LinkedIn divulga 25 cargos em alta; veja lista e requisitos

A função de analista de privacidade é a mais procurada, seguida por especialista de cibersegurança; ranking traz ainda as competências exigidas, os setores que mais contratam e as cidades com maior demanda.Por Marta Cavallini, g1 O LinkedIn divulgou a lista anual dos 25 cargos que mais cresceram nos últimos 5 anos, o que acaba servindo de referência para os que serão mais demandados neste ano. As posições que aparecem no ranking refletem as tendências do mercado de trabalho e da sociedade em geral – da preocupação com segurança digital e sustentabilidade à atenção com a experiência dos clientes e usuários, destaca a rede social. Pesquisa mostra cargos em alta e média salarial em oito áreas em 2023Consultoria divulga profissões em alta em 2023; veja listaA função de analista de privacidade é a mais procurada, seguida por especialista de cibersegurança (veja lista abaixo). O levantamento usou informações da própria rede social profissional para identificar as posições que tiveram maior demanda entre 2017 e 2022. “Nos últimos anos, empresas de todo o Brasil precisaram se adaptar a uma realidade de transformação digital e aos formatos de trabalho remoto e híbrido. Cargos relacionados ao aperfeiçoamento da experiência dos usuários, bem como funções relacionadas a sistemas de análises de dados e segurança digital, atualmente estão no topo da lista”, informa. As cidades que mais aparecem no ranking de oportunidades são São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “Em um cenário de incerteza econômica, onde há uma busca constante por estabilidade e uma alta demanda por modelos de trabalho flexível como o remoto, profissionais estão repensando suas escolhas sobre carreira. A nova lista de empregos em alta reflete não só as principais tendências do mercado, mas também traz informações que podem ajudar na tomada de decisão sobre novos caminhos profissionais e na preparação para o trabalho do futuro”, afirma Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn Notícias Brasil.Uma novidade no ranking de 2023 é o cargo de Gerente de Sustentabilidade ou Analista de Sustentabilidade, o que, segundo o LinkedIn, reflete a necessidade do mercado por funções associadas ao desenvolvimento sustentável e à implementação de programas e políticas de ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança). Vagas remotas são destaqueO ranking apontou também maior disponibilidade de vagas remotas no país com base nos anúncios feitos na plataforma entre outubro de 2021 e outubro de 2022. O destaque ficou para o analista de desenvolvimento de sistemas, que tem 100% de vagas remotas anunciadas na rede, seguido por engenheiro(a) de qualidade de software (81,1%), desenvolvedor(a) de back-end (68,3%), especialista em cibersegurança (66,7%), líder de gerentes de produto (63,8%), engenheiro(a) de confiabilidade de sites (61,9%) e redator (a) com foco em experiência do usuário (61,1%). Veja abaixo a lista completa dos 25 cargos em alta, as competências exigidas, os setores que mais contratam, as cidades com maior demanda, entre outras informações reunidas pelo time editorial da plataforma: Analista de PrivacidadeO que faz: Avalia de forma contínua os riscos relacionados a dados sensíveis, ajudando as empresas a desenvolver procedimentos para tratar essas informações de maneira adequada. Competências mais comuns: Conformidade em privacidade, Privacidade dos dados, Políticas de privacidade.Setores mais comuns: Serviços profissionais, Tecnologia e Mídia, Serviços financeiros.Cidade com mais contratações: São PauloDivisão por gênero de contratações em 2022: 63% mulheres; 37% homensTempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 3,2 anosPrincipais cargos ocupados antes da contratação: Advogado, Analista de segurança da informação. Especialista em CibersegurançaCargos relacionados: Analista de Cibersegurança ou Analista do Centro de Operações de Segurança.O que faz: Na linha de frente do tratamento de incidentes cibernéticos, este(a) profissional age em caso de ameaças, avalia as vulnerabilidades digitais de suas empresas e colabora no processo de elaboração de políticas corporativas de tratamento de dados.Competências mais comuns: Gestão de informações e eventos de segurança, Splunk, CibersegurançaSetores mais comuns: Serviços profissionais, Tecnologia e Mídia, Serviços financeiros.Cidades com mais contratações: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro.Divisão por gênero de contratações em 2022: 7% mulheres; 93% homens.Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 3,9 anos.Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de segurança da informação, Analista de suporte, Analista de infraestrutura.Disponibilidade de vagas remotas: 66,7%Especialista em Capacitação em VendasO que faz: Sua principal responsabilidade é fornecer à equipe de vendas os recursos necessários para engajar clientes, incluindo treinamento, guias de vendas e dados relevantes.Competências mais comuns: Pré-vendas, Processo de vendas, Gestão de vendas.Setores mais comuns: Serviços profissionais, Tecnologia e Mídia, Ensino.Divisão por gênero de contratações em 2022: 55% mulheres; 45% homens.Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 4,3 anos.Disponibilidade de vagas remotas: 45% Líder de Gerentes de Produto (Group Product Manager)O que faz: Supervisiona todas as etapas da jornada de um produto/serviço, da conceptualização até o lançamento, gerenciando a equipe multidisciplinar envolvida no projeto.Competências mais comuns: Gestão de produtos, Metodologias Agile, Scrum.Setores mais comuns: Serviços financeiros, Tecnologia e Mídia, Serviços profissionais.Cidade com mais contratações: São PauloDivisão por gênero de contratações em 2022: 42% mulheres; 58% homensTempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 6,6 anosPrincipais cargos ocupados antes da contratação: Gerente de produtos, Product Owner, Gerente de projetosDisponibilidade de vagas remotas: 63,8%Representante de Desenvolvimento de Negócios (Business Development Representative – BDR)Cargo relacionado: Sales Development Representative – SDR (Representante de desenvolvimento de vendas)O que faz: Faz uma prospecção ativa e cultiva relacionamentos com potenciais clientes para gerar leads qualificados e novas oportunidades de negócios para suas empresas.Competências mais comuns: Outbound Marketing, Prospecção de vendas, B2BSetores mais comuns: Serviços profissionais, Tecnologia e Mídia, Serviços financeirosCidades com mais contratações: São Paulo, Florianópolis, CuritibaDivisão por gênero de contratações em 2022: 52% mulheres, 48% homensTempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 3 anosPrincipais cargos ocupados antes da contratação: Vendedor, Consultor de vendas, Consultor comercialDisponibilidade de vagas remotas: 45,20% Engenheiro(a) de CibersegurançaO que faz: Avalia e identifica os riscos de segurança em sistemas corporativos, especializando-se no desenvolvimento de soluções para combater as ameaças de crimes cibernéticos.Competências mais comuns: Segurança da informação, Cibersegurança, Avaliação de vulnerabilidadesSetores mais comuns: Serviços financeiros, Serviços profissionais, Tecnologia e MídiaCidade com mais contratações: São PauloDivisão por gênero
