PodPrestem recebe Jorge Segeti (VP do Sescon) para falar sobre redução da jornada

Já está disponível o primeiro episódio da nova temporada do PodPrestem, o podcast do Sindeprestem! Tema: Reduzir a jornada é simples assim? Neste episódio, o Dr. Eduardo Pastore, consultor jurídico do Sindeprestem, recebe Jorge Segeti, vice-presidente do Sescon e diretor técnico da Cebrasse, para uma conversa essencial sobre os impactos, desafios jurídicos e reflexos práticos da possível redução da jornada de trabalho no Brasil. O debate traz esclarecimentos técnicos, análises estratégicas e reflexões importantes para empresários e profissionais do setor de serviços e terceirização. Assista agora no Youtube! Não deixe de assistir e compartilhar com sua equipe! Fique por dentro dos principais temas que impactam o nosso setor. 

Em entrevista à Cebrasse, Vander Morales defende PEC do Emprego para reduzir informalidade e corrigir distorções no mercado de trabalho

Em entrevista para Central Brasileira do Setor de Serviços (CEBRASSE), o presidente do Sindeprestem, Vander Morales, comentou os impactos da chamada PEC do Emprego (PEC nº 1/2026), proposta de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE). A medida prevê a substituição da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamentos por uma alíquota de 1,4% sobre o faturamento das empresas, com o objetivo de reduzir encargos e estimular a geração de empregos formais. Morales também abordou a concorrência de novas formas de trabalho e a discussão sobre a redução da jornada semanal. O que é a PEC do Emprego e qual o objetivo da proposta? A PEC nº 1/2026 busca reduzir o custo da contratação formal no Brasil. Hoje, o modelo baseado na tributação sobre a folha de pagamentos encarece muito o emprego. Além dos salários, os encargos praticamente dobram o custo de um funcionário. Por que o custo da contratação é considerado um problema no Brasil? O custo do trabalho no país é muito alto. Isso pressiona os salários e dificulta a formalização. Muitas vezes, empresas e trabalhadores acabam migrando para outras formas de trabalho, justamente porque o vínculo formal se torna mais caro. As novas formas de trabalho também influenciam esse cenário? Sim. Hoje existem alternativas, como os trabalhos por aplicativos e plataformas digitais, que atraem principalmente os mais jovens. Muitas vezes esses modelos oferecem ganhos maiores no curto prazo, mesmo sem os direitos previstos na CLT e na Constituição. Isso aumenta a competição com o emprego formal. A PEC também pode corrigir distorções geradas por políticas anteriores? Pode. A desoneração da folha aplicada a apenas 17 setores da economia não contemplou todas as atividades intensivas em mão de obra. Isso gerou um desequilíbrio no mercado e acabou empurrando muitos trabalhadores para a informalidade. A PEC amplia o alcance dessa desoneração de forma mais equilibrada. A proposta altera direitos dos trabalhadores? Não. Direitos como FGTS, férias, abono de férias e 13º salário continuam garantidos. A ideia é reduzir o custo da contratação sem retirar direitos, ao mesmo tempo em que se preserva o financiamento da Previdência, que pode ser afetado pela informalidade. Qual a principal vantagem estrutural da PEC do Emprego? Ela traz mais previsibilidade para as empresas. Não é uma medida temporária ou parcial, mas uma proposta estrutural que pode ajudar a enfrentar o problema do custo do trabalho no Brasil. Como o senhor avalia o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada? Esse é um debate importante, mas diferente da PEC do Emprego. A redução da jornada está sendo discutida no Congresso por meio da PEC nº 148/2015, que propõe diminuir a jornada semanal de 44 para 36 horas. São temas distintos e devem ser tratados separadamente. A jornada já está prevista na Constituição e as especificidades de cada setor devem ser definidas por meio da negociação coletiva.

