Bolsonaro critica ‘palpite’ de Mourão e desmente reforma ministerial

O presidente Jair Bolsonaro lamentou que o vice-presidente Hamilton Mourão opine sobre troca de ministros e disse que a especulação traz “inquietações internas que levam incerteza para a população”. A divergência tem como pano de fundo as pressões para substituição do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Anteontem, Mourão sinalizou que a demissão no Itamaraty era uma possibilidade. O vice disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que alguns ministros poderiam ser trocados depois das eleições dos novos presidentes da Câmara e do Senados, “entre eles, o próprio Ministério das Relações Exteriores”.

“O vice falou que eu estou para trocar o chefe do Itamaraty. Quero deixar bem claro uma coisa. Tenho 22 ministros efetivos e um que é interino. Aí que nós podemos ter um nome diferente ou efetivação do atual. Nada mais além disso”, afirmou o presidente a apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada. “Eu lamento que gente do próprio governo agora passe a dar palpites no tocante a troca de ministros. Isso só traz inquietações internas e levam incertezas para a população”, acrescentou. “E deixo bem claro: todos os meus 23 ministros eu que escolho e mais ninguém e ponto final. Se alguém quiser escolher, que se candidate em 2022 e boa sorte em 2023”.

Ontem, em outra frente de ruídos na relação entre o presidente e o vice, Mourão disse ao jornal “O Globo” que vai exonerar o chefe da Assessoria Parlamentar da Vice-Presidência da República, Ricardo Roesch Morato Filho, depois que o site “O Antagonista” revelou mensagens do servidor conversando com o chefe de gabinete de um deputado federal sobre possíveis articulações em curso no Congresso para um eventual impeachment de Jair Bolsonaro. Segundo Mourão, o assessor agiu sem o seu consentimento. Ainda de acordo com o vice-presidente, o auxiliar negou ter sido o autor das mensagens e alegou que teve o celular hackeado, mas ele não acreditou na versão. Mourão informou que a exoneração será publicada na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da União. “Agiu sem meu consentimento e contra minhas determinações. Será exonerado”, escreveu o vice-presidente.

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