Receita nega dedução de salário de gestante de INSS

Decisão está na Solução de Consulta nº 11, editada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit)Por Beatriz Olivon — De Brasília A Receita Federal entende que não podem ser abatidos dos pagamentos de contribuição previdenciária os salários pagos a grávidas afastadas do trabalho durante a pandemia de covid-19 pelo risco de contaminação e por estarem impossibilitadas de fazer trabalho remoto. O posicionmento do órgão está na Solução de Consulta nº 11, editada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit). A consulta foi feita por uma empresa do ramo de medicina laboratorial, análises clínicas e serviços complementares de diagnósticos. No pedido, ela alega que, em solução de consulta de outubro de 2019, anterior à pandemia, havia liberação para o abatimento. No texto, de nº 287, a Cosit afirma que se a funcionária não puder realizar o trabalho de forma remota (por meio de teletrabalho ou de outra forma de trabalho a distância), a remuneração deve ser considerada como pagamento de salário-maternidade, passível de dedução (do valor da remuneração da funcionária gestante) com contribuições previdenciárias devidas pela empresa. Na resposta ao contribuinte, a Receita afirma, porém, que a solução de consulta anterior trata da impossibilidade de gestantes e lactantes exercerem suas atividades em locais insalubres e não terem possibilidade de realizar trabalho remoto – situação que passa a ser considerada como se fosse gravidez de risco. Ainda segundo o órgão, Lei nº 14.151, de 2021, editada no contexto da pandemia, trata de tema diferente (afastamento da empregada gestante das atividades de trabalho presencial durante a pandemia) e não há base legal que permita considerar o valor pago a título de remuneração como salário-maternidade. O Fisco lembra que o artigo 1º da norma foi alterado pela Lei nº 14.311, de março de 2022, em que foi vetada a previsão de pagamento de salário-maternidade em substituição à remuneração, caso a situação fosse considerada como gravidez de risco, até estar completa a imunização, no caso de trabalho incompatível com a forma remota. “O presidente da República vetou o dispositivo que permitiria o enquadramento dessas empregadas gestantes (quando inviável a realização do trabalho a distância) como uma das hipóteses legais de concessão do salário-maternidade”, afirma a Receita. Como a solução de consulta emitida pela Cosit é vinculante para todos os auditores da Receita, a empresa que fez a dedução no momento de pagamento das contribuições previdenciárias corre o risco de ser autuada, segundo a advogada Letícia Sugahara, do Mannrich e Vasconcelos Advogados. Para a advogada, a impressão é que a Receita fez uma análise mais formalista, apenas analisando a legislação, sem levar em consideração a pandemia. “O afastamento não se deu por mera liberalidade, mas porque a gestante é considerada grupo de risco e não poderia exercer atividade fora de casa.” Thais Shingai, do Mannrich e Vasconcelos Advogados, lembra que era difícil para empresas de alguns setores, como da saúde, realocarem profissionais para o home office. “Na prática, em 2021, ocorreram situações em que a empregada grávida não poderia mais trabalhar, foi afastada definitivamente”, diz. A existência dessas duas soluções de consulta, acrescenta a advogada, mostra uma contradição dentro dos próprios atos da Receita Federal. “São situações equivalentes”, afirma. Ainda de acordo com a advogada, além de contraditório, é mais um desincentivo à contratação de mulheres, questão que foi motivadora quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. “Ao onerar a empresa que contrata mulheres há um desincentivo a essa contratação.” Segundo o advogado Newton Domingueti, do Velloza Advogados, conforme a solução de consulta de 2019, a contrapartida de dedução de contribuição previdenciária era uma forma de proteger a empregada gestante e, ao mesmo tempo, compensar o empregador. “Agora a Receita Federal entende que não há equiparação do salário-maternidade com o salário pago conforme a lei”, afirma ele, acrescentando desconhecer casos sobre o tema levados ao Judiciário. https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2023/01/20/receita-nega-deducao-de-salario-de-gestante-de-inss.ghtml
Queda do desemprego deve perder fôlego no Brasil em 2023, estima OIT

Crescimento mais fraco do PIB deve frear abertura de vagas, avalia Organização Internacional do TrabalhoDouglas GavrasSÃO PAULOUma desaceleração significativa do crescimento da economia deve ocorrer no Brasil neste ano, o que deve levar a uma perda de fôlego na queda do desemprego, aponta relatório publicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). Após um desempenho relativamente forte no primeiro semestre de 2022, o PIB (Produto Interno Bruto) desacelerou com o enfraquecimento dos preços das commodities e a deterioração das condições financeiras globais. A expectativa é de que a taxa de desemprego fique em torno de 9% em 2023. Em 2021, a taxa média de desemprego foi de 13,2%, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e de 13,8% em 2020. Com as incertezas em relação à inflação, que assusta o consumidor e persiste desde a pandemia, o crescimento deve começar a desacelerar nos países em 2023. O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, apontou uma previsão mais baixa para o PIB deste ano, de crescimento de 0,77% (ante 0,78% na semana anterior). Para 2024, a perspectiva é de crescimento de 1,5%. A OIT também destaca que a criação de postos formais de trabalho teve uma recuperação na América Latina, mas que os ganhos reais de salário dos trabalhadores estancaram. Nos últimos dois anos, o aumento do trabalho com carteira assinada foi particularmente forte no Brasil, de 