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Para especialistas, futuro do trabalho exige escuta de empresa e profissional

Valor Econômico

Manter equilíbrio entre casa e trabalho no home office é desafio, diz Nizan

Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo

Na visão de Nizan Guanaes, CEO da consultoria e “fazedoria” de estratégias de comunicação N Ideias, o home office pode ser libertador, mas é complicado usar a casa como um ambiente de trabalho para sempre. “O desafio é manter um equilíbrio nesse cenário”, disse o empresário baiano, admitindo que, no início do ano, trabalhou durante 30 dias, a distância, em Trancoso (BA).

Sobre as mudanças de produtividade geradas a partir do distanciamento social, Nizan, às vésperas de completar 64 anos, disse que conseguiu aproveitar a pandemia, apesar do horror da situação, para estudar mais. “É preciso ter uma relação mais equilibrada entre profissão e qualidade de vida”, disse ele, que acabou de fazer um curso em Nova York. “Quero que a Bahia seja a capital oficial do home office”, brincou.

O publicitário e empreendedor participou ontem de live comemorativa de 22 anos do Valor, ao lado de Stelleo Tolda, fundador do Mercado Livre, e da sócia da consultoria McKinsey Fernanda Mayol. Na conversa, eles refletiram sobre o futuro do trabalho e avaliaram os desafios dos modelos híbridos e da liderança no pós-pandemia.

Mayol lembrou que o significado do trabalho está sendo repensado e os profissionais ficaram mais exigentes com os empregadores. “Com a pandemia, ficamos em casa, próximos da família, e tudo isso ‘mexeu’ com as pessoas.”

Tolda, do Mercado Livre, afirmou que a única certeza agora nos ambientes de trabalho impactados pela pandemia é a incerteza. “A transformação do homem acontece também com a transformação do trabalho”, comparou. “Ainda não sabemos o que virá pela frente e até o metaverso aparece como uma das opções que teremos.”

Mayol disse que as organizações estão precisando se adaptar a novas demandas, como a atração e a retenção de funcionários. “Os talentos estão escassos no mercado e, se as empresas não mostrarem flexibilidade para contratar candidatos onde eles estiverem ou querem estar, vai ser difícil competir.”

Além disso, os processos de gestão de pessoal também precisam ser revisados, afirmou. “Quem está remoto precisa se sentir conectado com [a cultura] da organização de alguma forma.”

Sobre o impacto dos expedientes híbridos no processo de inovação das companhias, Tolda avaliou que ele pode acontecer nos dois ambientes – presencial e virtual.

“Na inovação, não é necessário que todo mundo esteja [fisicamente] no mesmo lugar”, disse. A recomendação do executivo é experimentar novas formas de inovar. Testar e aprender com os erros são práticas essenciais para as firmas inovadoras, explicou.

Moldar novas condições de trabalho também depende da escuta ativa dos empregados, segundo os entrevistados. “É importante entender o que as pessoas querem ou esperam do híbrido”, afirmou Tolda.

Na opinião de Mayol, o desalinhamento entre lideranças e equipes está “nos detalhes”. “Parece ser lugar comum dizer que o certo agora é o modelo híbrido, mas, quando perguntamos aos gestores o que é melhor, eles dizem que seriam três ou quatro dias no escritório. Mas, para os profissionais, a resposta mais usual inclui três ou quatro dias ‘em casa”, disse a especialista. “A sugestão é escutar, aprender, testar e se adaptar às novas soluções”, destacou. “Os funcionários também querem ter um senso de pertencimento com a organização e sentir a valorização das chefias. É preciso aproximar esses dois mundos.”

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