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Cúpula do clima: Biden promete reduzir emissões e Bolsonaro diz que Brasil tem posição de vanguarda

O presidente americano, Joe Biden, abriu a Cúpula de Líderes sobre o Clima nesta quinta-feira, 22, destacando sobre os aspectos econômicos da luta contra a mudança climática. Em seu discurso, Biden afirmou que fará investimentos em infraestrutura verde para garantir a meta de cortar a emissão de gases do efeito estufa pela metade até o fim da década. O evento tem transmissão ao vivo em espanhol e inglês. “Isso colocará o país no caminho para zero emissões em 2050”, afirmou ele.

O presidente Jair Bolsonaro também discursou na abertura da cúpula. Bolsonaro defendeu a adoção de compensação financeira ao Brasil pela conservação dos biomas nacionais. “Da mesma forma (que o mercado de carbono), também é importante haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de cooperação. Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional”, disse. O Estadão antecipou que o País voltaria a pedir dinheiro para combater o desmatamento, apesar do governo ter R$ 2,9 bilhões parados no âmbito do programa Fundo Amazônia.

A defesa de um mecanismo de compensação financeira foi feita em um momento do discurso em que o presidente comentava um dos objetivos da Conferência das Nações Unidas sobre mundanças climáticas (COP 26), a adoção plena do mercado de carbono. Bolsonaro disse se tratar de um “importante mecanismo”, antes de mencionar a compensação pela preservação dos biomas como um tema a ser tratado. “Neste ano, a comunidade internacional terá oportunidade singular de cooperar com a construção de nosso futuro comum”.

A cúpula é apontada por analistas como o momento de retomada de protagonismo pelos Estados Unidos no cenário internacional, além de uma sinalização da importância que a agenda ambiental terá no governo Biden. Tanto o multilateralismo quanto a agenda ambiental foram deixados em segundo plano pelo ex-presidente Donald Trump.

Biden classificou a mudança climática como a crise existencial de nosso tempo. Ele salientou que outros países precisam colaborar com metas ambiciosas também, já que os EUA são responsáveis por cerca de 15% das emissões. “Os cientistas nos dizem que essa é a década decisiva, que precisamos tomar decisões para evitar as piores consequências”, disse ele.

A nova meta visa fazer com que as emissões dos EUA caiam de 50% a 52% abaixo dos níveis de 2005 até 2030, disseram funcionários da Casa Branca. Isso é um passo significativo em relação à promessa do governo Obama de uma redução de 25% a 28% até 2025 e tem o objetivo de sinalizar que a decisão de Biden de voltar a aderir ao Acordo de Paris sobre mudança climática é apenas o início de um esforço agressivo que inclui tentar pressionar outras nações para a frente.Veja o que disseram os principais líderes mundiais:

Joe Biden (EUA)
Em seu discurso de abertura, o presidente dos Estados Unidos destacou os aspectos econômicos da luta contra as mudanças climáticas. Biden afirmou que, além da construção de um futuro sustentável e mais saudável, a transformação da matriz energética e nos meios de produção podem gerar empregos e solucionar problemas econômicos.

“Este momento é mais do que falar em preservação do nosso planeta, é também sobre garantir um futuro melhor para todos nós. É por isso que quando as pessoas falam sobre clima, eu penso em empregos. Nossa resposta à questão climática demanda a uma criação de empregos extraordinária”, afirmou.

Jair Bolsonaro (BRASIL)
O presidente Jair Bolsonaro abriu seu discurso na cúpula do clima defendendo que o Brasil está na vanguarda da defesa do meio ambiente e do enfrentamento ao aquecimento global. “Historicamente, o Brasil é voz ativa na construção da agenda ambiental global. Renovo hoje essa credencial, respaldado tanto por nossas conquistas até aqui, quanto pelos compromissos que estamos prontos a assumir perante às gerações futuras.”

Na sequência do discurso, Bolsonaro afirmou que era necessário lembrar que a queima de combustíveis fósseis ao longo dos últimos dois séculos era a causa maior das mudanças climáticas, apontando que o Brasil tem pouca participação neste processo. “O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas dos gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo.”

