Relações de trabalho e ambiente de negócios em transformação: o que pode impactar o setor de serviços em 2026

O ano de 2026 se inicia em um cenário de transição estrutural para o setor de serviços. Mudanças tributárias, debates trabalhistas, avanços tecnológicos, novas exigências regulatórias e um ambiente econômico internacional instável desenham um contexto que exige planejamento, adaptação e diálogo permanente entre empresas, sindicatos e o poder público. Mais do que rupturas imediatas, o período será marcado por ajustes graduais, testes de novos modelos e decisões estratégicas que impactarão diretamente a competitividade, a geração de empregos e a segurança jurídica das empresas. Tributação: transição, testes e aumento do compliance A Reforma Tributária do consumo entra em uma fase decisiva a partir de 2026. As empresas passam a conviver com testes operacionais da CBS e do IBS, tributos que substituirão gradualmente PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo da próxima década. Embora a cobrança plena ainda não esteja em vigor, o período exige adequação de sistemas, capacitação técnica e atenção às obrigações acessórias. A ampliação do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) e o cruzamento de dados entre Receita Federal, Ministério do Trabalho, INSS e Justiça do Trabalho elevam o nível de fiscalização digital. Impacto direto: aumento da complexidade no curto prazo e necessidade de preparo técnico, especialmente para empresas intensivas em mão de obra. Trabalho e relações laborais no centro do debate As relações de trabalho ganham protagonismo em 2026, com temas sensíveis que ampliam a atenção jurídica e institucional. Pejotização e judicializaçãoO Tribunal Superior do Trabalho tem reforçado alertas sobre os riscos da pejotização indiscriminada, apontando impactos sociais, previdenciários e jurídicos. Paralelamente, cresce o número de ações trabalhistas, impulsionado pela redução de custos para o reclamante e por um ambiente de insegurança jurídica. Impacto direto: aumento do passivo trabalhista potencial e maior cautela na definição dos modelos de contratação. Jornada de trabalho e debate sobre o fim da escala 6×1A proposta de revisão da escala 6×1 avançou no debate político e social e pode ganhar força em ano eleitoral. Caso aprovada, afetará diretamente operações contínuas e setores como terceirização, limpeza, portaria, atendimento e logística. Impacto direto: reorganização de turnos, custos operacionais e renegociação coletiva. NR-1 e saúde mentalA atualização da NR-1, que passou a incorporar a saúde mental como risco ocupacional, representa uma mudança profunda na gestão de pessoas. As empresas precisam mapear, prevenir e acompanhar fatores psicossociais, sob risco de autuações e judicialização. Impacto direto: criação de programas de prevenção, capacitação de lideranças e integração entre RH, jurídico e segurança do trabalho. Negociação coletiva volta ao protagonismo Com temas como jornada, saúde mental, tecnologia e modelos de contratação em pauta, a negociação coletiva retoma papel estratégico. Convenções e Acordos Coletivos tornam-se instrumentos centrais para equilibrar produtividade, proteção ao trabalhador e viabilidade econômica. Impacto direto: fortalecimento do diálogo entre sindicatos e empresas como ferramenta de gestão. Trabalho temporário como solução moderna Em um cenário de escassez de mão de obra e mudanças no perfil do trabalhador, o trabalho temporário se consolida como uma das principais portas de entrada para o emprego formal, especialmente para jovens e mulheres. O modelo oferece flexibilidade, formalização rápida e oportunidades reais de efetivação, contribuindo para a inclusão produtiva e a competitividade empresarial. Impacto direto: fortalecimento do setor como política prática de geração de empregos. Benefícios, PAT e atração de talentos As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) entram em vigor, trazendo mudanças relacionadas a taxas, interoperabilidade e prazos de repasse. A modernização do programa impacta diretamente as estratégias de atração e retenção de talentos. Impacto direto: revisão de contratos, custos e políticas de benefícios. Economia internacional e tecnologia O setor de serviços também sente reflexos do cenário externo, como a redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos e as tensões geopolíticas na América Latina, que afetam cadeias produtivas e investimentos. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial e a contratação baseada em habilidades deixam de ser tendência e passam a integrar a rotina das empresas, impactando recrutamento, qualificação e produtividade. Impacto direto: transformação dos modelos de RH e valorização das competências práticas. Um ano de ajustes estratégicos O maior desafio de 2026 não será uma mudança isolada na legislação, mas a capacidade de adaptação das empresas. O setor de serviços entra em um ciclo em que compliance, negociação coletiva, inovação e diálogo institucional caminham juntos. Nesse contexto, o Sindeprestem reforça seu papel como entidade representativa, oferecendo orientação técnica, defesa institucional e construção coletiva de soluções para um ambiente de negócios cada vez mais complexo. O futuro das relações de trabalho não será imposto por uma única lei, mas construído na prática — com informação, estratégia e diálogo permanente.