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Inflação e juros altos explicam perda de fôlego no crescimento do comércio, diz IBGE

Valor Econômico

Ao mesmo tempo, indica gerente do instituto, a desvalorização recente do dólar, a maior circulação de pessoas, a melhora das condições sanitárias e transferências de renda têm ajudado a manter as vendas no terreno positivo

Por Lucianne Carneiro

A inflação elevada e os juros altos, que afetam o custo do crédito, explicam a desaceleração do ritmo de crescimento do comércio desde o início do ano, segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), Cristiano Santos. Ao mesmo tempo, a desvalorização recente do dólar, a maior circulação de pessoas, a melhora das condições sanitárias e transferências de renda têm ajudado a manter as vendas no terreno positivo, explica.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira que as vendas do varejo brasileiro subiram 0,9% entre março e abril. É a quarta alta seguida na série com ajuste sazonal, após taxas de 2,4% em janeiro e de 1,4% nos meses de fevereiro e março.

“Essa perda de fôlego demonstra um cenário com muitos elementos que causam impacto negativo. Alguns elementos como a inflação, que faz com que algumas atividades tenham até recuo quando se passa o resultado de receita para volume. E outro elemento são as taxas de juros crescentes, que também têm um certo grau de efeito do crédito, principalmente para a pessoa física”, aponta Santos.

Esses impactos negativos coexistem, no entanto, com alguns fatores que têm feito o comércio vender mais, apesar da desaceleração do ritmo, pondera Santos.

Ele cita, por exemplo, a queda recente do dólar frente ao real, que favorece o custo de alguns produtos, a melhora das condições sanitárias, que tem permitido uma maior circulação de pessoas, e também reconhece o impacto de políticas de transferências de renda, como o saque do FGTS e a antecipação do pagamento do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas.

Além disso, menciona o retorno de oferta de alguns produtos que vinham tendo dificuldades por causa de restrições na cadeia produtiva.

“Tem elementos de transferência de renda, sim, também como um dos fatores que podem influenciar nessa capacidade do consumo. E outros fenômenos a ver com a cadeia produtiva. Na pandemia, houve quebra das cadeias, que diminuiu a oferta de alguns produtos, e agora está havendo um retorno. Alguns produtos específicos estão voltando, especialmente em faixas de rendimentos superiores, que estavam reprimidas”, afirma.

Na avaliação do representante do IBGE, os dois aspectos ajudam a explicar hoje o comércio: tanto um limitador de vendas com inflação e juros quanto incentivos oriundos da maior circulação de pessoas, da queda do dólar e do retorno de alguns produtos ao mercado.

“São análises que se complementam. Temos um crescimento concentrado, desigual, mas na média do comércio é crescimento. Ainda abril que seja o mais baixo dos quatro meses, essa sequência [de quatro altas seguidas] só se reproduz em 2020”, diz.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/06/10/inflao-e-juros-altos-explicam-perda-de-flego-no-crescimento-do-comrcio-diz-ibge.ghtml