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Baixa renda tem quase o dobro de inflação em maio

Com a pressão principalmente do custo da energia elétrica, a inflação das famílias de baixa renda foi maior que a das famílias de renda mais alta em maio. Foi o segundo mês seguido em que isso ocorreu, segundo o indicador “Inflação por faixa de renda”, do Ipea. Em abril, o maior impacto tinha vindo dos medicamentos.

A inflação maior entre os mais pobres não é um movimento único desses meses: o índice acumulado em 12 meses também é maior, ainda refletindo a forte alta dos alimentos em 2020. São famílias que sentem seu dinheiro valer cada vez menos. Em maio, a maior taxa de inflação ocorreu entre as famílias de renda muito baixa – com renda domiciliar menor que R$ 1.650,50 -, que registraram alta de 0,92%, ante variação de 0,49% das famílias de renda alta – renda domiciliar acima de R$ 16.509,66. A alta também foi mais expressiva também nas famílias de renda baixa – rendimento domiciliar entre R$ 1.650,50 e R$ 2.471,09 -, com 0,88%, e nas famílias de renda média baixa – entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41 de renda domiciliar -, com variação de 0,86%. “As famílias de renda mais baixa têm inflação maior pelo segundo mês seguido. Só que por motivos diferentes. Em abril, o foco foi medicamentos. E em maio foi a energia elétrica”, explica a economista Maria Andréia Parente, técnica do Ipea responsável pela pesquisa.

Quase metade da alta da inflação (46%) para os mais pobres em maio veio do grupo habitação, com impacto de 0,42 ponto percentual da taxa de 0,92%. As principais pressões vieram de energia elétrica (5,4%), tarifa de água e esgoto (1,6%), gás de botijão (1,2%) e gás encanado (4,6%). Já nas famílias de renda mais alta a deflação de quase 30% nos preços de passagens aéreas (-28,3%) ajudou a atenuar os reajustes de combustíveis. Com o resultado de maio, a inflação acumulada em 12 meses das famílias mais pobres (8,91%) se distanciou ainda mais das famílias mais ricas (6,33%). A diferença entre os dois extremos era próxima em 2019, mas foi ampliada em 2020 não apenas por causa dos alimentos – que pesam mais sobre os mais pobres – como também por causa dos serviços. A alta de preços desse grupo desacelerou e ele tem peso maior no orçamento dos mais ricos. Em 12 meses, os preços de alimentos no domicílio subiram 15,4%, enquanto a energia elétrica teve alta de 11,6%.

“A inflação no ano está bem próxima, na casa dos 3% para os dois segmentos. Nos 12 meses é que essa diferença está muito forte, por causa da alta dos alimentos no segundo semestre do ano passado e da energia elétrica”, diz Maria Andréia. Em maio, todas as faixas de renda tiveram aceleração na alta dos preços. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – usado como base para o cálculo do Ipea da inflação por faixa de renda – acelerou de 0,31% em abril para 0,83% em maio. Nas famílias de renda muito baixa, a taxa passou de 0,45% para 0,92%. Entre os mais ricos, o resultado passou de 0,23% para 0,49%.

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