Capital das oportunidades: São Paulo bate recorde histórico de contratações e lidera a geração de empregos no Brasil em 2025

Cidade registra 2,9 milhões de admissões no ano — o maior volume da série do Novo Caged — e cria mais de 101 mil vagas formais, superando 25 estados e o DF. A cidade de São Paulo registrou em 2025 o maior número de admissões de sua história. De acordo com o Novo Caged, ao longo do ano, foram 2,9 milhões de contratações com carteira assinada, volume 3,7% superior ao de 2024. Além do recorde de admissões, a capital liderou a geração de empregos formais entre todos os municípios do país, com saldo positivo de 101.818 vagas — resultado da diferença entre admissões e desligamentos. O desempenho foi superior ao de 25 estados e do Distrito Federal, ficando atrás apenas do estado de São Paulo, que criou 311.228 postos de trabalho no período. Os dados consolidados do Novo Caged, que reúnem o saldo de empregos de janeiro a dezembro, foram divulgados no fim de janeiro deste ano. A partir desse levantamento, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho detalha o desempenho da capital. O saldo alcançado por São Paulo corresponde a 32% de todas as vagas criadas no estado e a 8% do total de empregos gerados no país em 2025, reforçando o papel da cidade como principal motor do mercado de trabalho nacional. Na prática, os números indicam que a cidade criou, em média, 8.485 empregos por mês, ou 279 novas vagas por dia. O mês de fevereiro foi o destaque do ano, com a criação de mais de 36 mil postos de trabalho, o maior saldo mensal de 2025.  Ambiente econômico forte e políticas públicas impulsionam o empregoOs resultados refletem um ambiente econômico dinâmico, sustentado por ações da Prefeitura de São Paulo voltadas à atração de investimentos, estímulo à atividade produtiva, apoio ao empreendedorismo e ampliação das políticas de emprego, renda e qualificação profissional. A estratégia tem fortalecido a competitividade da capital e ampliado as oportunidades para trabalhadores e empresas.  Mesmo com o aumento sazonal dos desligamentos no fim do ano — comportamento esperado da economia —, São Paulo apresentou uma das menores variações percentuais entre novembro e dezembro da série analisada, sinalizando maior estabilidade do mercado de trabalho formal.  Economia Criativa, Infraestrutura e Serviços lideram a criação de novos postos de trabalhoQuando analisado as atividades econômicas (o menor nível de detalhamento possível), a subclasse de “Serviços de engenharia” liderou a criação de vagas em números absolutos, com 5.778 novos postos, seguida pelas atividades de “Serviços Combinados de Apoio a Edifícios” e “Locação de mão de obra temporária”.  Já na análise do estoque de empregos por setores, o de Economia Criativa foi o que apresentou o maior crescimento bruto de postos de trabalho ao longo do ano, criando quase 21.747 mil novos vínculos formais, o que representa um crescimento de 3,66%. Já em termos percentuais, o setor de Economia Verde e Sustentabilidade foi o que apresentou maior percentual de crescimento no período, com 3,69%.  Também se destacaram os setores de Comércio e Varejo, Infraestrutura e Serviços Financeiros e Profissionais, que juntos somaram mais de 52 mil novos postos de trabalho. Além destes, setores como Turismo e Gastronomia e Saúde, também mostraram crescimento, evidenciando a diversidade e a força da economia paulistana.   Cate e qualificação fortalecem o mercado de trabalhoPara sustentar esse desempenho, a Prefeitura de São Paulo mantém uma ampla rede de políticas públicas voltadas ao emprego e à renda. O Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate) oferece, gratuitamente, serviços de intermediação de mão de obra, divulgação de vagas e apoio a processos seletivos para empresas de todos os portes, com unidades fixas e móveis espalhadas pela cidade. No ano passado os trabalhadores contaram com mais de 65 mil vagas de emprego ofertadas pela rede de 46 postos.  A administração municipal também investe fortemente em qualificação profissional, com mais de 300 cursos gratuitos disponíveis no Portal Cate, inclusive na modalidade a distância. Programas como o Operação Trabalho (POT) ampliam a inclusão produtiva e a capacitação de trabalhadores, fortalecendo o compromisso da gestão municipal com o desenvolvimento econômico e social da capital. Empreendedorismo avança e amplia oportunidadesO dinamismo do mercado de trabalho também se reflete no crescimento do empreendedorismo. Em 2025, a cidade de São Paulo alcançou 1,33 milhão de microempreendedores individuais (MEI), segundo dados da Receita Federal, com a criação de cerca de 26 mil novos registros no ano — média de 71 novos MEIs por dia.  As atividades com maior número de registros são cabeleireiros, serviços administrativos e comércio de vestuário e acessórios, reforçando o papel do empreendedorismo como complemento à geração de emprego formal e como vetor de desenvolvimento econômico.  A cidade conta com ampla rede de apoio para quem deseja iniciar um negócio. São 23 TEIAs, rede que presta serviço gratuito, com profissionais especializados e infraestrutura para reuniões, encontros e capacitação.  Matéria: Prefeitura de SP

