Grupo Caoa planeja criar 500 empregos em 2021

O grupo Caoa planeja abrir 500 postos de trabalho neste ano. Isso representa incremento de 25% no quadro efetivo em suas duas fábricas no Brasil. Desse total, 300 serão em Anápolis (GO) e 200 em Jacareí (SP). Uma parte dos novos contratados – 150 operários – já começou a trabalhar em Anápolis. Somente essa primeira etapa já eleva em 10% o quadro efetivo da operação goiana. A abertura dos 200 postos na fábrica em Jacareí depende, ainda, de a atividade econômica não sofrer nenhum solavanco mais forte. Mas, se tudo seguir como está, o aumento do emprego nessa unidade será ainda mais representativo. Elevará o quadro efetivo atual em 40%. Em Anápolis, as contratações seguem o plano de expansão da Caoa, anunciado há menos de três meses, e que prevê investimento de R$ 1,5 bilhão na operação em Goiás até 2025. A ideia, agora, de ampliar o número de empregos também em Jacareí, revela que ganha ainda mais força a estratégia do grupo brasileiro, que, a partir de uma parceria com a Chery, há três anos, deu início a um audacioso plano de fazer dos modelos chineses carros desejados pelo consumidor brasileiro.

A necessidade de elevar o número de empregados vem da expansão do grupo, sustentada, principalmente pelo aumento de vendas da Chery. Embora a participação da marca chinesa no mercado brasileiro seja ainda pequena, de pouco mais de 1%, equivale a quase o dobro de um ano atrás. Quando a Caoa adquiriu o controle da operação chinesa, em 2017, a Chery era a 24ª no ranking nacional. Hoje é a 11ª. Esse crescimento tem sido amparado por uma contínua renovação da linha e uma constante e agressiva campanha de marketing. Como consequência, o grupo decidiu, na contramão do que acontece com outras marcas, investir na expansão dos pontos de venda. Hoje, o Brasil tem 115 concessionárias Chery. Até o fim de 2021, serão 150. Do total de hoje, 63 pertencem ao grupo Caoa. A linha Chery é produzida tanto em Anápolis como em Jacareí. A unidade goiana produz também veículos da coreana Hyundai. E nos planos de expansão do grupo já está decidido, também, trazer para o Brasil, este ano, a Exeed, linha de alto luxo da Chery. Há pouco tempo, a Caoa criou também uma locadora e uma seguradora.

O grupo, que não revela receita, pertence ao empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, cujas iniciais dão nome à empresa. Dr. Carlos, como é conhecido na companhia, está hoje no comando do conselho. A presidência executiva está, desde dezembro de 2016, nas mãos do engenheiro Mauro Correia, contratado no início de 2014 para o cargo de vice-presidente. Correia sabe bem como organizar a estrutura industrial de uma montadora. Ele foi um dos responsáveis pela instalação da fábrica da Ford em Camaçari (BA), que acaba de ser fechada pela montadora americana. Além dos 19 anos de trabalho na Ford, esse engenheiro mecânico com especialização em negócios, também trabalhou na Volkswagen, além de empresas de outros setores, como Nokia, Semp Toshiba, Metalfrio e a têxtil Scalina. O executivo sorri e desconversa quando a questão envolve saber se o grupo estaria ainda interessado em alguma das fábricas fechadas agora pela Ford, como se cogitou quando a primeira delas, em São Bernardo do Campo (SP), foi fechada há mais de um ano. Dr. Carlos já disse estar interessado em trazer mais carros de marcas chinesas para o Brasil.

Correia terá, de qualquer forma, que negociar com a Ford. O grupo Caoa é o maior concessionário da marca americana no Brasil, com dez lojas. Ter de fechar alguma delas não faria muito estrago para um grupo que, ao todo, é dono de 158 concessionárias no país. Para o executivo, depois de um ano mais complicado, por conta da pandemia, em 2020, a expansão da Caoa tem “demonstrado consistência”. Ele acredita, ainda, que agora o Brasil vive clima mais propício para fazer as reforças tributária e administrativa. “O governo tem que ficar mais leve”, diz. “É preciso haver motivação para as empresas investirem e criarem mais empregos”, diz. Correia gostaria de ver avançar planos de privatização de portos e de incentivos ao transporte ferroviário e de cabotagem. A fábrica de Anápolis desfrutará da prorrogação, até 2025, dos incentivos fiscais para montadoras instaladas no Nordeste e Centro-Oeste. Até lá, o melhor a fazer, segundo o executivo, é trabalhar no aumento da produtividade. “Temos muito chão pela frente, mas junto com os avanços na infraestrutura do país, é possível melhorar a competitividade”, destaca.

Nos planos de expansão de seu grupo, Dr. Carlos pretende ser, cada vez mais, um concorrente de peso das multinacionais com décadas de história no país. Faz parte de seus sonhos, também, acabar com o preconceito que ainda cerca o automóvel chinês. Para Correia, o conceito de fidelidade em relação aos carros mudou no país. “O Brasil é um dos países com o maior número de marcas produzindo, o que garante uma oferta grande de produtos para consumidores apaixonados por carros”, destaca. Assim como as marcas tradicionais, a Chery também já conta com clubes de fãs, que, com frequência, enviam para a companhia fotos ao lado dos carros. A concorrência é forte. “Mas nós também temos nosso lugar ao sol”, diz.

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