevados. “A não ser que esses desafios [inflação e juros altos] sejam grandes demais [nos próximos meses].”

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/05/25/intencao-de-consumo-das-familias-e-a-maior-em-2-anos.ghtml