Artigo: Menos imposição, mais diálogo

Embora a jornada legal seja de 44 horas semanais, a média praticada, fruto de negociações, é próxima de 39 horas. Ivo Dall’Acqua Júnior O alcance da discussão atual sobre alterações na escala 6×1 é um sinal positivo. Primeiro, porque melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras é louvável e legítimo. Todos queremos conviver em uma conjuntura de empregos estáveis, geração de renda e condições de trabalho dignas.  Segundo, porque esse debate permite à sociedade olhar com profundidade para a realidade econômica do País e constatar como ela vem sendo marcada, entre outras coisas, por uma produtividade estagnada. Terceiro porque reforça o papel das negociações coletivas como instrumentos exitosos de ajustes das dinâmicas de trabalho.   Logo, propostas que desconsiderem essas condições reais da economia e do setor produtivo, assim como a relevância das negociações, podem gerar efeitos justamente opostos aos pretendidos: menos qualidade de vida aos trabalhadores e, em paralelo, impactos profundos no desempenho do País.  No cotidiano de hoje, setores vitais da economia, como o Comércio, os Serviços e o Turismo, funcionam de forma contínua — atendendo consumidores durante fins de semana e feriados — e são, sobretudo, formados por Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Elas dão a tônica da nossa atividade econômica, porque representam 98% dos negócios e geram cerca de 70% das vagas formais a cada ano.  Uma redução abrupta da jornada de trabalho, como propõe a medida em debate, elevaria o valor da hora trabalhada no Brasil em 22%. Se para as empresas de grande porte essa adaptação já seria complexa, para essas MPEs, o efeito seria severo: a maioria delas opera com margens apertadas, por causa dos tributos altos e das incertezas econômicas que elas absorvem.   Com custos ainda maiores, essas empresas reduziriam contratações ou teriam que rever seus quadros, o que resultaria na eliminação de pelo menos 1,2 milhão de vagas formais apenas no primeiro ano de vigência da lei. Seria péssimo para um mercado de trabalho que, embora tenha mantido a vitalidade da economia brasileira nos últimos anos, vem perdendo força desde 2024. Ao mesmo tempo, parte dessa mão de obra migraria para a informalidade – o oposto do que os trabalhadores, trabalhadoras e empregadores desejam.  Além disso, se o custo da operação subir e a produtividade permanecer igual, parte dessa pressão acabará chegando ao consumidor. Em um cenário no qual a maioria das famílias está endividada, a alta nos preços reduziria o poder de compra e afetaria o próprio nível de emprego. Em outras palavras, a proposta vai gerar inflação e reduzir postos formais de trabalho.   A experiência internacional mostra que reduções de jornada bem-sucedidas, sobretudo nos países desenvolvidos, ocorreram de forma gradual. Elas foram acompanhadas por ganhos de produtividade, investimentos em tecnologia e qualificação profissional. Hoje, nossa produtividade por hora trabalhada (cerca de US$ 21) permanece distante dessas economias (nos Estados Unidos, é de mais de US$ 90). Em outras palavras, é preciso cautela para não inverter a ordem natural do processo.   O empresariado não traz esses dados com ânimo, é importante dizer. Seria bom para o País que a produtividade fosse maior e, por consequência, que os trabalhadores tivessem jornadas menores. Contudo, todos devemos encarar a realidade.   Ademais, embora a jornada legal seja de 44 horas semanais, a média efetivamente praticada, fruto de negociações entre empresas e trabalhadores, é próxima de 39 horas (a norte-americana é de 38 horas). Quando há espaço para o diálogo, ajustes acontecem de forma equilibrada, preservando empregos e competitividade.  Nesse debate tão relevante para o Brasil, o caminho mais seguro é o da convergência. Empresas e empregados dependem uns dos outros para crescer. Mudanças graduais, construídas com harmonia e apoiadas por políticas que estimulem eficiência e a distribuição de renda, tendem a produzir resultados mais duradouros. O objetivo comum deve ser trabalhar melhor, gerar mais oportunidades e garantir desenvolvimento econômico sustentável no longo prazo.  *Ivo Dall’Acqua Júnior é presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)  Foto: reprodução FecomercioSP

