Produção industrial cresce 1,4% em maio após três meses de queda

A produção industrial subiu 1,4% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 2. Com o resultado positivo, registrado após três meses de queda, o setor volta ao patamar de fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19. Apesar do avanço, a indústria ainda está 16,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011.

O desempenho veio abaixo da mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de avanço de 1,6% – as previsões iam de queda de 1% a alta de 3,30%.

Em relação a maio de 2020, a produção subiu 24%, alta que é explicada pela baixa base de comparação, pois, na época, a indústria sofria as consequências das paralisações das fábricas por causa das medidas de isolamento social para evitar o contágio pelo coronavírus. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de uma alta de 17,20% a 30,00%, com mediana positiva de 24,90%.

O gerente da pesquisa, André Macedo, ressalta que o resultado positivo de maio não significa uma reversão do saldo negativo acumulado nos meses de fevereiro, março e abril, de queda de 4,7%. “Há uma volta ao campo positivo, mas está longe de recuperar essa perda recente que o setor industrial teve. Muito desse comportamento de predominância negativa nos últimos meses tem uma relação direta com o recrudescimento da pandemia, no início de 2021, que trouxe um desarranjo para as cadeias produtivas”, explica.

O pesquisador destaca que o desabastecimento de matéria-prima e o encarecimento dos custos de produção estão entre as consequências sentidas pelo setor industrial. “Embora o resultado de maio na comparação com abril tenha sido positivo, quando olhamos o início de 2021 face ao recrudescimento da pandemia e todos os seus efeitos, o saldo ainda é negativo, haja vista que, quando pegamos outros indicadores, como o índice de média móvel trimestral, a leitura ainda é descendente”, analisa.

Os principais impactos positivos entre as atividades vieram de produtos alimentícios (2,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,0%) e indústrias extrativas (2,0%). As duas primeiras cresceram após cair em abril. “A maior parte das atividades volta ao crescimento após perdas importantes nos meses anteriores. O setor de derivados do petróleo, por exemplo, que é o segundo maior impacto positivo do mês, havia recuado 10%. Isso significa que há algum grau de recomposição em relação às perdas dos últimos meses”, diz Macedo.

Outros resultados positivos vieram das atividades de metalurgia (3,2%), de outros produtos químicos (2,9%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,0%), de bebidas (2,9%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (6,2%). Já as atividades que mais impactaram negativamente o índice foram produtos de borracha e de material plástico (-3,8%), máquinas e equipamentos (-1,8%) e produtos têxteis (-6,1%).

O gerente da pesquisa ressalta que os resultados positivos são explicados pela baixa base de comparação, já que, à época, a indústria sofria as consequências das paralisações das plantas industriais em função das medidas de isolamento social para combater a pandemia de Covid-19. “Precisamos lembrar que os meses de abril e maio do ano passado foram os pontos mais baixos da série histórica. Isso explica essas taxas muito expressivas do ponto de vista da magnitude e esse espalhamento de resultados positivos pelas atividades”, pontua André. Em maio de 2020, o setor industrial havia recuado 21,9%.

O ESTADO DE S. PAULO