Com pandemia, comércio online cresce 41% em 2020 e acelera processo de interiorização

No ano da pandemia, as vendas online no País deram um galope e atingiram R$ 87,4 bilhões em 2020, com crescimento de 41% em relação ao ano anterior, o maior avanço desde 2007, segundo a consultoria Ebit-Nielsen. A título de comparação, em 2018, o crescimento do comércio online havia sido 12% e, em 2019, 16%.

O crescimento de 30% no número de pedidos, que atingiu 194 milhões no ano passado, foi a principal alavanca do varejo online. Também o frete grátis, oferecido em 43% das transações, foi apontado como outro fator que impulsionou as vendas, segundo o relatório Webshoppers 43 Ebit/Nielsen & Bexs Banco.

Mais das metade das vendas (55,1%) ocorreu por meio de dispositivos móveis, com avanço de 79% em relação a 2019 em valor. Em número de pedidos, o crescimento das transações usando telefone celular foi de 56%, totalizando 106,6 milhões de transações em 2020.

Apesar de muitas empresas terem estreado no varejo online, os negócios ficaram concentrados nas lojas de departamento, que responderam por 84,3% do faturamento total.

O Sudeste foi a região que deteve mais da metade das vendas (52%) em valor do e-commerce no ano passado, mas o Nordeste dobrou a sua participação, de 18,5% em 2019 para 31,7% em 2020.

Segundo o head de e-commerce da consultoria, Marcelo Osanai, esse resultado mostra que, com a pandemia, o comércio online deixou de ser algo restrito e passou a ser uma realidade de todo País, acelerando o processo de interiorização do e-commerce.

Por categoria, um dos crescimentos mais expressivos foi vista em casa e decoração, que avançou 71% em número de pedidos e passou a representar 15% do total. Em faturamento, a categoria responde por 12% do total. “Nessa categoria, estão incluídos móveis, decoração e produtos de limpeza, tudo o que é para consumo doméstico”, diz Osanai.

A categoria alimentos e bebidas apresentou crescimento de 59% do número de pedidos, mas representa apenas 4% do total. A categoria farmácia subiu 19% no mesmo indicador, mas responde só por 1% do total. “Com a maioria das lojas fechadas, as pessoas procuravam ir pessoalmente fazer suas compras nessas duas categorias”, diz Osanai. Para o executivo, a menor representatividade de ambas as categorias também está relacionada ao tíquete médio mais baixo, que nem sempre compensa o valor do frete.

O ESTADO DE S. PAULO

Compartilhe