Redução da jornada pode elevar custos em até 27,5%, aponta Nota Técnica da Cebrasse

Estudo analisa impactos econômicos da proposta de 36 horas semanais e destaca cenário de produtividade em queda. A Cebrasse (Central Brasileira do Setor de Serviços) divulgou a Nota Técnica “Redução da jornada de trabalho, produtividade e o risco de aumento de custos para o setor produtivo”, trazendo uma análise econômica detalhada sobre a proposta de redução legal da jornada para 36 horas semanais. O estudo ressalta que a redução da jornada só é sustentável sem aumento de custos quando há ganhos proporcionais de produtividade por hora trabalhada. No entanto, dados recentes indicam um cenário de queda persistente da produtividade em diversos setores da economia brasileira. Produtividade em declínio De acordo com o levantamento apresentado, a produtividade por hora trabalhada registra variações negativas relevantes no agregado da economia, especialmente nos setores de indústria e serviços. O estudo aponta que, em um ambiente de produtividade enfraquecida, a redução compulsória da jornada tende a elevar o custo unitário do trabalho, em vez de gerar ganhos de eficiência. Impacto direto nos custos das empresas A jornada média semanal no Brasil é de 43 horas. Segundo a Nota Técnica, a redução para 36 horas, sem ajuste proporcional de salários, pode implicar aumento médio estimado de 20,4% no custo com remuneração, podendo chegar a 27,5% quando considerados os encargos sociais obrigatórios. Setores com jornadas mais longas, como Transporte, Indústria de Transformação e Construção, estariam entre os mais impactados. Debate técnico e responsável A análise reforça a necessidade de um debate técnico, baseado em evidências e na realidade setorial. A Cebrasse destaca que medidas uniformes e compulsórias podem gerar elevação de custos, pressionar margens, impactar investimentos e afetar a competitividade das empresas. O Sindeprestem acompanha o tema com atenção e reforça a importância de soluções responsáveis, que conciliem a sustentabilidade das empresas, a preservação do emprego e o desenvolvimento do setor de serviços. 🔗 Acesse a íntegra da Nota Técnica da Cebrasse para conferir todos os dados e análises.

