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Recurso digital torna RH mais ágil e eficiente

O processo de contratar e demitir em tempos de coronavírus ganhou uma velocidade que o RH não imaginava: pilhas de questionários e longas conversas foram substituídas por entrevistas e testes virtuais que tornam a seleção mais precisa e o tempo consumido, muito menor. Essas transformações, esperadas para os próximos anos, foram apressadas pelo distanciamento exigido pela Covid-19. O sucesso da fórmula e o crescimento de plataformas de recursos humanos provam que este é o caminho certo. A ferramenta de vídeo-entrevista utilizada pela plataforma de recrutamento e seleção “vagas.com” cresceu mais de 2.000% de março a setembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Nesses meses foram conduzidos 316 processos de entrevistas virtuais de emprego contra 16 em 2019.

“O coronavírus está puxando muito a inovação no setor de RH, e deve continuar assim depois da pandemia”, diz Marcelo Furtado, CEO e cofundador da Convenia, empresa com soluções voltadas para a digitalização do departamento pessoal. “Vamos fechar o ano com o dobro de clientes sobre o período anterior, apesar de abril ter tido zero vendas. Para 2021, a expectativa é crescer três vezes mais que neste ano”, afirma. Segundo Furtado, a empresa já tem uma carteira com 2 mil clientes, dobrou o time de marketing e está preparada para “explorar um mercado que tem potencial imenso”. Embora a proposta de um RH digital já venha sendo perseguida há oito anos pela Convenia, o salto provocado pela pandeia surpreendeu. “O que a gente imaginava que aconteceria entre três e cinco anos, aconteceu em um mês por causa da pandemia”, diz.

Uma das vantagens de gerir um RH com um software é o ganho de tempo que a ferramenta proporciona. “Processos como o de admissão, que demoravam uma semana ou mais, hoje são feitos em um dia. Além disso, evitamos prejuízos, futuras perdas para a empresa como o pagamento de férias duplicadas, multas do eSocial, erros em benefícios e até processos trabalhistas”, afirma.

Fernanda Medei, CEO e fundadora da plataforma Medei, diz que a empresa teve um aumento de 15% em novos negócios em razão da pandemia, o que gerou incremento mensal superior a mil processos trabalhistas no período de março e novembro, sobre o ano anterior. “As empresas passaram a tomar cuidado também com o processo de desligamento. A demissão precisa ser feita com cuidado para não gerar passivo para a companhia”, afirma. Para 2021, ela estima alta de 25% a 30% nos negócios, e de 70% nas homologações, “Vamos entrar na área de admissão digital e soluções para pós-desligamentos mais simples, e transparentes, o que ajuda as empresas a fazer o offboarding de maneira correta e de qualquer lugar do país, a partir de tecnologia de vídeo”, diz. O balanço que a empresa faz é positivo. Em 2019, a ferramenta gerou uma economia de tempo na gestão de 40 mil horas; reduziu até 95% dps custos nas empresas, incluindo ações trabalhistas evitadas por meio de processos bem conduzidos, e fechou o ano com um faturamento R$ 3,3 milhões.

Vanessa Cepellos, professora da FGV EAESP, observa que processos operacionais como recrutamento e seleção, triagem de currículo, quando mediados pela tecnologia, se tornam mais ágeis e liberam o RH para que se dedique a novas estratégias de gestão de pessoas. “A tecnologia possibilitou, inclusive, que profissionais de outras regiões do país participem de processos seletivos, sem deslocamento”, afirma.

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