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VALOR ECONÔMICO

Com os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia, o mercado de trabalho registrou em maio fechamento líquido de 331,9 mil vagas com carteira assinada. O resultado é o pior da série histórica, iniciada em 1992, para o mês. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, o saldo de contratações está negativo em 1,1 milhão. Apesar de expressivo, o resultado de maio representa uma melhora em relação aos números de abril, quando 902,8 mil postos foram encerrados, e ficou acima da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, que apontava encerramento líquido de 891,2 vagas em maio. 

Para o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, o saldo do mês passado foi “muito bom” tendo em vista a comparação com abril e indica uma “clara reação” do mercado de trabalho e da economia. “O Brasil tem evitado demissões e preservado postos de trabalho”, disse em apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mês passado, foram registradas 703,9 mil admissões, queda de 48% em relação a maio de 2019, mas alta de 14% em relação a abril. Por outro lado, houve 1 milhão de desligamentos, redução de 21% em relação a maio do ano passado e de 32% sobre abril.

Bianco afirmou que nenhum emprego perdido pode ser comemorado, mas que o cenário demonstra uma passagem pela pandemia “muito bem conduzida e com muitas esperanças para a retomada”. Para ele, os dados refletem as medidas que foram tomadas pelo governo para fazer frente à crise, como a implementação do programa que permite a redução de jornada e salário e a suspensão de contrato. Em janeiro e fevereiro, o Caged registrou resultados positivos de 115,2 mil e 227,4 mil, respectivamente. Em março, quando os efeitos da pandemia começaram a ficar mais claros sobre a economia, foram fechadas 252,7 mil vagas. No trimestre de março a maio, 1,5 milhão de empregos foram perdidos no país.

Para o economista, Daniel Duque, pesquisador do FGV/Ibre, os dados mostram que, diferentemente do que muitos esperavam, o mercado formal se ressentiu mais do choque da pandemia logo na primeira fase da crise. “O que se pensava é que o emprego informal seria mais sensível, enquanto que os formais, dado que também é mais caro demitir ou admitir, demorariam mais a ser afetados”, afirmou. Na visão da economista Lisandra Barbero, da XP Investimentos, as medidas editadas pelo governo para amenizar os impactos da pandemia no mercado de trabalho formal ajudaram a segurar as demissões em maio. Segundo ela, já havia expectativa quanto a uma melhora gradual pelo lado das admissões, “mas o que não se calculava era que as medidas do governo conseguissem abrandar tanto as demissões”. 

Economista da Tendências Consultoria, Thiago Xavier pondera que o resultado não descaracteriza como “severo” o choque da pandemia nos empregos do país e recomenda “muita cautela” com comemorações. “A gente ainda coloca em caráter de avaliação”, afirmou. No mês passado, houve fechamento de vagas em quatro dos cinco setores da economia. Ficaram no negativo: serviços (-143,5 mil), indústria (-96,9 mil) comércio (-88,7 mil) e construção (-18,8 mil). Bianco destacou, no entanto, que comércio e serviços reagiram de maneira “muito significativa” no mês passado, com quedas menos expressivas que as verificadas no mês anterior. Na agricultura, o saldo ficou positivo em 15,9 mil.

O fechamento de vagas foi generalizado entre as regiões, com resultados negativos em todas elas. Das 27 unidades da Federação, apenas o Estado do Acre teve mais contratações do que demissões no mês. Questionado sobre as expectativas para o mercado de trabalho formal nos próximos meses, Bianco evitou fazer estimativas, mas disse que maio foi um mês “positivo” e que o próximo também deve ser. “Pessoalmente, prefiro aguardar um pouco mais para que possamos fazer projeções mais de longo prazo”, acrescentou o secretário. 

Pelos cálculos da XP Investimentos, “seriam menos de 100 mil vagas destruídas no mês de junho”. A partir de julho, afirma Lisandra, o número de admissões já pode começar a ultrapassar o de demissões. “Claro que de forma ainda tímida, mas como reflexo positivo dessas medidas [de enfrentamento]”, avalia.

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