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Ex-secretário da Receita Marcos Cintra prevê reformas administrativa e tributária juntas

A eleição dos candidatos de Bolsonaro para o Congresso deu uma injeção de otimismo no empresariado, que volta a falar na perspectiva das reformas. O ânimo foi mais forte entre os defensores da CPMF, que viram na vitória de Arthur Lira na Câmara o fim de um empecilho porque Rodrigo Maia era contra o projeto. O grupo Brasil 200, que assumiu a bandeira do tributo sobre pagamentos em nome de empresários dos serviços e do varejo, já se reúne para resgatar o assunto.

Embora o Ministério da Economia tenha sinalizado que as questões polêmicas como a CPMF devem ficar no fim da fila, a avaliação é que o caminho para o debate está novamente aberto, segundo o ex-secretário da Receita Marcos Cintra, que, desde sua saída do governo em 2019, discute o assunto com empresários a favor da volta do imposto.

Cintra diz que acha possível o governo tocar as reformas administrativa e tributária paralelamente.

Gabriel Kanner, presidente do Brasil 200, acredita que agora não há mais chances de avançar a proposta de reforma tributária de autoria do candidato derrotado Baleia Rossi, a PEC 45, apoiada por Maia.

Apesar da satisfação pela vitória de Lira, o deputado é alvo de denúncias por crimes de corrupção e um dos líderes do centrão, perfil que o movimento empresarial de Kanner também vinha combatendo nos últimos anos. O empresário afirma que a bandeira da luta contra a corrupção não será abandonada. Mas há outras prioridades.

“Se olharmos de forma realista, vemos que é muito difícil que essa pauta do combate à corrupção avance agora. Infelizmente, o Brasil tem problemas muito sérios estruturais que precisam andar para que a gente consiga avançar com isso”, diz Kanner.

FOLHA DE S. PAULO