Pandemia criou “desconcentração” do emprego formal, diz BC

A pandemia “manteve a tendência de desconcentração” do emprego formal pelo país, “indicando evolução mais favorável do emprego em regiões com menor número de trabalhadores formais”. É o que mostra box sobre o tema divulgado ontem no Boletim Regional do Banco Central (BC) referente ao primeiro trimestre. Segundo a autoridade monetária, na fase mais aguda da crise “as regiões menores tiveram menos demissões líquidas”. Por sua vez, nos meses seguintes de recuperação houve mais admissões líquidas nesses mesmo locais.

Na avaliação do BC, esse maior dinamismo em regiões menos populosas “pode estar associado à maior cobertura de políticas públicas – como o auxílio emergencial – e a possíveis menores restrições de funcionamento de setores econômicos”. Para fazer a análise, a autoridade monetária dividiu as regiões do país em três grupos, de acordo com a população que vive em cada uma delas: grupo 1, formado pelas regiões com mais de 3,5 milhões de habitantes; grupo 2, com população entre 1,5 milhão e 3,5 milhões; grupo 3, com população de até 1,5 milhão. Todas as regiões têm pouco mais de 30% da população do país.

No caso do comércio, houve uma “aceleração da desconcentração geográfica entre esses três grupos”. Enquanto o emprego formal no grupo 1 ainda não havia recuperado no primeiro trimestre o nível pré-pandemia, nos grupos 2 e 3 o indicador estava respectivamente 3% e 4% acima do patamar anterior à crise. No caso dos serviços às famílias, a comparação evidencia “queda menos pronunciada” no grupo 3, “seguida por recuperação gradual”. “Nas regiões maiores, a retomada não é consistente e, especificamente no mês de março, o emprego sofreu maior impacto da segunda onda da covid-19, refletido sobretudo em alojamento e alimentação”, diz o boletim. Normalmente mais associados às empresas, os serviços técnicos e administrativos também mantiveram “tendência de desconcentração”. Nesse caso, o emprego formal estava acima do nível pré-pandemia nos grupos 1, 2 e 3: respectivamente em 3%, 5,5% e 8,9%.

Além disso, o emprego na indústria de transformação do grupo 1 “tem desempenho aquém dos verificados nos grupos 2 e 3”. “O maior dinamismo das regiões menos populosas pode decorrer da maior participação relativa de ramos da indústria de transformação que foram considerados atividades essenciais – como produção de alimentos, bebidas e vestuário”, afirma o documento. A maior exceção parece estar na construção civil, em que “nota-se evolução mais uniforme, o que pode refletir o fato de a atividade ter sido considerada essencial na maioria das localidades no país”. Em outra seção do Boletim Regional, o BC ainda afirmou que o pagamento do auxílio emergencial a partir de abril “tende a favorecer a recuperação” do consumo das famílias no país como um todo. Segundo a autoridade monetária, dados de vendas com cartão de débito “sugerem crescimento generalizado entre regiões e segmentos no período recente”. Entre os destaques, de acordo com o BC, estão: material de construção, vestuário e calçados, e cabeleireiros e outros serviços similares.

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