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VALOR ECONÔMICO

O chefe mundial de operações do grupo Volkswagen, Ralf Brandstätter, imagina que o consumidor do futuro vai querer que seu carro faça atualizações digitais assim como acontece hoje com os smartphones. Isso exige um reforço na área de tecnologia. A companhia já conta, no mundo, com 5 mil engenheiros de tecnologia da informação. Mas pretende, segundo Brandstätter, chegar a 10 mil rapidamente. A decisão segue a linha da mensagem que o presidente mundial do grupo, Herbert Diess, transmitiu numa reunião com os principais executivos da companhia, em janeiro. Na ocasião, Diess afirmou que se a indústria automobilística não abandonar conceitos antigos para transformar-se rapidamente numa indústria de tecnologia corre o risco de perder investidores. Segundo Brandstätter, essa transformação exige duas bases fortes: a eletrificação dos carros e a digitalização em um produto que antes só servia para transporte.

O processo de eletrificação já está em curso. O grupo Volks planeja investir € 11 bilhões para o lançamento de 22 modelos híbridos ou totalmente elétricos em todo o mundo. Seis deles serão vendidos também na América do Sul. Esses lançamentos vão acontecer durante os próximos cinco anos. O primeiro, um Golf híbrido plugin (que permite também recarga em tomada), já começou a ser vendido no Brasil a preços a partir de R$ 200 mil. Já para o desenvolvimento dos novos softwares a Volks criou uma área específica que atenderá todo o grupo. “Temos um mundo digital à nossa frente. Por isso precisamos estar preparados, aprender a colocar mais softwares nos carros e contar não só com engenheiros automotivos como também engenheiros de TI” , destaca o executivo alemão. O grupo também tem buscado parcerias com empresas de tecnologia. Já tem, por exemplo, um acordo com a Microsoft. Brandstätter veio ao Brasil para um único dia de visita, ontem. Seu tempo é apertado. Precisa cuidar de todas as operações da Volks, o maior fabricante de veículos do planeta. Uma de suas maiores preocupações, hoje, é a paralisação das fábricas chinesas que ficam na região infectada pelo coronavírus.

Com o suprimento de peças interrompido, um terço das 33 fábricas da Volks na China estão com a produção parada. Embora alguns fornecedores comecem a retomar o trabalho, Brandstätter diz que o grupo ainda monitora efeitos da epidemia na produção de veículos na Europa e América Latina. “Os navios costumam levar entre quatro e seis semanas para chegar nessas regiões” , afirma. Para ele, o tamanho do impacto desse problema no mercado mundial de veículos, neste ano, dependerá do tempo de duração da epidemia. No Brasil, a Volks começou o ano bem. Segundo o presidente da empresa na América Latina, Pablo Di Si, as vendas acumuladas da marca no mercado brasileiro do início do ano até ontem somaram crescimento de 17% enquanto a expansão do mercado foi de 5%. A situação, para a Volks, poderia estar melhor não fosse a recente desvalorização do real. Isso eleva custos de produção. A montadora tenta compensar com vendas para mercados como Peru, Colômbia e Paraguai. Assim, consegue reduzir a perda provocada pela queda de demanda na Argentina. O esforço tem dado resultados.

Em 2019, os volumes de exportação de toda a indústria automobilística caíram mais de 30%, enquanto os da Volks recuaram 4%. As atenções de Brandstätter e de Di Si voltam-se, agora, para os próximos lançamentos, que encerrarão o ciclo da drástica renovação de produtos da marca no Brasil e América Latina. Neste semestre será lançado o Nivus, um utilitário esportivo já em fase de produção na fábrica de São Bernardo. No fim do ano, será a vez da fábrica de Pacheco, na Argentina, onde já começou a chamada produção em pré-série de um utilitário médio, cujo nome ainda não foi revelado. Brandstätter costuma vir ao país com frequência. Desta vez não sobrou tempo para visitas às fábricas, como gosta de fazer. A agenda ficou concentrada nas reuniões de planejamento que incluíram a discussão do próximo programa de investimentos para o Brasil.

O último, de R$ 7 bilhões, voltado, sobretudo ao lançamento de 20 modelos, terminará este ano. É bem provável que mais um programa de investimentos ambicioso seja anunciado se depender do entusiasmo de Brandstätter com os resultados da companhia na região. “Imaginávamos alcançar o equilíbrio financeiro na América Latina em 2019. Mas a crise na Argentina nos fez postergar essa meta para 2020” , destaca o executivo. “Mas nós sabemos que essa é uma região com economia volátil” , completa. Di Si passou o dia, ontem, contando ao chefe mundial sobre crescimento de vendas e a perspectiva de recuperar rentabilidade na região. Tudo indica que a conversa seguiria noite adentro. Quando Brandstätter despediu-se de jornalistas, no fim da tarde, dizendo que voltaria para a Alemanha ontem mesmo, Di Si emendou: “depois do jantar”.

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