Artigo: Inclusão que exclui

O desafio da contratação de pessoas com deficiência no setor de serviços Por Vander Morales — Presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt Falar sobre a contratação de Pessoas com Deficiência (PCD) no Brasil é falar de inclusão, justiça social e responsabilidade corporativa. Mas é também falar de um problema estrutural que poucos têm coragem de admitir, especialmente no setor de serviços. A legislação brasileira, por meio do artigo 93 da Lei nº 8.213/1991, determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem de 2% a 5% de suas vagas para PCDs. O descumprimento dessa exigência resulta em multas severas, autos de infração e passivos trabalhistas relevantes. Até aqui, a lei é clara. O problema começa na prática. Realidade que ninguém quer encarar Um dos problemas do Brasil reside na inadequação das leis à realidade. A lei pode ser boa e justa, mas nem sempre combina com a prática. Atualmente, milhares de empresas não conseguem cumprir a cota estabelecida pela legislação. E não é por falta de vontade, mas porque simplesmente não encontram profissionais PCD disponíveis, qualificados ou compatíveis com determinadas funções operacionais. O setor de serviços é um dos mais prejudicados, pois a maior parte das vagas de trabalho está localizada nas dependências do cliente/tomador, que por sua vez também precisa cumprir suas próprias cotas. Já nas instalações da empresa prestadora, há um número reduzido de postos de trabalho disponíveis. Além disso, a própria dinâmica do setor exige escalas, atividades presenciais, atendimento direto ao público e operações continuas, o que dificulta ainda mais a adequação. Mesmo assim, as empresas são punidas como se estivessem se recusando a incluir. Resultado: a conta não fecha porque a equação é injusta e desproporcional à realidade: ·       A empresa busca, anuncia, recruta, tenta adaptar processos… ·       Não encontra candidatos suficientes… ·       E ainda assim recebe multas. O paradoxo da inclusão O Brasil tem milhões de pessoas com deficiência em idade produtiva. Segundo as estatísticas oficiais, em torno de 15% da população tem algum tipo de deficiência, mas apenas uma pequena parcela está inserida no mercado formal de trabalho. Muitos fatores explicam isso: ·      Falta de acesso à educação e qualificação profissional ·      Barreiras de mobilidade e transporte ·      Falta de políticas públicas eficazes de intermediação de mão de obra ·      Medo de perder benefícios sociais ao ingressar no mercado formal Sim, esse é outro ponto sensível e pouco debatido. O medo de perder o benefício social Muitas pessoas com deficiência evitam o emprego formal por receio de perder benefícios assistenciais, como o BPC/LOAS. Embora a legislação tenha evoluído e hoje permita a suspensão — e não o cancelamento definitivo — do benefício em alguns casos, a informação ainda não chega de forma clara à população. O resultado é: ·       Pessoas com potencial fora do mercado ·       Empresas sem candidatos ·       Multas aplicadas ·       Inclusão que não acontece Enfim, é um jogo de perde-perde. Todos perdem. A economia do país perde. As pessoas perdem. E o setor de serviços? O setor de serviços é um dos maiores empregadores do país e, ao mesmo tempo, um dos mais fiscalizados. Empresas são cobradas por números, percentuais e relatórios. Raramente recebem apoio técnico, políticas de qualificação ou programas públicos eficazes de encaminhamento de PCDs ao trabalho. Incluir não pode ser apenas cumprir uma planilha. Inclusão exige: ·      Formação profissional acessível ·      Intermediação eficiente entre empresas e trabalhadores ·      Segurança jurídica ·      Informação clara para PCDs sobre trabalho e benefícios ·      E, acima de tudo, diálogo Multar resolve? A pergunta que precisamos fazer é direta: Punir empresas que comprovadamente tentam cumprir a lei resolve o problema da inclusão? Da forma como está hoje, a lei mais prejudica do que colabora para a inclusão das pessoas com deficiência. O sistema se torna disfuncional. Vejamos: ·      Empresas são penalizadas ·      Pessoas com deficiência continuam fora do mercado ·      A inclusão vira apenas um número da fiscalização ·      Uma inclusão que funcione de verdade Defender a inclusão de PCDs é inegociável. O setor de serviços defende uma inclusão possível, inteligente e humana. Isto é urgente. Precisamos sair do discurso fácil e enfrentar o desafio real: sem qualificação, sem intermediação e sem políticas públicas eficazes, a conta não fecha e não pode recair apenas sobre as empresas. Na condição de presidente de duas entidades representativas do setor de serviços (Sindeprestem e Fenaserhtt), defendo: ·       Inclusão com responsabilidade ·       Cumprimento da lei com segurança jurídica ·       Apoio às empresas que fazem a coisa certa ·       E, principalmente, oportunidades reais para as pessoas com deficiência Inclusão não pode ser armadilha legal. Precisa ser ponte para uma sociedade mais justa e inclusiva.

Sindeprestem se reúne com o ex-presidente da República, Michel Temer, para dialogar sobre pautas trabalhistas

No dia 10 de fevereiro, a diretoria do Sindeprestem esteve em São Paulo para uma reunião com o ex-presidente da República, Michel Temer. Participaram do encontro Vander Morales (Presidente do Sindeprestem), Fernando Calvet (Vice-Presidente), Amâncio Barker (Assessor Institucional), Dr. Ermínio de Lima Neto (Vice-Presidente Institucional) e Edmilson Formentini (Diretor Administrativo). Na ocasião, foram debatidos temas estratégicos relacionados ao cenário trabalhista, à segurança jurídica e aos desafios enfrentados pelo setor de prestação de serviços. A agenda reforça o compromisso do Sindeprestem com o diálogo institucional e com a defesa de pautas que contribuam para o fortalecimento do setor e a geração de empregos no país.

