Guedes quer zerar IR para empresas se instalarem na Amazônia

O ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu nesta quinta-feira (27) que a Amazônia se torne um polo de empresas sustentáveis, especialmente da área de tecnologia. “O futuro é verde digital”, declarou em evento com empresários do setor industrial.

O ministro apresentou a ideia de conceder isenção de Imposto de Renda por 20 anos a empresas que se instalarem no local e citou como exemplo Tesla, Amazon e Natura. Para ele, o Brasil precisa ampliar a atuação no mercado de carbono. “Uma árvore vale mais viva do que morta”.

Ele também defendeu que a reforma tributária a ser debatida com o Congresso preveja deduções para empresas que comprarem máquinas e equipamentos.

“Já que é para dar isenção, vamos dar isenção desse tipo”, disse Guedes, no evento Diálogo com a Indústria. Ele, no entanto, não deu detalhes de qual deve ser a proposta para incentivar a aquisição de máquinas e equipamentos para promover o investimento no país.

No encontro, o ministro disse estar otimista com o avanço da reforma tributária no Congresso e previu que a proposta, que ainda não foi completamente apresentada aos parlamentares, será aprovada até o fim do ano.

Em acordo com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a equipe econômica pretende fatiar a reforma tributária, dividindo os temas entre as duas Casas.

Os projetos que tratam de impostos sobre a renda e o consumo devem começar pela Câmara, por exemplo, enquanto que o chamado passaporte tributário (renegociação de dívidas tributárias) seria debatido primeiro pelo Senado.

Segundo o ministro, a ideia é que cada Casa analise as propostas fatiadas entre 30 dias e 60 dias. Os textos, porém, ainda não têm previsão para serem enviados ao Congresso.

Em aceno aos empresários, o ministro afirmou que a participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) deveria ser entre 20% e 25%, e não cerca de 10%, como atualmente.

Guedes declarou que gostaria de zerar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), mas que não pode fazer isso por causa da responsabilidade fiscal.

Durante o debate, os representantes da indústria questionaram o ministro sobre o ritmo de abertura comercial. Em resposta, ele disse que fará isso para preservar o parque industrial do país. “Não vamos derrubar a indústria brasileira em nome da abertura comercial”.

FOLHA DE S. PAULO