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Emprego nos países ricos só deve se recuperar no fim de 2023, diz OCDE

As economias avançadas têm cerca de 22 milhões de pessoas empregadas a menos do que antes da pandemia de covid-19, segundo a pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê que os mercados de trabalho não se recuperarão até o fim de 2022. Os países ricos podem estar diante de um aumento sustentado do desemprego de longo prazo, alertou o relatório anual Perspectivas de Emprego, divulgado ontem pela OCDE. Isso ocorre porque os trabalhadores pouco qualificados, que tinham maior probabilidade de perder o emprego no início da pandemia, estão mal equipados para ingressar nos setores onde as contratações estão mais fortes.

Além disso, segundo o relatório, as empresas tendem a recontratar funcionários que ainda são beneficiados por de esquemas de auxílio de curto prazo antes de abrirem novos empregos em grande escala, o que cria o risco de surgimento de um fosso entre aqueles que continuaram a trabalhar e aqueles que perderam empregos e renda. Dos 22 milhões que continuam sem trabalho nos países da OCDE, 8 milhões estão desempregados e 14 milhões são classificados como economicamente inativos. “Uma disparidade crescente pode se desenvolver entre aqueles que enfrentaram a crise com redução da jornada e curtos períodos de dispensa temporária e aqueles que se viram sem um emprego – cada vez mais distantes da força de trabalho, com seus direitos a benefícios a se esgotar e sob o risco de sofrerem cicatrizes de longo prazo”, avaliou a OCDE. No fim de 2020, o número de pessoas desempregados há mais de seis meses era 60% superior ao dos níveis anteriores à pandemia nos países-membros da OCDE.

“No início da crise, os trabalhadores pouco qualificados tinham maior probabilidade de perder seus empregos. Os trabalhadores altamente qualificados tinham mais chances de ter a jornada reduzida”, disse Stefano Scarpetta, diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE. Segundo a organização, muitos dos postos de trabalhos mais afetados pela pandemia já corriam o risco de serem substituídos pela automação antes da crise e agora podem desaparecer. O relatório constatou grandes quedas nas ofertas de empregos para secretárias na Austrália, para digitadores de dados no Canadá, e para agentes de viagens, digitadores e datilógrafos nos EUA. O documento apontou ainda uma demanda crescente por profissionais das áreas de serviços de saúde e energia verde nas economias ricas.

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