WEC 2026 reúne lideranças globais para debater o futuro do trabalho em Toronto

A World Employment Conference (WEC) 2026 já tem data marcada e promete ser um dos principais encontros globais da indústria de soluções para a força de trabalho. Com o tema “Grow with Talent”, o evento acontece nos dias 12 e 13 de maio de 2026, em Toronto (Canadá), e será coorganizado pela World Employment Confederation (WEC) e pela ACSESS. A conferência reunirá líderes empresariais, especialistas do setor, inovadores e formuladores de políticas públicas para dois dias de debates de alto nível, troca de experiências e networking estratégico, com foco em mercados de trabalho eficientes, estratégias de talentos e crescimento econômico sustentável. Programação WEC Awards Durante o evento, serão entregues os WEC Awards, que homenageiam projetos e iniciativas de Federações Nacionais que se destacam nas seguintes categorias: Datas importantes: Palestrantes O evento contará com palestrantes de renome internacional, entre eles Bettina Schaller, presidente da WEC, Jonas Prising, CEO da ManpowerGroup, Randy Upright, presidente da ACSESS, além de autoridades públicas, economistas e especialistas globais do setor. A WEC 2026 é uma oportunidade única para acompanhar tendências, compartilhar conhecimento e contribuir ativamente para a construção do futuro do trabalho em um cenário global em constante transformação. Sobre a WEC A Confederação Mundial do Emprego é a voz do setor privado de serviços de emprego em nível global, representando federações nacionais e empresas de soluções para a força de trabalho de todo o mundo. Os membros da Confederação Mundial do Emprego representam uma ampla gama de serviços de RH, incluindo trabalho temporário, recrutamento direto, gestão de carreira, terceirização de processos de recrutamento (RPO) e provedores de serviços gerenciados (MSP). Explore a programação completa e garanta sua participação:

Relações de trabalho e ambiente de negócios em transformação: o que pode impactar o setor de serviços em 2026