8%, aponta a entidade. “Ao longo de 2022, no entanto, os ganhos reais travaram, dado o horizonte de incerteza. As empresas optaram por ajustar sua força de trabalho, aumentando o número de horas, em lugar de contratar mais.” A OIT projeta que o emprego aumente apenas 1% neste ano, em comparação com 2022. Já o número de pessoas sem emprego no mundo deve ficar em 208,2 milhões em 2023 —no ano passado, eram 205,2 milhões. Para mulheres e trabalhadores mais jovens, os efeitos da pandemia no mercado de trabalho foram mais pesados. Globalmente, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 47,4% em 2022, em comparação com a de 72,3% dos homens —isso significa que, para cada homem economicamente inativo, existem duas mulheres nessa situação. Os jovens (de 15 a 24 anos) enfrentam uma taxa de desemprego três vezes maior que a da população adulta. Além disso, 23,5% dos jovens não estudam, não trabalham e nem estão em treinamento (nem-nem). Os especialistas também têm chamado atenção para a queda de remuneração média dos trabalhadores após a pandemia —as pessoas estão conseguindo voltar ao mercado, mas ganhando menos. A organização também apontou um total de 2 bilhões de trabalhadores informais no mundo no ano passado, 214 milhões de trabalhadores em situação de extrema pobreza (contando com menos de US$ 1,90 ou R$ 9,65 por pessoa por dia) e apenas 47% da população conta com algum tipo de cobertura social. O diretor geral da OIT, Gilbert Houngbo, destaca também que até o fim de 2022 a recuperação dos países após a pandemia de Covid-19 ainda estava incompleta e que diversos deles também seguiam sendo afetados pela guerra da Ucrânia. “Os avanços no mercado de trabalho ainda estão lentos demais, insuficientes para preencher as lacunas deixadas pela pandemia. A dificuldade de acesso a empregos de qualidade, os salários insuficientes e a desigualdade são alguns dos principais desafios”, acrescenta. Segundo o diretor, a OIT irá promover uma campanha para a criação de uma coligação global para promover justiça social e criar políticas que preparem para o futuro do trabalho. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/queda-do-desemprego-deve-perder-folego-no-brasil-em-2023-estima-oit.shtml
Emprego melhora, mas sinaliza perda de fôlego para 2023

Pnad Contínua mostra 8,1% de desemprego no trimestre até novembro, taxa mais baixa desde 2015Por Marcelo Osakabe e Lucianne Carneiro — De São Paulo e do Rio O bom desempenho do mercado de trabalho em 2022 mostrou novamente sinais de esgotamento em novembro, mas segue aquecido. Em linha com outros sinais de desaceleração vistos na economia na reta final do ano passado, a geração de emprego foi mais contida, sugerindo um início de 2023 de maior cautela para o trabalhador brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quinta-feira, 19, pelo IBGE, a taxa de desemprego no país foi de 8,1% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2022, ante 8,9% no anterior, encerrado em agosto. O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 27 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma taxa de 8,1% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2022. É o sexto trimestre consecutivo de queda da taxa, que chegou ao menor patamar desde abril de 2015 (8,1%). Em números absolutos, o país tinha 8,7 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, mas não conseguiram encontrar. São 3,7 milhões de pessoas a menos que no mesmo período de 2021. Já a população ocupada chegou a 99,7 milhões de pessoas, novo recorde da pesquisa, iniciada em 2012. Apesar dos bons números, a indicação é de moderação da melhora. A taxa de expansão da população ocupada, que foi de 2,4% e de 1,5% nos dois trimestres anteriores, desacelerou para 0,7% no período da pesquisa. Nos cálculos dessazonalizados de bancos e consultorias, já é possível vislumbrar queda da população ocupada. Para Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, a população ocupada tem variação líquida negativa há três meses. Isso só não impactou a taxa de desemprego ainda porque a taxa de participação no mercado de trabalho – ocupados mais quem busca emprego – também voltou a cair. “Caso usássemos a taxa de participação do período pré-pandemia, de 2019, essa taxa de desemprego estaria dois pontos percentuais acima do que o número atual”, nota. Para ele, a taxa de desemprego deve voltar a subir no primeiro trimestre de 2023. Nos cálculos ajustados sazonalmente do Santander, houve queda de 0,4% da força de trabalho em novembro, acompanhada por recuo de igual magnitude da população empregada. Com isso, a taxa de desemprego dessazonalizada do banco terminou estável em 8,6% em novembro ante outubro. “O resultado da Pnad continua a mostrar um mercado de trabalho sobreaquecido. No entanto, o desemprego continua em níveis baixos por causa da redução da participação no mercado de trabalho”, diz o relatório do Santander, assinado por Gabriel Couto. “Esperamos uma desaceleração dessa melhora, mas a manutenção de uma baixa taxa de participação no mercado significa um risco baixista às nossas projeções.” Coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy disse que é preciso aguardar para avaliar a perda de fôlego da criação de emprego. A ocupação também vem de crescimentos sucessivos. “Manter um patamar elevado é difícil”, disse, lembrando que 2022 foi ano de ajuste, principalmente em serviços. Ponto comemorado por Adriana foi o crescimento da renda média, que teve alta de 3% no trimestre móvel encerrado em novembro, para R$ 2.787. Com isso, a massa de rendimentos real habitualmente recebida por ocupados foi de R$ 272,998 bilhões no trimestre móvel encerrado em novembro de 2022, alta de 3,8% frente ao trimestre móvel anterior. Na comparação anual, a renda média do trabalhador avançou 7,1% no trimestre encerrado em novembro de 2022, a primeira alta após seis trimestres de queda. Contribuiu para essa melhora o crescimento do setor formal, que chegou a 36,8 milhões, avanço de 2,3% ante o trimestre anterior. Em contraponto, a população ocupada informal caiu 1,3%. Além da melhora na composição ocupada, Beringuy também cita o alívio da inflação em 2022 como fator que ajudou na recuperação da renda. Rodolpho Tobler, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ressalta que, apesar de toda a melhora do mercado, o rendimento médio habitual ainda não retomou o nível pré-pandemia. “É algo natural que, quando muita gente fica fora do mercado de trabalho, a volta aconteça com salários menores. Mas fica esse desafio para 2023, e o ponto que preocupa é que esse ano tende a ser um ano mais difícil. A economia já mostrava sinais de desaceleração no fim do ano passado e o mercado de trabalho, com alguma defasagem, deve perceber isso também”, diz. https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/01/20/emprego-melhora-mas-sinaliza-perda-de-folego-para-2023.ghtml
