Fim do auxílio emergencial preocupa comércio popular de São Paulo

O fim do auxílio emergencial, o cancelamento do Carnaval em fevereiro e o risco de novas restrições baixaram a expectativa do comércio popular paulista, cujas perdas anuais foram amenizadas em parte pelo consumo nas classes C, D e E. O fim do benefício, que injetou R$ 32 bilhões no varejo estadual, segundo a FecomercioSP, já preocupa lojistas. Sem o dinheiro às famílias mais pobres, a alta de 1,6% no faturamento do setor em São Paulo teria gerado recuo de 2,6% em 2020, segundo a entidade.

“O cenário de pessoas que perderam renda média de R$ 250 e passaram a receber R$ 600 não existirá mais ao consumo. O comércio popular vai sentir de forma geral, em especial nos supermercados e nas lojas de construção”, afirma Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP.

Nas imediações da rua 25 de Março, em São Paulo, a estimativa de fechamento de lojas antes da reabertura comercial de junho era de 12% —a região tem cerca de 4.800 pontos de venda. “Estamos incertos sobre quantas sobrevivem. O consumo deve cair sem Carnaval [em fevereiro] e auxílio, mas o custo segue alto”, diz Claudia Urias, da Univinco, associação de comércio da 25.

“Como é um mercado totalmente popular, muitos clientes que vinham à região traziam um percentual do auxílio; era R$ 300 para o mercado, R$ 100 para as contas e R$ 200 para a 25”, afirma Ondamar Ferreira, gerente da Armarinhos Fernando, uma das maiores lojas da região.

Para o conselheiro-executivo da Alobrás (lojistas do Brás), Lauro Pimenta, após a redução do pagamento mensal aos beneficiários, o valor das compras diminuiu. “Foi tão frequente ver consumidores usando carteiras digitais para pagar suas contas que os comerciantes tiveram de correr para receber pagamentos eletrônicos”, diz.

O tíquete médio de compras do auxílio emergencial foi de R$ 108 por transação, segundo a Cielo, a partir de pagamentos via Caixa Tem.

FOLHA DE S. PAULO