O presidente também vendeu a imagem de um governo preocupado com o desmatamento na Amazônia, uma das maiores cobranças que vem recebendo no âmbito internacional. Ele também afirmou que o Brasil assumiu o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 e que o País atingiria a neutralidade climática em 2050.

Bolsonaro também voltou a defender uma compensação financeira ao Brasil pela conservação dos biomas nacionais. “Da mesma forma (que o mercado de carbono), também é importante haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de cooperação. Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional”, disse. O Estadão antecipou que o País voltaria a pedir dinheiro para combater o desmatamento, apesar do governo ter R$ 2,9 bilhões parados no âmbito do programa Fundo Amazônia.

Kamala Harris (EUA)
A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, cobrou uma ação “rápida e unida” da comunidade internacional sobre o clima na abertura da cúpula. “Como uma comunidade global, é imperativo que ajamos de forma rápida e unida para confrontar essa crise. E isso vai requerer inovação e colaboração ao redor do mundo”, disse a vice-presidente.

Kamala também destacou que uma mudança de paradigma vai requerer o uso de energias renováveis e novas tecnologias. “(isso) vai dar as nações a oportunidade de criar comunidades mais saudáveis e economias fortes”.

Xi Jinping (CHINA)
O presidente chinês, Xi Jinping, também destacou aspectos econômicos da defesa do meio-ambiente. “Proteger o meio ambiente é proteger a produtividade. Devemos nos comprometer com uma governança sistêmica”, afirmou.

O presidente também destacou o anúncio conjunto com o governo americano para cooperação em meio ao aumento. “Há pouco EUA e China emitiram um comunicado conjunto sobre a crise climática. Esperamos trabalhar junto com EUA”.

Boris Johnson (REINO UNIDO)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, destacou o avanço nas reduções de carbono alcançados. “Fomos o primeiro país ao aprovar uma lei para emissões neutras”, disse. E completou: “Chegamos a 50% em emissões neutras. Estamos no ponto mais baixo de emissões desde o século XIX”.

Johnson também fez menção à postura que espera dos países durante a COP 26. “Como anfitriões da COP 26, queremos ver ambições parecidas ao redor do mundo e estamos trabalhando em conjunto com todos, dos países menores aos países de maiores emissões, para que se mantenha o limite de aumento em 1,5ºC.”

Narendra Modi (ÍNDIA)
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que faltam ações concretas no combate às mudanças climáticas. “Hoje vamos discutir ações globais para o clima e quero deixar uma meta com vocês. A emissão de carbono da Índia já está 60% abaixo do que a média global. Isso tem a ver com nosso estilo de vida, que ainda está baseado em práticas sustentáveis”, afirmou Modi.

O líder indiano também defendeu que as nações adotem mudanças no estilo de vida para enfrentar as mudanças climáticas. “Um estilo de vida sustentável e um estilo de vida voltado ao básico precisa ser pilar importante de uma estrategia econômica pós-covid.. “Não vamos parar até que a meta seja atingida”.

Yoshihide Suga (JAPÃO)
O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, afirmou que o país se compromete a acelerar a descarbonização em mais de 100 regiões do país até 2030. O líder asiático também prometeu trabalhar em conjunto com os EUA. “A aliança climática Japão e EUA vai trabalhar em conjunto para promover a descarbonização em nível mundial.”

“Faremos aportes de até 3 milhões de dólares ao Fundo Verde, apoiaremos a descarbonização aproveitando ao máximo a tecnologia de ponta japonesa.”

Justin Trudeau (CANADÁ)
O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, defendeu um trabalho coordenado para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Nosso sucesso trabalhando coordenadamente depende de encontrar o melhor caminho não só para ter um futuro mais sustentável, mas também para construir a base da prosperidade para todos.”

Trudeau também anunciou que o Canadá tem o objetivo de reduzir as emissões de carbono de 40% a 45% até 2030, a partir do patamar de 2005. “Vamos seguir reforçando o nosso plano e tomando mais ações para chegar a ter emissões zero até 2050.”