O ano de 2026 se inicia em um cenário de transição estrutural para o setor de serviços. Mudanças tributárias, debates trabalhistas, avanços tecnológicos, novas exigências regulatórias e um ambiente econômico internacional instável desenham um contexto que exige planejamento, adaptação e diálogo permanente entre empresas, sindicatos e o poder público. Mais do que rupturas imediatas, o período será marcado por ajustes graduais, testes de novos modelos e decisões estratégicas que impactarão diretamente a competitividade, a geração de empregos e a segurança jurídica das empresas. Tributação: transição, testes e aumento do compliance A Reforma Tributária do consumo entra em uma fase decisiva a partir de 2026. As empresas passam a conviver com testes operacionais da CBS e do IBS, tributos que substituirão gradualmente PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo da próxima década. Embora a cobrança plena ainda não esteja em vigor, o período exige adequação de sistemas, capacitação técnica e atenção às obrigações acessórias. A ampliação do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) e o cruzamento de dados entre Receita Federal, Ministério do Trabalho, INSS e Justiça do Trabalho elevam o nível de fiscalização digital. Impacto direto: aumento da complexidade no curto prazo e necessidade de preparo técnico, especialmente para empresas intensivas em mão de obra. Trabalho e relações laborais no centro do debate As relações de trabalho ganham protagonismo em 2026, com temas sensíveis que ampliam a atenção jurídica e institucional. Pejotização e judicializaçãoO Tribunal Superior do Trabalho tem reforçado alertas sobre os riscos da pejotização indiscriminada, apontando impactos sociais, previdenciários e jurídicos. Paralelamente, cresce o número de ações trabalhistas, impulsionado pela redução de custos para o reclamante e por um ambiente de insegurança jurídica. Impacto direto: aumento do passivo trabalhista potencial e maior cautela na definição dos modelos de contratação. Jornada de trabalho e debate sobre o fim da escala 6×1A proposta de revisão da escala 6×1 avançou no debate político e social e pode ganhar força em ano eleitoral. Caso aprovada, afetará diretamente operações contínuas e setores como terceirização, limpeza, portaria, atendimento e logística. Impacto direto: reorganização de turnos, custos operacionais e renegociação coletiva. NR-1 e saúde mentalA atualização da NR-1, que passou a incorporar a saúde mental como risco ocupacional, representa uma mudança profunda na gestão de pessoas. As empresas precisam mapear, prevenir e acompanhar fatores psicossociais, sob risco de autuações e judicialização. Impacto direto: criação de programas de prevenção, capacitação de lideranças e integração entre RH, jurídico e segurança do trabalho. Negociação coletiva volta ao protagonismo Com temas como jornada, saúde mental, tecnologia e modelos de contratação em pauta, a negociação coletiva retoma papel estratégico. Convenções e Acordos Coletivos tornam-se instrumentos centrais para equilibrar produtividade, proteção ao trabalhador e viabilidade econômica. Impacto direto: fortalecimento do diálogo entre sindicatos e empresas como ferramenta de gestão. Trabalho temporário como solução moderna Em um cenário de escassez de mão de obra e mudanças no perfil do trabalhador, o trabalho temporário se consolida como uma das principais portas de entrada para o emprego formal, especialmente para jovens e mulheres. O modelo oferece flexibilidade, formalização rápida e oportunidades reais de efetivação, contribuindo para a inclusão produtiva e a competitividade empresarial. Impacto direto: fortalecimento do setor como política prática de geração de empregos. Benefícios, PAT e atração de talentos As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) entram em vigor, trazendo mudanças relacionadas a taxas, interoperabilidade e prazos de repasse. A modernização do programa impacta diretamente as estratégias de atração e retenção de talentos. Impacto direto: revisão de contratos, custos e políticas de benefícios. Economia internacional e tecnologia O setor de serviços também sente reflexos do cenário externo, como a redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos e as tensões geopolíticas na América Latina, que afetam cadeias produtivas e investimentos. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial e a contratação baseada em habilidades deixam de ser tendência e passam a integrar a rotina das empresas, impactando recrutamento, qualificação e produtividade. Impacto direto: transformação dos modelos de RH e valorização das competências práticas. Um ano de ajustes estratégicos O maior desafio de 2026 não será uma mudança isolada na legislação, mas a capacidade de adaptação das empresas. O setor de serviços entra em um ciclo em que compliance, negociação coletiva, inovação e diálogo institucional caminham juntos. Nesse contexto, o Sindeprestem reforça seu papel como entidade representativa, oferecendo orientação técnica, defesa institucional e construção coletiva de soluções para um ambiente de negócios cada vez mais complexo. O futuro das relações de trabalho não será imposto por uma única lei, mas construído na prática — com informação, estratégia e diálogo permanente.

Por que o Brasil está se tornando o próximo polo de contratações dos Estados Unidos

