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Medidas devem manter mercado de trabalho aquecido no curto prazo, diz LCA

De olho no pacote de medidas que o governo anunciou nos últimos meses, a LCA revisou recentemente a projeção de PIB para 2022

Por Marcelo Osakabe, Valor — São Paulo

A bateria de transferências do governo à população e as medidas para baixar a inflação deve postergar a desaceleração da economia e, consequentemente, do mercado de trabalho, de maneira artificial pelo menos até o quarto trimestre, avalia o economista da LCA Consultores, Bruno Imaizumi. Com isso, as surpresas positivas dos indicadores do setor devem continuar no terceiro trimestre.

De acordo com Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), houve abertura líquida de 277.944 vagas formais no mês passado, resultado superior à mediana das coletas do Valor Data, de 235 mil postos de trabalho criados. As projeções, todas positivas, tinham piso em 130 mil e teto em 289.864.

“Comparando os dados de junho com maio, os grandes setores seguem com dinâmica parecida, a gente vê uma atividade econômica um pouco mais impulsionada por esses estímulos fiscais, que acabam estimulando o consumo”, diz Imaizumi.

“Então, a desaceleração ficou mais para o fim do ano, talvez o começo do ano que vem. Logo depois das eleições, alguns estímulos chegam ao fim, outros acabam no fim do ano, deve bater no trabalho.”

De olho no pacote de medidas que o governo anunciou nos últimos meses, a LCA revisou recentemente a projeção de PIB para 2022 de alta de 1,6% para 2,1%. Já a projeção para a criação de vagas no setor formal este ano passou de 1,5 milhão para 1,9 milhão.

Dito isso, Imaizumi nota ainda que os efeitos da reabertura não se esgotaram. Ele chama atenção para um subsetor, o de atividades administrativas e serviços complementares, que abriu, sozinho, 41,6 mil vagas em junho.

“Esse grupo tem muito a ver com serviços prestados à empresas de escritórios, apoio administrativo, agência de viagens, serviços para edifícios. Então ainda retrata a volta, por parte das empresas, a um esquema presencial ou híbrido de trabalho”, diz.

No momento, apenas um segmento ainda não voltou ao patamar pré-crise, o de alojamento e alimentação, segue 0,3% abaixo do registrado em dezembro de 2019, acrescenta.

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/07/28/medidas-devem-manter-mercado-de-trabalho-aquecido-no-curto-prazo-diz-lca.ghtml