Governo costura apoio para reforma tributária no Congresso

Construção de ambiente favorável à agenda passa por definição das mesas que comandarão LegislativoNathalia GarciaBRASÍLIAO ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deu início às articulações políticas para abrir caminho ao avanço da reforma tributária no Congresso Nacional ainda no primeiro semestre, como sinalizado pela equipe econômica. A construção de um ambiente favorável a essa agenda passa pela nova composição das mesas do Legislativo, cuja eleição ocorrerá em 1º de fevereiro. O PT já costurou apoio à reeleição do atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mas agora outros partidos da chamada frente ampla se movimentam na mesma direção. A PEC (proposta de emenda à Constituição) 45 é de autoria do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), presidente nacional da legenda. A proposta unifica uma série de tributos sobre o consumo, como PIS/Cofins e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e tem hoje a preferência de Haddad nas discussões. A pauta da reforma tributária também foi uma das principais bandeiras de campanha presidencial de Simone Tebet (MDB), hoje ministra do Planejamento e Orçamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que deve se colocar nas discussões da medida para tentar reduzir resistências no Congresso, ambiente no qual tem experiência como ex-senadora. Desde o início do governo, o ministro da Fazenda tem reforçado a intenção de priorizar a aprovação da reforma, com ênfase na simplificação dos tributos sobre o consumo. A avaliação é que a medida pode ajudar a destravar o ambiente de negócios e impulsionar o crescimento. Na última quinta-feira (12), horas antes de apresentar seu primeiro pacote de medidas para reduzir o déficit, Haddad almoçou na residência oficial de Lira. O tema do encontro foi justamente a reforma tributária. Além deles, também estavam presentes Baleia Rossi, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) —relator da PEC 45— e o secretário especial para reforma tributária, Bernard Appy. Segundo interlocutores, o presidente da Câmara demonstrou, na ocasião, estar empenhado na priorização dessa agenda no Congresso. O ministro da Fazenda, por sua vez, enfatizou a importância da aprovação da reforma para a economia. Já o presidente do MDB colocou o projeto como algo relevante para a sigla. O apoio de Lira à PEC é considerado um fator chave para o sucesso da articulação. Em 2021, foi o próprio presidente da Câmara que ajudou a minar as chances de avanço da proposta na Casa. Em maio de 2021, Lira extinguiu a comissão especial da Câmara que debatia a reforma tributária, no mesmo dia da leitura do parecer sobre a matéria na comissão mista formada por deputados e senadores. O colegiado havia sido constituído para debater o tema em conjunto com a PEC 110, do Senado. A decisão foi tomada meses após a eleição de Lira à Presidência da Câmara —ele saiu vitorioso depois de enfrentar justamente Baleia Rossi, aliado do ex-presidente da Casa Rodrigo Maia. Na ocasião, Lira justificou a decisão alegando que o objetivo era “preservar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional”. Ainda assim, o efeito prático foi a invalidação do parecer apresentado pelo então relator. O bloqueio à reforma tributária também atendia aos interesses do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que preferia aprovar as mudanças de forma fatiada. Agora, com uma equipe econômica favorável à PEC e com a possibilidade de embarque de Lira na defesa da proposta, o novo governo tem uma perspectiva mais positiva sobre as chances de avanço. Lideranças políticas esperam inclusive que Aguinaldo Ribeiro seja mantido no posto de relator, mas isso ainda vai depender do acerto final com Lira, que costuma dar preferência a aliados na condução de temas estratégicos. Enquanto aguarda a definição do xadrez político, a equipe econômica também tem se movimentado nas discussões técnicas. No dia 10 de janeiro, Haddad teve uma reunião com seu secretariado para dar o pontapé nas discussões internas. Segundo interlocutores, foi apenas uma apresentação inicial dos principais elementos da reforma. Na terça-feira (17), Appy recebeu o presidente do MDB e autor da PEC 45 na sede do Ministério da Fazenda para discutir pontos da reforma. A reunião durou mais de uma hora e meia. O atual secretário foi um dos formuladores técnicos da proposta quando ainda atuava como diretor no CCiF (Centro de Cidadania Fiscal). Nesta quinta-feira (19), Appy também deve se encontrar com o senador Roberto Rocha (PTB-MA). Ele foi o relator da PEC 110 no Senado e atuou como presidente da comissão mista da reforma tributária —mas deixará a Casa neste mês com o fim de seu mandato. A expectativa dos técnicos é conseguir construir um texto de maior consenso, que concilie pontos das PECs 45 e 110, para ampliar a aceitação no Congresso e entre setores empresariais. O deputado Zeca Dirceu, que vai assumir a liderança do PT na Câmara em fevereiro, diz que vai articular a aprovação da proposta no Congresso. “Tudo que o governo entender ser viável vou ser o primeiro a defender”, afirma. “Se tiver algum tema que eu sinto que não tem viabilidade momentânea, vou ser o primeiro a alertar.” As duas PECs propõem a unificação de tributos sobre consumo em um IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que pode variar de nome e, principalmente, de alcance. Na proposta formulada por Appy, o IVA seria nacional, enquanto no texto do Senado, o IVA é dual: haveria uma alíquota para o governo federal e outra para estados e municípios. O segundo modelo enfrenta menos resistência de governadores e prefeitos, que almejam maior autonomia na definição de suas alíquotas. Por isso, o tema está em discussão, embora ainda não haja decisão final sobre o caminho a ser adotado. O governo também precisará enfrentar as resistências de segmentos empresariais, sobretudo de serviços, que demonstram preocupação com os efeitos da oscilação da carga tributária. O setor de serviços, que possui hoje uma carga tributária inferior à da indústria, teme ser prejudicado por uma alíquota única. Como o IVA é imposto não cumulativo, ou seja, não incide em cascata em cada etapa da produção, uma alíquota maior pode ser necessária para manter a arrecadação. No entanto,
