Por que o Brasil está se tornando o próximo polo de contratações dos Estados Unidos

O texto é assinado por Martín Padulla, fundador e diretor-geral da Staffing America Latina, referência internacional nas discussões sobre staffing, terceirização e tendências do trabalho. Uma leitura essencial para lideranças empresariais, profissionais de RH e gestores interessados nas tendências globais do mundo do trabalho.

Mais de 200 milhões de habitantes. Mais de 15.000 empresas que oferecem soluções de mão de obra de alta qualidade. Um vasto mercado onde tecnologia, agronegócio, turismo, infraestrutura e energias renováveis ​​se expandem simultaneamente.

Se você busca escala, ecossistemas voltados para a exportação, um setor tecnológico em aceleração sob modelos de trabalho híbridos e remotos, e infraestrutura técnica e universitária avançada — São Paulo, Curitiba, Recife, Florianópolis, Belo Horizonte — o Brasil pode muito bem ser a chave para uma expansão exponencial.

Para empresas que buscam expansão global, o gigante sul-americano oferece oportunidades proporcionais ao seu tamanho.

O país entrará em ano eleitoral em 2026. E, como em muitas partes do mundo, o clima político estará polarizado. Mesmo assim, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mantém a previsão de crescimento do PIB em 2,4% para o país. O Brasil também possui um dos sistemas trabalhistas e regulatórios mais complexos do planeta. O que é simples nos EUA — abrir e administrar uma empresa — torna-se altamente burocrático no Brasil. Os principais obstáculos incluem a complexidade regulatória e fiscal, a rigidez das leis trabalhistas, os processos administrativos complexos, a exposição a riscos legais e as responsabilidades futuras.

Por essa razão, a maioria dos analistas chega à mesma conclusão: navegar nesse mercado exige conhecimento especializado. O ponto de entrada mais inteligente para empresas americanas não é abrir sua própria entidade, mas sim firmar parcerias com empresas locais que já dominam o labirinto regulatório. A seguir, apresentamos dois dos principais mercados do país.

São Paulo: o motor econômico do Brasil

São Paulo é o maior mercado da América do Sul — um polo de atração para empresas multinacionais, consultorias, empresas de terceirização de processos de negócios e grupos de tecnologia. Os três maiores bancos da América Latina operam a partir daqui.

Para Antonio Loureiro, cofundador e CEO da Conquest One, uma empresa de recrutamento de profissionais de TI sediada na cidade, a perspectiva é clara: “O cenário é otimista para o setor de TI, com uma demanda crescente por talentos cada vez mais qualificados. Não enfrentamos escassez de talentos.”

O setor de serviços continua sendo um poderoso motor da economia brasileira.

“Apesar dos desafios, o setor de serviços continua em expansão, impulsionado pela digitalização, pelo consumo interno e pelos investimentos em infraestrutura. Observamos crescimento no trabalho temporário e na terceirização. Em 2024, quase 2,4 milhões de pessoas estavam em contratos temporários”, afirma Vander Morales, presidente do SINDEPRESTEM, sindicato patronal brasileiro, e da FENASERHTT, representante oficial do setor de trabalho temporário no Brasil.

Embora os dados oficiais sejam limitados, as estimativas sugerem que mais de 10 milhões de trabalhadores constroem suas carreiras por meio de empresas de terceirização de serviços.

O trabalho independente também merece atenção especial. Entre 2012 e 2024, o percentual de trabalhadores autônomos registrados no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica dobrou, passando de 3,3% para 6,5% da força de trabalho, o que representa aproximadamente 7 milhões de pessoas. Somente entre 2022 e 2024, cerca de 4,8 milhões de trabalhadores formais migraram para o regime autônomo, gerando impactos significativos na previdência social e nos fundos de indenização por demissão.

Curitiba: A Nova Capital do Nearshoring

Curitiba se tornou um dos principais polos para recrutamento, terceirização de processos de negócios (BPO) e, principalmente, nearshoring de tecnologia. Empresas globais como Concentrix, Foundever e Wipro operam na cidade. E empresas americanas, como a Frontall USA, podem se beneficiar da localização privilegiada de Curitiba.

“Passei três anos tentando encontrar talentos técnicos nos EUA sem conseguir atender à demanda”, explica Dan Padilha, CEO da Frontall USA e vice-presidente da FENASERHTT. Quando transformou Curitiba no centro de recrutamento e desenvolvimento da empresa, alcançou uma redução de custos de cerca de 30%, maior qualificação técnica, alinhamento de fuso horário de 1 a 3 horas, total conformidade e excelente satisfação do cliente, afirma.

“Hoje, a terceirização de operações por meio do Brasil é a base do nosso sucesso — e exatamente o modelo que recomendo às empresas americanas”, afirma.

O Brasil está superando a Índia e as Filipinas.

Embora a Índia e as Filipinas continuem sendo destinos tradicionais de terceirização, a geografia do talento está mudando.

O Brasil oferece uma série de benefícios, incluindo custos comparáveis ​​aos das Filipinas, treinamento técnico de maior nível, alinhamento total com os fusos horários dos EUA, proximidade cultural, menor rotatividade de pessoal e comunicação mais direta.

Para funções na área de tecnologia, o Brasil é cada vez mais visto como um dos mercados de contratação remota com melhor custo-benefício do mundo.

Tudo isso demonstra que a terceirização próxima por meio de parceiros brasileiros consolidados pode ser fundamental para a expansão global. Por sua vez, o Brasil está pronto para se tornar um parceiro líder em soluções de força de trabalho para os EUA.

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