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Produtividade recua com salto em horas trabalhadas

Valor Econômico –

A produtividade do trabalho recuou com força no segundo trimestre de 2021, puxada pelo aumento expressivo das horas efetivamente trabalhadas bem acima da variação do valor adicionado, num cenário de normalização da atividade econômica. A baixa também se deveu ao impacto da recuperação de setores menos produtivos da economia, como comércio e serviços, e a volta dos trabalhadores informais ao mercado – o chamado “efeito composição”.

Houve uma queda da produtividade de 13,9% em relação ao mesmo período de 2020, resultado da combinação de alta de 29,8% das horas efetivamente trabalhadas e de 11,7% do valor acionado, segundo os cálculos dos economistas Fernando Veloso, Silvia Matos, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Paulo Peruchetti para o Observatório da Produtividade Regis Bonelli do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). Para eles, a produtividade do trabalho começa a se aproximar da trajetória anterior à pandemia, marcada por um desempenho decepcionante.

A retração do indicador no segundo trimestre reverte a tendência observada desde o segundo trimestre de 2020, quando a queda de horas trabalhadas e o chamado efeito composição contribuíram para o forte aumento do indicador, que não refletiria, nesse caso, ganho de eficiência genuíno dos trabalhadores, segundo os pesquisadores.

Com a pandemia, foi afetado principalmente o desempenho de atividades menos produtivas, como serviços, comércio, alojamento e alimentação. Isso alterou, portanto, a composição dos setores em expansão. Além disso, deixaram o mercado os trabalhadores informais, que na média são menos produtivos que os formais.

Essa composição diferente do mercado também ajudou a explicar esse aumento da produtividade desde o segundo trimestre de 2020. Ele vinha em desaceleração e no segundo trimestre foi revertido. Ao mesmo tempo, o tombo de agora não refletiria uma grande perda de eficiência no trabalho, ocorrendo em grande parte devido à recuperação expressiva das horas efetivamente trabalhadas com a reabertura progressiva da economia.

A produtividade do trabalho chegou a aumentar 23,9% no segundo trimestre de 2020, quando houve queda forte das horas de trabalho no período mais agudo de isolamento social da pandemia, acompanhado pelas políticas de compensação de renda do governo, como o auxílio emergencial e o programa que suspendeu ou reduziu a jornada dos trabalhadores formais.

O ritmo de expansão foi desacelerando ao longo dos meses, passando para 15,3% no terceiro trimestre, 10,1% no quarto trimestre e 4% no primeiro trimestre de 2021. A queda do segundo trimestre deste ano interrompe, portanto, essa sequência de altas expressivas, diante do histórico recente do indicador no país.