Lula promete nova regulação para trabalhadores de aplicativos: ‘Situação beira trabalho escravo’

Por André Borges Governo criou um grupo de trabalho que vai estudar o assunto, que deverá ser levado para debate no Congresso NacionalBRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 18, que o governo vai apresentar uma nova proposta de regulação trabalhista para estabelecer direitos de trabalhadores que prestam serviços por meio de aplicativos. Em encontro com lideranças sindicais para definir a política de valorização do salário mínimo, Lula anunciou a criação de um grupo de trabalho que ficará responsável por apresentar um conjunto de medidas a ser enviado para debate no Congresso Nacional. Um dos objetivos é eliminar desequilíbrios nas relações de trabalho e garantir direitos a esses profissionais. “Vamos acabar com essa história de trabalhador de aplicativo ter de ser microempreendedor”, disse Lula, aplaudido pela plateia, formada por centenas de sindicalistas, em cerimônia disputada no Palácio do Planalto. A promessa de regulamentar os trabalhadores de aplicativo já havia sido sinalizada na posse do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que também participou do encontro com representantes das centrais sindicais. Em seu programa de governo, Lula havia dito que iria propor uma nova legislação trabalhista com “especial atenção” a trabalhadores “mediados por aplicativos e plataformas”. Segundo o presidente, o quadro atual é de precarização das relações de trabalho. “Não queremos que trabalhador seja um eterno ‘fazedor de bicos’”, disse Lula. “Por isso, peço ajuda aos movimentos sindicais, para que tenhamos uma nova relação entre capital e trabalho”, comentou.A criação do grupo técnico foi confirmada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que também participou do encontro. “Vamos criar o GT (grupo de trabalho) para regulamentar os trabalhadores por aplicativos”, disse. “Hoje, esse tipo de trabalho beira o trabalho escravo.” Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ao final de 2021, 945 mil brasileiros trabalhavam como motoristas de aplicativo. Para as empresas do setor, o ministro mandou um recado. “Aplicativos, não se assustem. A proposta é trazer proteção social ao trabalhador. Vamos olhar cada item da legislação trabalhista e revisitar um por um.” Procurada pelo Estadão, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) – que representa plataformas como Uber, 99 e iFood – afirmou que apoia uma regulação do trabalho que busque “melhorar a proteção social dos profissionais e garantir a segurança jurídica da atividade, que gera oportunidades para milhões de famílias”. A associação disse que as empresas associadas colocam-se à disposição do governo federal para colaborar nas discussões e defendem que o debate “tenha como premissas a flexibilidade e a autonomia que caracterizam as novas relações de trabalho intermediadas por aplicativos, apoiadas pela maioria dos trabalhadores, conforme apontado em diversas pesquisas”. Já a Associação dos Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp) afirmou que pretende participar das negociações e irá apresentar ao ministro Marinho uma proposta de projeto de lei que preserve, sobretudo, a autonomia dos motoristas. “Um projeto como esse é bem delicado, pois estamos tratando de uma nova categoria de trabalhadores”, diz o presidente da Amasp, Eduardo Lima. “Mexer de forma inexperiente pode nos trazer sérios problemas; muitas leis devem ser verificadas e muitos pontos incluídos, sempre dentro da constitucionalidade. A principal questão é preservar a nossa autonomia. Ônus já temos demais, mas bônus, não temos”, disse. /Colaborou Anna Carolina Papp https://www.estadao.com.br/economia/lula-promete-regulacao-trabalhadores-aplicativo/
Desemprego cai a 8,1% e atinge 8,7 milhões

Taxa é a menor para o trimestre até novembro desde 2014 e vem em linha com projeçõesLeonardo VieceliRIO DE JANEIRO O resultado veio em linha com as estimativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 8,1%. Essa é a menor marca para o trimestre até novembro desde 2014. À época, a taxa estava em 6,6%, segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Na comparação com diferentes trimestres da série histórica comparável, a nova taxa é a menor desde o início de 2015. O indicador estava em 7,5% até fevereiro daquele ano. Trabalhador serve bebida em hotel no Rio; fim das restrições da pandemia de Covid-19 estimulou abertura de vagas – Eduardo Anizelli – 8.dez.22/FolhapressO desemprego marcava 8,9% no trimestre até agosto de 2022, período mais recente da mesma série histórica da Pnad. No trimestre finalizado em outubro, que integra outra série da Pnad, o indicador já estava em 8,3%. O número de desempregados, por sua vez, recuou para 8,7 milhões até novembro. É o número mais baixo para esse trimestre desde 2014 (6,6 milhões). O contingente somava 9,7 milhões até agosto de 2022 e 9 milhões até outubro do ano passado. A população desempregada, conforme as estatísticas oficiais, é formada por pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e seguem à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse número. A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos. Após os estragos causados pelo início da pandemia, em 2020, a geração de vagas foi beneficiada pela vacinação contra a Covid-19. A imunização permitiu a reabertura dos negócios e o retorno da circulação de pessoas. POPULAÇÃO OCUPADA RENOVA RECORDEA população ocupada alcançou 99,7 milhões no trimestre até novembro. Assim, renovou o recorde da série histórica iniciada em 2012, apontou o IBGE. Houve alta de 0,7% na população ocupada (mais 680 mil pessoas) ante o trimestre anterior e de 5% (mais 4,8 milhões) na comparação anual. “Embora o aumento da população ocupada venha ocorrendo em um ritmo menor do que o verificado nos trimestres anteriores, ele é significativo e contribui para a queda na desocupação”, disse Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE. RENDA CRESCE 3% NO TRIMESTREEm um primeiro momento, a recuperação do trabalho foi acompanhada pela queda da renda média, que agora dá sinais de melhora com a trégua da inflação. No trimestre até novembro, o rendimento médio real foi estimado em R$ 2.787, um aumento de 3% em relação ao trimestre encerrado em agosto (R$ 2.706). Quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.601), o crescimento foi de 7,1%. A renda está próxima do patamar verificado até novembro de 2019, antes da pandemia. À época, o rendimento marcava R$ 2.830. Segundo economistas, a recuperação do mercado de trabalho tende a perder velocidade em 2023. A explicação está associada ao efeito dos juros elevados, que costuma esfriar a atividade econômica e, consequentemente, a abertura de vagas. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/desemprego-cai-a-81-e-atinge-87-milhoes.shtml
