O Sindeprestem tem um Compromisso com a Sua Empresa.

Últimas Notícias

shadow

O ESTADO DE S. PAULO

E quando falo em educação, não me refiro apenas à educação fundamental – que é a base para o desenvolvimento do indivíduo por toda sua vida – mas também do ensino superior, da recapacitação de profissionais formados e do desenvolvimento de novas habilidades, algo tão necessário para o cenário digital no qual vivemos.

Estudos também mostram que o desempenho da economia é determinado pela oferta de educação de qualidade em todos os níveis e que indivíduos com níveis elevados de qualificação tendem a conseguir trabalhos com melhores salários. Considerando o estudo Education at a Glance de 2019, a média de qualificação entre adultos – nos países participantes da OCDE – que possuem mestrado ou doutorado é 14%, enquanto no Brasil é somente 2%.

O mesmo estudo mostra que 21% dos brasileiros concluem o ensino superior, enquanto a média dos outros países da OCDE é 44%, e países como o Canadá, Coreia e Rússia estão acima de 60%. Sendo assim, a educação precisa estar à mão de todos, sendo urgente falarmos sobre sua democratização e maior valorização.

Mobilidade social e redução de desigualdades

Um levantamento feito pelo Instituto Semesp, que reúne empresas mantenedoras do ensino superior, traz um dado alarmante: apenas 10,5% dos jovens brasileiros de classe E, entre 18 e 24 anos, têm acesso ao ensino superior; se considerarmos alunos de classe A da mesma faixa etária, essa porcentagem sobe para 61,9%. Por isso o acesso à educação fundamental pública e de qualidade é tão importante: ele quem irá ditar o potencial que uma sociedade tem para conseguir aumentar sua mobilidade social, diminuir desigualdades e ter uma economia mais equilibrada. 

Tão fundamental quanto formar nossas crianças, também precisamos pensar em como qualificar nossos jovens de diversas origens, profissionais e educadores para que possam desenvolver e levar para o mercado habilidades consideradas fundamentais para a nova era da transformação digital. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que frequentam as escolas serão formadas para exercer uma função que não mais existirá.

Outro estudo, conduzido pelo IBV, aponta que nos próximos três anos 120 milhões de trabalhadores das 10 maiores economias do mundo precisarão de recapacitação profissional como resultado do impacto da utilização de tecnologias como inteligência artificial e automação inteligente no mercado de trabalho. Apenas no Brasil, 7,2 milhões de profissionais terão que ser requalificados para o desenvolvimento de novas habilidades.

Preparar as novas gerações para usarem as novas tecnologias é importante, mas não será suficiente para o desenvolvimento nacional. Necessitamos formar indivíduos com visão científica e crítica para desenvolverem tecnologia. Para isso, é preciso realizar um trabalho junto às instituições de ensino, incorporando o desenvolvimento de conteúdos que abordem as bases para o conhecimento e o uso de novas tecnologias, como inteligência artificial, computação em nuvem e segurança cibernética, ao currículo acadêmico.

Isso permitirá o desenvolvimento da próxima geração de profissionais e, assim, estaremos mais perto de reduzir a lacuna de habilidades existente em nosso País. É preciso, também, que todas as frentes da sociedade se engajem em políticas e iniciativas educacionais. Falo de governos, ONGs, empresas, escolas, professores, enfim, todo o ecossistema da educação. Cada um possui um papel e uma missão importantes nesse cenário. 

Pontuo os principais pilares para atingirmos essa meta:

garantir o acesso de tecnologias a professores e alunos, orientando os educadores para que possam levar esse conteúdo para dentro da sala de aula

levar conteúdo de tecnologia para áreas que não são técnicas

habilitar programas de embaixadores, composto por profissionais bem posicionados em suas áreas de atuação e que oferecem mentoria a alunos e professores das universidades

atuar junto a centros de pesquisa para apoiar o desenvolvimento da ciência

Muitos programas já têm sido conduzidos nessa linha, em parcerias entre empresas e instituições de ensino, incorporando tecnologias no currículo educativo e estão ajudando a desenvolver a próxima geração de profissionais.

É nossa missão, como parceiros de empresas e da sociedade, fomentar uma educação de qualidade e acessível a todos, bem como possibilitar a requalificação dos profissionais para atender às demandas atuais e futuras de nossa sociedade. 

Outras Notícias