Fim da escala 6×1 custaria para o comércio R$ 122,4 bi anuais, estima CNC
Confederação diz também que o ‘choque’ na folha de pagamentos implicaria aumento de 13% nos preços ao consumidor final, que não seria compatível com a renda. BRASÍLIA – A Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou, nesta segunda-feira, 23, um levantamento em que diz que o custo total de adequação ao fim da escala 6×1 no comércio é estimado em R$ 122,4 bilhões anuais. O valor representaria aumento instantâneo de 21% na folha salarial do segmento. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões. O documento intitulado Parecer técnico-econômico: análise dos impactos do fim da jornada 6×1 no Brasil diz que, entre os trabalhadores formais do comércio varejista, 93% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, e entre os trabalhadores do atacado, 92% se encontram na mesma situação. Segundo a entidade, o “choque” pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos. A confederação também afirma que, para um ponto porcentual de aumento dos preços ao consumidor final, “incorre-se uma perda de 0,08 ponto porcentual no Excedente Operacional Bruto do setor (EOB)”. A organização prossegue: “Desse modo, impacto agregado resultante aponta para uma redução de 5,7% (0,057 ponto porcentual) no Excedente Operacional Bruto do comércio de modo que, a valor presente, o EOB do comércio seria reduzido em R$ 73,31 bilhões — superando, por exemplo, em mais de R$ 2 bilhões tudo que o comércio varejista faturou com o Natal de 2024”. Outro apontamento é de que o turismo seria um dos setores mais vulneráveis, com custo potencial de adequação de 54%, “dada a impossibilidade de automatizar serviços essenciais como hospedagem, alimentação e atendimento presencial”. A proposta de fim da escala 6×1 foi analisada nesta terça-feira, 24, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A CCJ anunciou como relator da matéria o deputado Paulo Azi (União-BA). Matéria: reprodução – Terra
Ministro Luiz Marinho defende revisão da escala 6×1 e redução da jornada máxima em debate na Câmara
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou nesta segunda-feira (10) do seminário “Alternativas para o Fim da Escala 6×1”, promovido pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Durante o encontro, ele defendeu mudanças estruturais na jornada de trabalho e criticou o que classificou como “perversidade” nas relações laborais no Brasil. O debate reuniu sindicatos, parlamentares, representantes de empregadores e trabalhadores e também tratou da PEC 8/25, que propõe a adoção de jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, limite semanal de 36 horas e a extinção da escala 6×1. A proposta ainda será avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Defesa de um novo modelo de jornada Marinho afirmou que o país precisa avançar na construção de modelos que garantam mais saúde, equilíbrio e previsibilidade aos trabalhadores. Ele destacou que a desigualdade no mercado de trabalho é consequência de escolhas históricas e reforçou o papel do Estado na proteção e fiscalização das relações laborais. Segundo o ministro, o debate marca a retomada da agenda trabalhista no Parlamento: “O tema trabalho estava totalmente obstruído na Casa. Este debate ajuda a desbloquear e traz relevância para as relações de trabalho no Brasil.” Redução da jornada semanal O ministro defendeu que mudanças legais são essenciais para permitir avanços, lembrando que a redução de 48 para 44 horas semanais em 1988 enfrentou grande resistência, mas foi assimilada pelo mercado. Em sua avaliação pessoal, o país já possui condições para reduzir imediatamente a jornada máxima para 40 horas semanais, destacando experiências positivas de empresas que já adotam modelos mais curtos. Críticas à escala 6×1 Luiz Marinho classificou a escala 6×1 como incompatível com a vida moderna, especialmente para as mulheres, e defendeu a ampliação do descanso semanal para ao menos dois dias consecutivos. Ele ponderou, porém, que alguns setores dependem de funcionamento contínuo, reforçando a importância da negociação coletiva. “Os sindicatos estão fragilizados e precisam recuperar a capacidade de negociação.” Funcionamento do comércio aos feriados Marinho também criticou a reação negativa à portaria que reforça a necessidade de negociação coletiva para o funcionamento do comércio em feriados, afirmando que a medida apenas buscava ordenar as regras já existentes. Ao final, o ministro destacou a disposição do governo em dialogar com trabalhadores, empregadores e parlamentares para construir uma transição segura: “É hora de virar a página da escala 6×1.” 📎 Clique aqui para ler a matéria completa.