Lula defende isentar IR para pobres, aumentar dos ricos e reajustar salário mínimo pelo PIB

Ele criticou: “Quem ganha muito dinheiro paga pouco imposto porque recebe como dividendo”Por Renan Truffi e Fabio Murakawa, Valor — Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que seu governo vai “mudar a lógica” do Imposto de Renda (IR) no Brasil mesmo que seja necessária uma “briga” com empresários. O petista explicou que seu objetivo é, sim, isentar do IR todos aqueles que ganham até R$ 5 mil. Para isso, o presidente sinalizou que “está na hora” de cobrar esse tributo dos “ricos” que recebem “dividendos”. Neste sentido, ele endossou declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que é necessário fazer uma reforma tributária em breve para garantir o pagamento de um salário mínimo acima da inflação.“Uma mudança que quero fazer é no Imposto de Renda. Neste país, quem paga IR de verdade é quem tem holerite porque isso é descontado e não tem como não pagar. O pobre que ganha R$ 3 mil paga mais do que aquele que ganha R$ 100 mil. Quem ganha muito [dinheiro] paga pouco [imposto] porque recebe como dividendo”, disse.“Meus companheiros sabem que tenho uma briga com economistas do PT porque eles dizem que, se fizer isso [isentar trabalhadores que ganham até R$ 5 mil], cai 60% de arrecadação. Então vamos mudar a lógica, diminuir para o pobre e aumentar para o rico. É necessária uma briga? É necessário. Vocês têm que saber que não temos como fazer isso sem mobilização. Eu vou brigar pra fazer isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Não posso fazer no grito, mas nós vamos construir, vamos começar uma reforma tributária”, complementou. A afirmação foi feita durante cerimônia de assinatura de um despacho que determina que ministérios da Esplanada elaborem em até 90 dias proposta para instituir política de valorização de salário mínimo. O ato contou com a presença de cerca de 500 sindicalistas. Isso porque o objetivo da gestão petista é anunciar o valor do novo benefício até 1º de maio, quando é celebrado o Dia dos Trabalhadores, data simbólica para o eleitorado do PT.Apesar disso, as negociações continuam travadas com o Ministério da Fazenda, que está sob responsabilidade de Fernando Haddad. O Orçamento aprovado pelo Congresso no ano passado prevê um mínimo de R$ 1.320 neste ano, mas as centrais sindicais pedem um valor de R$ 1.342, o que é incompatível com o equilíbrio das contas públicas.Sobre a questão do mínimo, Lula deu a entender que o tema está ligado à reforma tributária e que somente uma política real de valorização do salário mínimo pode fazer a economia girar. “Gostei de uma declaração do Haddad. Ele disse que vamos fazer a reforma tributária no primeiro semestre, e para isso é preciso discussão e muita pressão de vocês. É possível aumentar o mínimo acima da inflação e esta é a melhor forma de fazer distribuição de renda. Se o PIB cresce, o salário mínimo tem que subir de acordo com o crescimento da economia. É isso que a gente tem que fazer. Temos que mudar a política tributária para colocar o pobre no Orçamento e o rico no Imposto de Renda. E eu posso falar isso porque sou presidente”, enfatizou.Além disso, Lula falou sobre uma possível revogação da reforma trabalhista. Em discurso direcionado às centras sindicais, ele defendeu que o governo não pode fazer mudanças na legislação de uma única vez, como por meio de uma Medida Provisória, mas, sim, precisa “construir” uma solução com o Congresso de forma que as mudanças não sejam derrubadas posteriormente. “Nós queremos construir junto com o movimento sindical uma nova estrutura sindical, de novos direitos numa economia totalmente diferente. O mundo do trabalho mudou muito. O que cresceu foi o bico e o trabalhe avulso. Nós não queremos que o trabalhador seja um eterno fazedor de bico, mas sim que tenha direitos garantidos e um sistema de seguridade social que o proteja Em vez de fazer isso por MP apenas, nós vamos ter que construir juntos porque daí fica mais difícil desmanchar”, ponderou.Por conta deste cenário, o presidente pediu que as centrais sindicais voltem a se aproximar dos trabalhadores nos locais onde eles estão “batendo ponto”. “É preciso que vocês [sindicalistas] compreendam uma coisa, precisamos voltar para o local da fábrica, para que o povo trabalhador sinta quem são seus representantes. Qual foi a razão de a gente ter criado o novo sindicalismo em 1978? Foi que a gente percebeu que a gente tinha que ir até o trabalhador e não o contrário. Essa gente [empresários] acha que o mundo moderno não precisa de sindicato, mas a democracia, quanto mais séria for, mais precisa de sindicatos”, defendeu.Por fim, Lula fez um aceno aos trabalhadores por aplicativo, que têm se mobilizado contra empresas por falta de direitos. “Ninguém quer voltar a estabelecer a estrutura sindical como era, é preciso que a gente se reinvente, mas precisamos acabar com essa história de que o trabalhador de aplicativo é microempreendedor, ele não é. Ele percebe isso num momento de sofrimento, quando não tem nenhum sistema de seguridade social”, afirmou.Presente na cerimônia, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o governo vai “revistar” cada um dos pontos da legislação trabalhista, que, na avaliação dele, legalizou o trabalho “semiescravo” no Brasil. “Vamos revisitar uma por uma [dos artigos da legislação trabalhista] para poder discutir, contudo temos que ter consciência da complexidade das demandas”, afirmou. Além disso, Marinho explicou que a pasta irá criar grupos de trabalho para discutir tanto a retomada da negociação coletiva, no âmbito da legislação trabalhista, quanto a questão dos trabalhadores de aplicativo. Ele pediu, no entanto, que as empresas “não se assustem”.“Vamos construir uma proposta de retomada de política de valorização do salário mínimo. Teremos em 30 dias um grupo de trabalho da retomada da negociação coletiva. Também teremos grupo de trabalho para ver a situação de trabalhadores de plataformas e empresas de aplicativos Nós acompanhamos a angústia de trabalhadores de aplicativos Isso para mim é trabalho escravo.
