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IGP-M indica pressão de preços mais perto da ponta

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou inflação de 2,53% em fevereiro. No ano o índice acumula alta de 5,17% e em 12 meses, de 28,94%. A taxa de fevereiro ficou muito próxima à alta de 2,58% em janeiro. Apesar da similaridade na taxa do indicador nos dois primeiros meses do ano, os componentes do índice em fevereiro mostram que a pressão de preços exercida antes pelas matérias-primas já avançou na cadeia produtiva e chegou aos bens intermediários, influenciada principalmente por materiais e componentes para manufatura.

“A evolução mostra que as tensões de aumentos de preços estão mais próximas da prateleira”, diz o economista André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV. O principal componente do indicador, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no IGP-M, registrou alta de 3,28% em fevereiro, depois de variação de 3,38% no mês passado. O resultado mostrou que a variação dos bens intermediários aumentou de 2,54% para 4,67% de janeiro para fevereiro, ressalta Braz, sob influência do grupo de materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa de variação de 1,98% em janeiro subiu a 4,16% em fevereiro. “Dobrou o custo dos insumos da indústria já na fase dos bens intermediários. Ou seja, já não é mais só a pressão da soja ou do minério de ferro, mas sim do farelo e das chapas de metal.”

O IPA, explica, é o termômetro de como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, receberá as pressões. “Ainda que não na mesma magnitude, a tensão que começa nas matérias-primas acaba de alguma forma chegando às prateleiras.” O primeiro estágio, antes de a pressão chegar ao consumidor, diz Braz, acontece com o IPA passando de alta de matérias primas para bens intermediários e bens finais. O segundo estágio vem quando ele chega no IPCA, diz. “Isso pode acontecer nos próximos meses, mas não com uma virada absurda do indicador.” A expectativa, aponta, é que o IPCA ultrapasse 6% de alta até o fim do primeiro semestre, no acumulado em 12 meses. “No segundo semestre, que em 2020 foi o período do ano em que o IPCA mais subiu, haverá espaço para ver esse indicador em 12 meses decrescer gradualmente e chegar a algo mais próximo do centro da meta de 3,75%. Estimamos que essa meta, pelo andamento dos preços, não deve ser cumprida. Esperamos inflação na casa de 4,3% pelo IPCA ao fim de 2021.” O cenário atual de pressão de preços, diz Braz, deve motivar a revisão de juros em março. “Isso não resolve todos os problemas, mas é indicação de que a autoridade monetária está atenta à inflação. Se a pressão de preços começa a acelerar e se espalhar, a taxa de juros deve ser elevada para conter o avanço dos preços.” A pressão sobre preços de matérias-primas, segundo o economista, se agrava com o cenário de segunda onda da pandemia e do risco fiscal com as mexidas que o governo vem fazendo em relação a estatais como a Petrobras. Essas iniciativas, afirma ele, aumentam a incerteza, o que não leva o câmbio para um patamar mais favorável.

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