Mercado de trabalho está sob ‘sinal de alerta’, aponta indicador da FGV

Valor Econômico – 12/11/2021 –

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), anunciado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu apenas 0,1 ponto em outubro ante setembro, para 87,1 pontos. O resultado acende “sinal de alerta” para o mercado de trabalho, nas palavras do economista da FGV e responsável pelo indicador, Rodolpho Tobler.

Ele pontuou que, apesar de melhora nos indicadores da pandemia no país, isso não impulsionou intenção de contratações. Um cenário de economia fragilizada tem elevado cautela, e inibido intenção de abertura de novas vagas, notou o especialista. Segundo ele, o empresariado não se sente confortável em contratar mais, com ambiente atual e perspectiva para os próximos meses de inflação em alta, renda fraca, consumo em baixa e possibilidade de piora de quadro macroeconômico de 2022.

O especialista comentou que, há alguns meses, havia o sentimento de que, quando a pandemia começasse a apresentar sinais de melhora, a atividade poderia reagir de forma mais robusta. Isso porque, com quadro sanitário mais favorável, seria possível flexibilização de restrições de circulação social. Essa flexibilização geraria impacto favorável na demanda interna e, por consequência, em atividades muito prejudicadas com a pandemia, como a economia de serviços por exemplo, notou ele, que representa mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas, agora, com melhora nos números no quadro sanitário relacionado à covid-19, com quedas nos números de mortes e de casos da doença, não há sinais de recuperação mais forte na economia – pelo contrário. “Temos mostrado cenário macroeconômico cada vez mais frágil, com mais sinais de desaceleração na atividade econômica”, alertou.

“A inflação não está cedendo e temos incerteza em questões fiscais”, disse. No entendimento do técnico, um ambiente cheio de dúvidas normalmente faz o empresário colocar o “pé no freio” nas contratações, que é uma decisão de longo prazo.

Outro aspecto mencionado por ele é o fato de que a demanda interna não dá indícios de uma recuperação robusta; e ainda é prejudicada por inflação elevada. “As pessoas até tem conseguido entrar no mercado de trabalho. Mas com renda cada vez mais baixa e inflação cada vez mais alta”, disse, notando que a atividade “não parece” que deve mostrar recuperação forte, nos próximos meses.

Esses fatores afetam decisão de contratação e, por consequência, a evolução do IAEmp, observou o especialista. Ele comentou que o indicador provavelmente não deve  voltar a nível pré-pandemia (92 pontos em fevereiro de 2020) até o fim do ano. “Acho difícil. A não ser que [a atividade de] serviços  surpreenda muito positivamente [até o fim do ano]”, disse.

A FGV informou ainda que, em outubro, dos sete componentes do IAEmp, quatro contribuíram de forma positiva e três contribuíram negativamente para o resultado. Em setembro, apenas a indústria contribuiu negativamente, com destaque para o indicador que mede as expectativas para os próximos seis meses.

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