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OIT: Horas trabalhadas no Brasil ficarão 5,6% abaixo do pré-pandemia neste ano

Valor Econômico – 27/10/2021 –

O número de horas trabalhadas no Brasil neste ano ainda ficará 5,6% inferior aos níveis de antes da pandemia de covid-19, e equivale à perda de 4,2 milhões de empregos em período pleno. Fica acima da média mundial, numa ilustração de que o impacto da crise sanitária sobre o mercado de trabalho é mais forte do que previsto.

A projeção é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que calculou que, em 2020, o número de horas trabalhadas na maior economia da América Latina chegou a diminuir 15,7%, representando perda de 11,8 milhões de empregos. Desde então, a recuperação foi menor do que a entidade esperava.

Globalmente, a OIT previa uma melhora globalmente neste ano, mas a fraca vacinação em boa parte do mundo e os problemas nas cadeias de produção resultam num mercado de trabalho estagnado, com perspectivas incertas para 2022 também.

País que vacinou mais rapidamente está em melhor ritmo de retomada econômica. Segundo as estimativas, para 14 pessoas inteiramente vacinadas no segundo trimestre deste ano, equivale a um emprego a pleno tempo que cresce no mercado de trabalho no mundo, e isso ajudou na recuperação global.

A projeção da agência da ONU agora é que o número global de horas trabalhadas em 2021 ficará 4,3% inferior aos níveis de antes do quarto trimestre de 2019, antes da pandemia. Isso equivale à perda de 125 milhões de empregos a pleno tempo no mundo.

Essas cifras constituem uma revisão significativa em relação a projeção de 3,5%, ou perda de 100 milhões de empregos globalmente.

Agora, a estimativa para a América do Sul é de que as horas trabalhadas durante 2021 serão 6,3% a menos do que antes da pandemia, equivalente a 10 milhões de perda de empregos na região já duramente afetada.

O impacto da pandemia sobre pequenas e médias empresas é ainda maior. No Brasil, uma fatia de trabalhadores fracamente remunerados perdeu seu emprego, dnuma contração de 3,6% dessa faixa em 2020, segundo a agência da ONU, dando uma indicação do drama social.

As perdas de horas de trabalho nas economias desenvolvidas são bem menores, ficando em média em baixa de 2,5% comparado a antes da pandemia.

Para a OIT, essa diferença com países em desenvolvimento é amplamente alimentada pelo ritmo de vacinação contra covid-19 e medidas de estímulo fiscal.

Segundo as estimativas, para 14 pessoas inteiramente vacinadas no segundo trimestre deste ano, resulta no equivalente a um emprego a pleno tempo que cresce no mercado de trabalho no mundo, e isso ajudou na recuperação global.

O uso muito desigual da vacinação significa que o efeito favorável foi mais fortes nos países desenvolvidos, negligenciável nos países de renda intermediária e próximo de zero nas nações pobres.

A produtividade (produção por hora trabalhada) aumentou em 2020 mais do dobro comparado à média de longo prazo. Em 2021, o crescimento da produtividade diminuiu de maneira significativa, com a fragilidade nos países em desenvolvimento. Com isso, o “gap” de produtividade entre as economias desenvolvidas e em desenvolvimento aumentou ainda mais.

A desigualdade social também continua a crescer, alertou Ryder.