gears, cogs, machine-1236578.jpg

Micro e pequena indústria de SP corta funcionários

Valor Econômico – 15/02/2022 –

O ano começou mal para as micro e pequenas indústrias (MPIs) paulistas, com um saldo negativo de empregos no setor em janeiro, sob efeito dos custos ainda elevados sobre a produção e da baixa confiança na economia brasileira.

Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi) e a qual o Valor teve acesso com exclusividade, houve queda significativa no índice de contratação e demissão das MPIs. O indicador passou de 104 pontos em dezembro de 2021 para 99 pontos em janeiro de 2022, o que indica saldo negativo e recuo no ritmo de contratações. O cenário é similar ao período entre o fim de 2020 e o início de 2021.

“Houve quebra na sequência de seis meses com saldo positivo de vagas. O maior peso para as micro e pequenas indústrias ainda está nos custos de produção”, disse o presidente do Simpi, Joseph Couri.

Em relação ao mesmo período do ano passado, 55% das micro e pequenas indústrias permanecem com a mesma quantidade de funcionários na comparação com um ano atrás. Outras 29% estão com menos funcionários atualmente do que há um ano, enquanto em 15% das empresas o número de funcionários aumentou.

A perda de postos de trabalho é reflexo das dificuldades enfrentadas pela indústria, entre elas os custos elevados de produção desde o começo da pandemia. De acordo com a pesquisa, neste início de ano, 80% das micro e pequenas indústrias relatam ter enfrentado dificuldades com alta no custo de matérias-primas e insumos. Outras 24% reclamam de queda na qualidade das matérias-primas.

Outra dificuldade que as empresas têm enfrentado, segundo Couri, é o afastamento de funcionários por covid e gripe. Ele destaca que 80% das pequenas indústrias tiveram afastamento de trabalhadores – entre as micros, essa parcela é de 28%.

Por outro lado, há sinais de que o momento mais difícil já foi superado. Entre dezembro e janeiro, a porcentagem de empresas consultadas que relataram problemas com falta de matéria-prima e insumos caiu de 51% para 36%. Em relação a atrasos na entrega, 34% reclamaram deste obstáculo em janeiro, enquanto em dezembro o número foi de 49%.

“Entre os pontos positivos, podemos destacar que a parcela de empresas que enfrentou falta de matérias-primas e insumos, assim como o atraso na entrega desses materiais, é a mais baixa dos últimos 12 meses”, afirmou o presidente do Simpi.

Ainda assim, o índice de satisfação das micro e pequenas indústrias com os negócios, em janeiro, ficou em 121 pontos, inferior aos 126 pontos registrados em dezembro de 2021 – numa escala de 0 a 200 na qual 200 é o melhor resultado possível.

Conforme destaca o Simpi, a expectativa negativa em relação à economia do país caiu de 32% para 19%, ou seja, menos empresas acreditam que a situação vai piorar. Contudo, a parcela de empresários otimistas não é proporcional e caiu ligeiramente de 36% para 35% entre dezembro e janeiro. O que aumentou foi o grupo do que acreditam que a situação econômica do Brasil ficará como está: subiu de 31% para 44%.

Em outro recorte do estudo, 58% das micro e pequenas indústrias acreditam que a crise ainda é forte e afeta muito os negócios. Para 41%, a crise está mais fraca e afeta um pouco os negócios. Somente 1% respondeu que a crise já passou e não afeta mais os negócios.

“Se olharmos para esses dados, estão mais próximos dos economistas que estão prevendo uma retração do PIB do que daqueles que acreditam que haverá crescimento moderado. E estamos falando de uma base deteriorada que vem de uma crise. O cenário não é confortável”, disse Couri.