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Cancelamentos devem levar serviços a ter receita 33,7% menor que a registrada no carnaval pré-pandemia

Valor Econômico – 15/02/2022 –

O faturamento dos serviços no carnaval deste ano deve ser 33,7% menor do que observado no período pré-pandemia. A projeção é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade informou em nota, contudo, que os produtos mais consumidos na data já estão quase 9% mais caros e devem alcançar 10% até o feriado.

Segundo a confederação, o carnaval deve movimentar R$ 6,45 bilhões, volume 21,5% acima de igual período de 2021, quando as celebrações foram suspensas devido à pandemia. Mas o montante, caso confirmado, ainda ficará 33,7% inferior ao observado na festa de 2020, antes de as quarentenas serem decretadas.

Empregos temporários também não devem chegar ao nível pré-pandemia. A previsão é que a festa venha a gerar 16,5 mil vagas entre janeiro e fevereiro deste ano. O número é quase o dobro de igual período em 2021, mas ainda 38% inferior ao registrado no carnaval de 2020, quando foram oferecidos 26,3 mil postos.

Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia do IPCA do IBGE, a CNC aponta que, nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, preços dos bens e serviços mais demandados no carnaval subiram em média 8,6%, abaixo da inflação média no período (+11,1%). A entidade projeta variação de 9,8% nos preços médios na data, , com destaque para passagens aéreas (+23,4%), carnes (+12,95) e bebidas para consumo no domicílio (+12,8%).

A CNC observa que 20 governos estaduais optaram pelo cancelamento do feriado e dos pontos facultativos. Mas 11 das 26 capitais já confirmaram que manterão a festa no calendário.

Com isso, a confederação estima ainda que, na economia de serviços, o segmento alimentação fora do domicílio, representado por bares e restaurantes, deve registrar a maior circulação de recursos na data e movimentar R$ 2,78 bilhões. O setor vem seguido por empresas de transporte rodoviário (R$ 1,55 bilhões) e hospedagem em hotéis e pousadas (R$ 0,66 bilhões), que têm parte da antecipada. Juntos, os três segmentos responderão por mais de 84% do volume financeiro registrado na data.

Economista responsável pela pesquisa, Fabio Bentes comenta que a desaceleração dos indicadores da pandemia e a redução do isolamento social ao longo de 2021 levaram à retomada gradual da atividade no turismo. “Entretanto, os impactos adversos decorrentes da deterioração das condições econômicas e, principalmente, da chegada da variante ômicron passaram a limitar o ritmo de recuperação do segmento no fim do ano passado”, observa Bentes, na nota.

Presidente da CNC, José Roberto Tadros lembra também que, apesar de não ser feriado nacional, o carnaval é o principal evento do turismo brasileiro. “Independentemente das festas que, em sua maioria, foram adiadas ou canceladas neste ano, a decretação de feriado ou ponto facultativo, em níveis regionais, acaba movimentando o setor de forma significativa”, lembrou ele.