Lula monta grupo para discutir salário mínimo, que fica em R$ 1.302 pelo menos até maio, diz Marinho

Por André Borges Reunido com lideranças sindicais de todo o País, presidente determinou que uma nova proposta de valorização deverá ser apresentada em até 45 diasBRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira, 18, um despacho para determinar a criação de uma proposta por seus ministérios para instituir a nova política de valorização do salario mínimo. O texto deverá ser elaborado por ministérios como Trabalho, Fazenda, Previdência, Desenvolvimento e Casa Civil, e terá de ser apresentado em até 45 dias – prazo poderá ser prorrogado por igual período, se necessário. Por enquanto, permanece, pelo menos até maio, o valor já vigente, de R$ 1.302, e não de R$ 1.320, como chegou a ser sinalizado pela equipe do petista durante a campanha eleitoral. “O salário mínimo de R$ 1.302 está em vigor e poderá ser revisado até o dia 1º de maio, mas o valor dependerá do debate do GT (grupo de trabalho)”, disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, após cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente Lula e representantes das centrais sindicais. Sem citar datas para rever o valor do mínimo, Lula disse que vai cumprir as suas promessas. “Nós só vamos ter o nosso orçamento em 2024, porque vamos ter que construir o de 2023″, comentou. “E eu tenho certeza de que vou cumprir todas as promessas de minha campanha.” Marinho disse que a valorização do salário mínimo “será feita pelo conjunto do governo”, respeitando a “previsibilidade da nossa economia”. “Não tem canetaço, mas entendimento é consenso. Vamos construir entendimentos”, comentou Marinho. “O salário mínimo está em vigor, em R$ 1.302. A partir daqui, vamos construir a nova política de valorização, a partir desse grupo.” Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a decisão sobre o aumento do salário mínimo caberia ao governo e seria retomada após negociações com as centrais sindicais. Lula recebe lideranças sindicais no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Rui Costa (Casa Civil)Lula recebe lideranças sindicais no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Rui Costa (Casa Civil)Custo do reajusteNo Orçamento de 2023, sancionado ontem por Lula, foi reservado um montante de R$ 6,8 bilhões para o reajuste do salário mínimo para R$ 1.320, conforme informado pelo relator-geral do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI). Mas, esse montante se tornou insuficiente para bancar o reajuste pelo aumento dos benefícios previdenciários, segundo a equipe econômica. ”Esse recurso do Orçamento foi consumido pelo andar da fila do INSS, porque a partir do início do processo eleitoral, por razão que não tem nada a ver com respeito a Constituição, a fila começou a andar, porque o governo estava desesperado por voto”, disse Haddad na semana passada. O gasto anual do governo para aumentar o mínimo de R$ 1.302 para R$ 1.320 em 2023 chega a R$ 7 bilhões. O valor considera a estimativa oficial do Ministério da Fazenda enviada ao Estadão/Broadcast de que cada R$ 1 de aumento no piso das remunerações tem custo bruto de R$ 389,8 milhões ao ano nas despesas do governo. Centrais sindicaisEm seu novo mandato, Lula teve nesta quarta-feira seu primeiro encontro com lideranças sindicais no Palácio do Planalto, prédio que passa por reformas e que ainda está sem a maior parte de suas vidraças, resultado da depredação realizada pelos golpistas no domingo, 8 de janeiro. O presidente afirmou que é preciso estabelecer uma nova relação com os sindicatos e entre as relações de trabalho. “Nós queremos construir uma nova estrutura sindical, de novos direitos em uma economia totalmente diferente daquela dos anos 1980. Quero dizer com isso que o mundo do trabalho mudou”, disse Lula, ao se referir aos trabalhos temporários. “Não queremos que um trabalhador seja um eterno trabalhador de bico, que tenha proteção trabalhista.” Miguel Torres, presidente da Força Sindical, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro “esquartejou” o que era o Ministério do Trabalho e que, hoje, é preciso retomar as negociações coletivas entre empresas, sindicatos e trabalhadores. “Hoje essa retomada tem um forte simbolismo para nós”, disse. “É fundamental reverter esse quadro, com desenvolvimento social e incluindo os trabalhadores. Precisamos fortalecer as negociações coletivas.” Continua após a publicidade A respeito da cobrança do imposto sindical, Torres disse que os trabalhadores não pedem o retorno do imposto sindical e que o setor quer realizar assembleias para definir uma nova forma de remuneração dos sindicatos, de uma forma acordada de maneira coletiva. “Queremos que a renegociação seja valorizada e que os trabalhadores decidam. Nessa parte de atualização da estrutura sindical, todas as unidades das centrais sindicais, todo o movimento sindical, nós precisamos realmente fortalecer o movimento sindical. Como sabem os trabalhadores, só a luta faz a lei”, declarou. Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que o retorno do Ministério do Trabalho, que tinha sido extinto por Jair Bolsonaro, é celebrado pelas forças sindicais. “Contem com as centrais sindicais nestas caminhada”, afirmou, ao elogiar a escolha de Luiz Marinho para comandar a pasta. https://www.estadao.com.br/economia/lula-monta-grupo-para-discutir-salario-minimo-que-fica-em-r-1302-pelo-menos-ate-maio-diz-marinho/
