Nestlé quer reduzir vale-alimentação de trabalhador, mas sindicato resiste

A Nestlé quer reduzir de R$ 680 para R$ 350 o vale-alimentação dos funcionários da fábrica de chocolates Garoto, em Vila Velha, a partir de maio, e dar uma compensação em dinheiro.

Mas o SindiAlimentação, sindicato que representa os trabalhadores, diz que a medida não é adequada no atual momento de crise porque compromete a renda do trabalhador fixada para comprar comida. Além disso, segundo o sindicato, apesar da indenização no curto prazo, o corte no vale representa perda salarial no futuro.

A proposta da Nestlé, feita na última reunião com o sindicato na segunda-feira (19), é dar uma indenização de R$ 9 mil a cada trabalhador, em troca do corte no vale, e pagar a participação nos lucros de 2020.

Segundo a empresa, o valor da indenização corresponde ao que deixaria de ser pago para alimentação até 2023, data do novo acordo coletivo. Do total, R$ 6 mil seriam em dinheiro, pagos após o fim da negociação, e R$ 3 mil em vale, em três parcelas.

A entidade entrou com ação na Justiça solicitando que o vale alimentação seja reconhecido como parte do salário dos funcionários e, portanto, não possa ser cortado. Se o resultado não for favorável, o sindicato avalia a paralisação.

A Nestlé afirma que iniciou em 2019 um processo de negociação de novos acordos coletivos com alteração no vale, cujo valor, segundo a empresa, está acima da média para o setor de alimentação no Brasil. A situação das unidades de São Paulo, Bahia e Minas Gerais já foi encerrada. Falta apenas a do Espírito Santo.

A multinacional diz que aguarda a consulta das condições propostas em assembleia dos trabalhadores.

FOLHA DE S. PAULO