internet, cyber, network

Covid-19 acelera projetos digitais das companhias

A adaptação rápida de modelos de negócios para o novo perfil de consumo durante a pandemia, bem como a necessidade de transformação digital e cultural nas empresas, foram temas discutidos entre executivos e especialistas em inovação na quarta edição do seminário “E agora Brasil?”, promovido ontem pelos jornais “O Globo” e Valor.

Negócios digitais já estavam nas prioridades da L’Oréal, mas o cenário adiantou os planos. “Poderia dizer que foram cinco anos em cinco meses”, disse Patricia Borges, diretora de marketing da L’Oréal Brasil. As iniciativas da multinacional de beleza durante o isolamento incluíram conteúdos na rede para ajudar clientes a se cuidarem em casa e aplicativos, com uso de inteligência artificial, para orientar o consumidor na escolha do produto. “É possível experimentar uma máscara, base ou sombra com a mesma perfeição de um teste presencial”, afirmou Patricia. Maricy Porto, diretora de marketing das marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil, do grupo CRM, lembrou que o desafio começou logo no início do isolamento, com a adaptação para a Páscoa, que representa 30% das vendas da empresa no ano. “A gente já vinha com um olhar mais digital desde 2019, mas tínhamos o objetivo de fazer essa entrada mais gradual”, afirmou.

Entre as ações no período, Maricy citou a criação de canais de comunicação rápida com franqueados, parcerias com aplicativos de entrega, marketplaces (shoppings virtuais) e varejistas on-line. “Tivemos um giro de 95% dos produtos que estavam nas lojas.” Mesmo para quem nasceu no ambiente digital, a pandemia exigiu adaptações. “Tivemos que continuar atendendo o cliente com excelência e encontrar caminhos para viabilizar negócios de outros lojistas em nosso marketplace”, disse Jean Lessa, diretor de tecnologia e marketplace da B2W Digital. Segundo ele, o planejamento da empresa, que engloba Americanas.com, Submarino e Shoptime, foi bastante acelerado tendo como suporte investimentos anteriores. “Nos últimos três anos investimos mais de R$ 1,2 bilhão em tecnologia e logística e acredito que foi um grande diferencial”, afirmou.

Na visão de Eduardo Peixoto, diretor de design do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), as iniciativas compartilhadas pelos participantes do seminário reforçam o fato de que toda empresa precisa ser de tecnologia. “Com a pandemia, quem não era digital virou digital ou tentou virar ou então ficou fora do negócio”, disse. Segundo ele, a nova onda de migração para o ambiente on-line ajudará a alavancar em 35% o faturamento do Cesar com desenvolvimento de sistemas este ano, para R$ 200 milhões. Outro tema debatido no seminário foi a necessidade de transformação cultural das empresas. “Tem uma mudança cultural por trás desse processo que talvez seja tão ou mais importante do que a ferramenta”, afirmou Hudson Mendonça, líder do programa de aceleração Reap coordenado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e pesquisador do LabrInTOS da Coppe/UFRJ. Ele ressaltou o potencial da cooperação entre modelos ágeis das startups e a cultura das grandes empresas. “A transformação vem justamente pelo lado humano”, concluiu.

VALOR ECONÔMICO