BC e Fed sinalizam ajuste mais duro contra inflação

Os bancos centrais de Brasil e Estados Unidos adotaram na quarta-feira um tom mais duro em relação à inflação. Por aqui, o BC elevou a Selic em 0,75 ponto percentual, para 4,25% ao ano, indicando que deverá aumentar a taxa na mesma magnitude na próxima reunião do Copom. Mais importante, deixou claro que considera apropriado retirar todo o estímulo monetário até o fim do ano, levando o juro para o nível que não acelera nem desacelera a inflação, e que seria hoje de 6,5% ao ano.

Com a decisão, o BC acirrou a batalha para reancorar as expectativas de inflação, sinalizando inclusive a possibilidade de acelerar o passo do aperto monetário caso as projeções dos analistas apresentem novas rodadas de deterioração. O Copom reconheceu que a persistência da pressão inflacionária está “maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais”. Apesar da “recente apreciação” do real, alguns fatores têm pressionado a trajetória de preços, como a normalização lenta das condições de oferta, a “resiliência” da demanda e a “deterioração do cenário hídrico”.

A comunicação do Fed, por sua vez, foi mais surpreendente, ao indicar em suas projeções duas altas de juros até o fim de 2023. A estimativa anterior indicava que as taxas permaneceriam em torno de zero até 2024. Na reunião de ontem, o BC americano manteve sua principal taxa de juros entre zero a 0,25% ao ano. No entanto, o presidente da instituição, Jerome Powell, afirmou que o Fed já começou a discutir de fato uma eventual redução da compra de ativos. Em reação ao discurso mais duro, as bolsas americanas fecharam em baixa, o dólar se fortaleceu em relação a outras moedas e a taxa dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA subiu de 1,498% para 1,57%. No Brasil, o Ibovespa caiu e o dólar avançou.

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