O texto é assinado por Martín Padulla, fundador e diretor-geral da Staffing America Latina, referência internacional nas discussões sobre staffing, terceirização e tendências do trabalho. Uma leitura essencial para lideranças empresariais, profissionais de RH e gestores interessados nas tendências globais do mundo do trabalho. Mais de 200 milhões de habitantes. Mais de 15.000 empresas que oferecem soluções de mão de obra de alta qualidade. Um vasto mercado onde tecnologia, agronegócio, turismo, infraestrutura e energias renováveis ​​se expandem simultaneamente. Se você busca escala, ecossistemas voltados para a exportação, um setor tecnológico em aceleração sob modelos de trabalho híbridos e remotos, e infraestrutura técnica e universitária avançada — São Paulo, Curitiba, Recife, Florianópolis, Belo Horizonte — o Brasil pode muito bem ser a chave para uma expansão exponencial. Para empresas que buscam expansão global, o gigante sul-americano oferece oportunidades proporcionais ao seu tamanho. O país entrará em ano eleitoral em 2026. E, como em muitas partes do mundo, o clima político estará polarizado. Mesmo assim, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mantém a previsão de crescimento do PIB em 2,4% para o país. O Brasil também possui um dos sistemas trabalhistas e regulatórios mais complexos do planeta. O que é simples nos EUA — abrir e administrar uma empresa — torna-se altamente burocrático no Brasil. Os principais obstáculos incluem a complexidade regulatória e fiscal, a rigidez das leis trabalhistas, os processos administrativos complexos, a exposição a riscos legais e as responsabilidades futuras. Por essa razão, a maioria dos analistas chega à mesma conclusão: navegar nesse mercado exige conhecimento especializado. O ponto de entrada mais inteligente para empresas americanas não é abrir sua própria entidade, mas sim firmar parcerias com empresas locais que já dominam o labirinto regulatório. A seguir, apresentamos dois dos principais mercados do país. São Paulo: o motor econômico do Brasil São Paulo é o maior mercado da América do Sul — um polo de atração para empresas multinacionais, consultorias, empresas de terceirização de processos de negócios e grupos de tecnologia. Os três maiores bancos da América Latina operam a partir daqui. Para Antonio Loureiro, cofundador e CEO da Conquest One, uma empresa de recrutamento de profissionais de TI sediada na cidade, a perspectiva é clara: “O cenário é otimista para o setor de TI, com uma demanda crescente por talentos cada vez mais qualificados. Não enfrentamos escassez de talentos.” O setor de serviços continua sendo um poderoso motor da economia brasileira. “Apesar dos desafios, o setor de serviços continua em expansão, impulsionado pela digitalização, pelo consumo interno e pelos investimentos em infraestrutura. Observamos crescimento no trabalho temporário e na terceirização. Em 2024, quase 2,4 milhões de pessoas estavam em contratos temporários”, afirma Vander Morales, presidente do SINDEPRESTEM, sindicato patronal brasileiro, e da FENASERHTT, representante oficial do setor de trabalho temporário no Brasil. Embora os dados oficiais sejam limitados, as estimativas sugerem que mais de 10 milhões de trabalhadores constroem suas carreiras por meio de empresas de terceirização de serviços. O trabalho independente também merece atenção especial. Entre 2012 e 2024, o percentual de trabalhadores autônomos registrados no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica dobrou, passando de 3,3% para 6,5% da força de trabalho, o que representa aproximadamente 7 milhões de pessoas. Somente entre 2022 e 2024, cerca de 4,8 milhões de trabalhadores formais migraram para o regime autônomo, gerando impactos significativos na previdência social e nos fundos de indenização por demissão. Curitiba: A Nova Capital do Nearshoring Curitiba se tornou um dos principais polos para recrutamento, terceirização de processos de negócios (BPO) e, principalmente, nearshoring de tecnologia. Empresas globais como Concentrix, Foundever e Wipro operam na cidade. E empresas americanas, como a Frontall USA, podem se beneficiar da localização privilegiada de Curitiba. “Passei três anos tentando encontrar talentos técnicos nos EUA sem conseguir atender à demanda”, explica Dan Padilha, CEO da Frontall USA e vice-presidente da FENASERHTT. Quando transformou Curitiba no centro de recrutamento e desenvolvimento da empresa, alcançou uma redução de custos de cerca de 30%, maior qualificação técnica, alinhamento de fuso horário de 1 a 3 horas, total conformidade e excelente satisfação do cliente, afirma. “Hoje, a terceirização de operações por meio do Brasil é a base do nosso sucesso — e exatamente o modelo que recomendo às empresas americanas”, afirma. O Brasil está superando a Índia e as Filipinas. Embora a Índia e as Filipinas continuem sendo destinos tradicionais de terceirização, a geografia do talento está mudando. O Brasil oferece uma série de benefícios, incluindo custos comparáveis ​​aos das Filipinas, treinamento técnico de maior nível, alinhamento total com os fusos horários dos EUA, proximidade cultural, menor rotatividade de pessoal e comunicação mais direta. Para funções na área de tecnologia, o Brasil é cada vez mais visto como um dos mercados de contratação remota com melhor custo-benefício do mundo. Tudo isso demonstra que a terceirização próxima por meio de parceiros brasileiros consolidados pode ser fundamental para a expansão global. Por sua vez, o Brasil está pronto para se tornar um parceiro líder em soluções de força de trabalho para os EUA.