OIT prevê 14 milhões de desempregados no Brasil em 2022

Valor Econômico – 17/01/2022

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) projeta que o Brasil terá 14 milhões de desempregados em 2022, bem acima do nível de antes da pandemia em 2019. O déficit em termos de horas trabalhadas neste ano será equivalente a 2,2 milhões de empregos a pleno tempo. O emprego no país não voltará à situação de antes da pandemia pelo menos até 2023 ou 2024.

“A saúde do mercado de trabalho é preocupante, se juntarmos o desemprego e a redução da participação da força de trabalho”, declarou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ao apresentar nesta segunda-feira relatório sobre ao mercado global de trabalho.

A OIT aponta a América Latina como a região com as perspectivas mais negativas em termos econômicos e de retomada do emprego. A região foi uma das mais atingidas por contaminação e mortes de covid. O Brasil tem a segunda maior taxa de mortes pela pandemia, só atrás dos EUA.

Conforme o levantamento, no último trimestre de 2019, quando a pandemia de covid-19 começou a fazer seus estragos, o Brasil tinha 12,5 milhões de desempregados. Em 2020, a cifra pulou para 13,2 milhões. Em 2021, para 14,3 milhões.

A expectativa agora é de o número de desempregados no Brasil diminuir para 14 milhões em 2022, mas ainda bem longe da taxa de antes da pandemia. Para 2023, também continuará acima daquele período, com estimativa de 13,6 milhões de desempregados.

A fragilidade desse mercado de trabalho complica ainda para o trabalhador com a inflação, que tem a renda ainda mais reduzida.

Em 2020, em plena pandemia, o Brasil teve um deficit de horas trabalhadas equivalente a 11,8 milhões de empregos a pleno tempo (48 horas por semana). Em 2021, essa perda de horas trabalhadas foi equivalente a 4,2 milhões de empregos. Para 2022, continua a ter uma baixa, ficando em perda de horas trabalhadas equivalente a 2,2 milhões de empregos. Ou seja, a situação torna-se menos pior, mas ainda inquietante.

O diretor-geral da OIT destacou a deterioração no brasil em termos de taxa de participação da força de trabalho (LFPR), que é a proporção de pessoas qualificadas para participar da força de trabalho que realmente participam dela trabalhando ou procurando trabalho.

Antes da pandemia, a taxa era de 62,6%, caiu para 57,3% em 2020 e, para este ano, a expectativa é de ficar em 59,9%.

A covid-19 ampliou problemas estruturais também no Brasil. Conforme a OIT, as taxas de emprego temporário aumentaram de 22% do emprego total no país no segundo trimestre de 2020 para 37% no primeiro trimestre de 2021, por exemplo.

O emprego temporário pode ter uma incidência negativa sobre a produtividade no longo prazo das empresas em razão de seus efeitos na manutenção do emprego, formação e inovação.

A OIT alerta para um desmonte do emprego formal e, em consequência, mais emprego informal. As estimativas são de que o emprego informal representou mais de 70% da criação de empregos desde meados de 2020 no Brasil, Argentina, México, Peru.

A entidade diz que a reversão do emprego formal para informal aumentou com a covid-19 no Brasil e em outros países da região.

De acordo com a entidade global, a taxa de trabalho subutilizado no Brasil era de 27,9 milhões de pessoas em 2019, antes da pandemia.

Outra cifra preocupante é o número de jovens entre 15 e 24 anos que estão fora do sistema educação, não tem treinamento, nem emprego. Eles eram 27,9 milhões no Brasil nessa situação em 2020.