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Alta de juros e atividade fraca pioram situação de empresas

A decisão do Banco Central de aumentar expressivamente a taxa básica de juros torna ainda mais difícil o cenário para milhares de empresas, já pressionadas pelo fracasso do país no combate à pandemia e pela alta da inflação. A Corporate Consulting prevê que entre 90 mil e 120 mil firmas, principalmente pequenas, fecharão as portas neste ano, ante 75 mil em 2020. “A hora da verdade está chegando para as empresas”, diz o advogado Thomas Felsberg.

A pressão aumenta porque, a partir deste mês, começam a expirar os prazos de carência das linhas emergenciais de crédito abertas em 2020 para socorrer pequenas e médias companhias na pandemia. Há parcelas remanescentes de contratos prorrogados por bancos e até por fornecedores que deveriam voltar a ser pagas agora. Concessões de crédito às empresas somaram R$ 2 trilhões no ano passado, 9,15% mais que em 2019. Parte se deveu a linhas anticrise. Só no Pronampe, para micro e pequenas empresas, foram R$ 37,5 bilhões. Serviços duramente afetados pela pandemia esperam a prorrogação da carência de linhas de apoio e a reedição da medida de redução de salários para evitar nova onda de encerramento de negócios. Mas o quadro agora é pior, porque o fôlego das companhias é menor e os juros, maiores.

Nesse cenário, a intensidade da alta da Selic dividiu economistas. Para Affonso Celso Pastore, a dose foi excessiva, quando se pondera custos para a atividade e inflação. Mario Toros diz que o BC foi na linha de subir mais rápido, de forma a ter que “subir menos do que se ficasse atrás da curva.” A reação ao Copom foi expressiva nos mercados. O dólar caiu ante o real, mesmo em dia de firme valorização da moeda americana no exterior. A diferença entre as taxas de longo prazo e as mais curtas diminuiu. O contrato de DI para janeiro subiu 0,345 ponto percentual, para 4,595%.

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