Angela Merkel (ALEMANHA)
A premiê alemã Angela Mekel iniciou seu pronunciamento na cúpula do clima destacando o retorno dos Estados Unidos ao debate climático, em referência ao período de ausência dos americanos durante o governo do ex-presidente Donald Trump. “Um prazer ver que os EUA estão de volta conosco nas políticas de clima, pois, é inegável que o mundo necessita de sua contribuição se queremos alcançar esses objetivos ambiciosos”, afirmou.

Merkel afirmou que a Alemanha trabalha firmemente pela agenda ambiental, e lembrou do esforço da União Europeia, que estabeleceu como meta a emissão neutra de carbono até 2050.

Emmanuel Macron (FRANÇA)
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu união dos líderes mundiais na implementação de novas metas e um plano de ação claro que possa ser medido e verificado em 2030. “2030 é o novo 2050”, disse Macron.

Líder de uma das principais nações europeias, Macron também afirmou que a União Europeia está comprometida com o desenvolvimento sustentável. “O investimento em energia solar e novas baterias será o núcleo das ações da união europeia nos próximos meses”.

Vladimir Putin (RÚSSIA)
O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu o compromisso do país com os acordos internacionais sobre o clima. Putin afirmou que “A Rússia trata seus compromissos internacionais com a maior responsabilidade”, mencionando tratados como o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris. “Temos nos esforçado para criar legislações modernas que nos perminatam controlar as emissões de carbono e criar incentivos para reduzir essas emissões.”

O mandatário russo também falou da necessidade de que todos os países adotem diretrizes sustentáveis igualmente. “O desenvolvimento não deve ser apenas verde, mas sustentável em todos os sentidos da palavra e se aplica a todos os países, sem exceção. isso deve estar de mão dada com a luta contra a pobreza. para concluir, quero reiterar que a Rússia está interessada na cooperação internacional para buscar mais soluções eficazes para as mudanças climáticas e outros desafios climáticos vitais”.

Moon Jae-in (COREIA DO SUL)
A Coreia do Sul só deve anunciar seus novos compromissos de redução de gases estufa ante a Organização das Nações Unidas. Foi o que afirmou o presidente Moon Jae-in, em seu pronunciamento na abertura da cúpula do clima. “Nosso objetivo é chegar à neutralidade em 2050”, afirmou

Jae-in afirmou que o país asiático chegou ao apogeu de emissões em 2018, mas que vem mantendo um esforço de redução desde então. “Em 2019 e 2020, baixamos em 10% as emissões em relação a 2018”.

Matamela Cyral Ramaphosa (África do Sul)
O presidente sul-africano, Matamela Cyril Ramaphosa, demonstrou preocupação com os efeitos das mudanças climáticas nos países em desenvolvimento. Ramaphosa cobrou a ação das principais economias do mundo para apoiar as economias menores. “Os países mais desenvolvidos têm o dever de apoiar as economias em desenvolvimento para poder mitigar e adaptar-se ás mudanças climáticas”

Destacou a importância do multilateralismo”, disse.

Ramaphosa também afirmou que a África do Sul vai acelerar as contribuições nacionais para a redução do carbono. “As emissões africanas vão começar a ser reduzidas a partir de 2025”, disse. E completou: “Temos que trabalhar conjuntamente para conseguir alcançar uma sociedade com emissões zero”.

Alberto Fernández (ARGENTINA)
O presidente argentino, Alberto Fernández, afirmou na cúpula do clima que a crise ecológica e a crise ambiental são “duas caras de um mesmo problema” e defendeu mudanças no sistema financeiro. “Aspiro que essa cúpula seja mais do que um novo caminho, pois essa é a hora histórica de sonhar juntos”, disse.

Fernandez fez um chamamento para que a América Latina e o Caribe também busquem soluções para as mudanças climáticas e assumiu o compromisso de adotar medidas preventivas para erradicar o desmatamento ilegal, tipificando-o como crime ambiental.

O ESTADO DE S. PAULO