Em um ano, Covid deixa lista de doenças que mais afastam do trabalho

Após liderar o ranking de afastamento do trabalho em 2021, a Covid-19 deixou de figurar na lista de doenças que mais registraram benefícios por incapacidade, o antigo auxílio-doença, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 2022. Segundo levantamento do Ministério da Previdência, feito a pedido do R7, nos seis primeiros meses de 2022 foram 6.537 afastamentos por Covid-19 ante 64.561 registrados no mesmo período do ano anterior, uma queda de 90%. Com isso, a infecção por coronavírus está em 29º lugar. Para a advogada trabalhista Lariane Del Vecchio, da ABL Advogados, o avanço da vacinação contra a Covid-19 no país foi o que mudou o quadro da doença neste período. “Eu acredito que isso tenha ocorrido pelo avanço da vacinação. Entre 2021 e 2022 todos foram vacinados. Com isso, foi reduzindo a transmissão da doença e os afastamentos dos trabalhadores”, afirma a advogada. Segundo o Ministério da Saúde, desde janeiro de 2021 até agora, 163 milhões de pessoas tomaram a segunda dose ou dose única da vacina, o que representa 79% da população. Quanto à primeira dose de reforço, 102,5 milhões foram aplicadas. A segunda dose de reforço, ou dose adicional, soma 45,2 milhões de aplicações. No entanto, o fato de a principal causa em 2022 ter sido o tumor benigno de útero surpreendeu a advogada. “Eu acreditava que os problemas com ergonomia diante do home office fossem aumentar, assim como os de saúde mental. Agora, com relação ao tumor benigno, para mim é uma surpresa”, acrescenta Del Vecchio. Ela diz que tem notado no dia a dia do escritório uma alta no afastamento por doenças ergonômicas (provocadas por postura inadequada em função de cadeira e equipamentos) e relacionadas à saúde mental do trabalhador, como burnout, crises de ansiedade e depressão. “O home office foi um dos grandes causadores do aumento de doenças ergonômicas, já que não tem a fiscalização de equipamento que está sendo utilizado em casa. Acho que teve essa tendência de diminuição da Covid por conta da vacinação e aumento de problema ergonômico, que também veio por causa da pandemia”, avalia a advogada. Del Vecchio alerta para o problema da subnotificação. “Uma coisa é o empregado estar adoentado, e outra coisa é isso ser notificado. Até porque o afastamento no INSS é depois do 15º dia da licença concedida pela empresa. A comunicação de uma doença do trabalhador pode ter problema de subnotificação”, conclui. O advogado trabalhista Ruslan Stuchi, sócio do escritório Stuchi Advogados, lembra da mudança para o período de licença inicial. “Em 2020, o recomendado para uma pessoa infectada era o afastamento de 15 dias, podendo ficar até mais dependendo dos sintomas da doença, para não fazer o contágio. Esse tempo foi diminuindo, com a área médica aconselhando afastamento de sete dias em relação à doença”, afirma Stuchi. Para ele, a tendência é que a doença saia da listagem de forma total. “Atualmente, a Covid não está mais entre as doenças que mais afastam do trabalho no ranking do INSS. Isso se deve ao fato de estar diminuindo o número de casos e também os efeitos colaterais da doença estão mais controlados.” Como pedir o benefício • Acessar o aplicativo do MEU INSS pelo celular ou pelo endereço meu.inss.gov.br; • Clicar em “Agendar Perícia” e, depois, em “Perícia Inicial”; • Caso os documentos médicos estejam de acordo com as orientações e o segurado queira o atendimento a distância, deverá clicar em “Sim” e, em seguida, em “Continuar”; • O procedimento é o mesmo tanto para quem vai dar entrada no pedido quanto para quem já tinha a perícia agendada. Veja quais informações o documento médico deve trazer • O documento deve estar legível e sem rasuras; • Ter sido emitido menos de 30 (trinta) dias antes da Data de Entrada do Requerimento (DER); • Deve também conter: a) nome completo do requerente; b) data de início do repouso e o prazo estimado necessário; c) assinatura do profissional emitente e carimbo de identificação, com registro do Conselho de Classe (Conselho Regional de Medicina — CRM, Conselho Regional de Odontologia — CRO ou Registro do Ministério da Saúde — RMS), que poderão ser eletrônicos ou digitais, desde que respeitados os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente; e d) informações sobre a doença ou Classificação Internacional de Doenças (CID). Prazos Os benefícios concedidos por meio da análise de atestado não poderão ter duração superior a 90 dias (pode ser apenas um afastamento com o total de 90 dias ou vários afastamentos que, somados, não podem superar 90 dias). Quem já teve o benefício concedido com a análise documental e quiser fazer um novo pedido deverá ficar atento ao prazo: o sistema só aceitará novo pedido de benefício com análise de atestado 30 dias após o resultado da última análise. https://noticias.r7.com/economia/em-um-ano-covid-deixa-lista-de-doencas-que-mais-afastam-do-trabalho-16012023