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Shopping center pode ocupar unidades desativadas de montadoras

Com capacidade instalada para produzir entre 4,5 e 4,7 milhões de veículos, mas operando abaixo da metade desse volume, o setor automotivo corre riscos de ver outras fábricas serem fechadas no País. “Há grupos que operam em melhores condições, mas outros usam 30% da capacidade”, diz Cássio Pagliarini, da Bright Consulting.

Ele vê as áreas de logística e de shopping centers como principais candidatas a ocupar instalações hoje dedicadas à produção industrial, em especial aquelas próximas a centros urbanos.

Pagliarini lembra que outra área onde funcionou uma fábrica de fundição de peças da Ford em Osasco, na Grande São Paulo, também é ocupada hoje por uma empresa de logística.

“Não acredito que instalações usadas por montadoras que eventualmente encerrem a produção sejam ocupadas por outra indústria automobilística”, diz o consultor. Ele ressalta ainda que empregos no setor de logística exigem menos qualificação, menos escolaridade e os salários são menores em relação aos pagos por montadoras.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, compartilha da opinião. “Esperamos que, de fato, o novo empreendimento gere milhares de empregos, mas temos certeza de que jamais terão a qualidade que uma montadora pode oferecer.” O sindicalista cita que, em média, o setor de serviços paga salários 40% inferiores aos empregos industriais em montadoras. Na área logística, diz ele, a qualidade do emprego pode ser ainda menor em razão de serviços inferiores como plano médico e refeições.

“Por isso insistimos tanto na manutenção de um parque industrial no local, de preferência com outra montadora”, afirma Santana. “Menos qualidade do emprego, menores salários e tipo de contratação – temporária ou pela nova CLT – confirmam o que não queríamos, que é o empobrecimento da nossa região.”

Instalações
Os novos donos do terreno da Ford no ABC afirmam que vão reaproveitar boa parte das instalações que serão adaptadas para receber os galpões que serão alocados. O prédio onde eram fabricados motores vai abrigar a área de apoio e a praça de alimentação.

O edifício administrativo construído pela Willys – que foi incorporada à Ford em 1967 – será um centro tecnológico direcionado à operações de data center. “Vamos aproveitar também a infraestrutura de instalações, o sistema elétrico que é de grande capacidade, o sistema de combate a incêndio, as vias internas e o sistema de tratamento de esgoto e efluentes – que vai nos ajudar a obter o certificado ambiental com galpões Triple A”, afirma Mauro Silvestri, da Construtora São José.

Essa é a classificação mais alta no mercado imobiliário em termos de qualidade, padrão, tecnologia e sustentabilidade.

No prédio da Willys, um mural externo feito pelo artista Clóvis Graciano nos anos 60 também será mantido e restaurado, avisa Silvestri.

O ESTADO DE S. PAULO