Auxílio emergencial: Em dia de novas denúncias, Bolsonaro prorroga benefício por três meses

O Palácio do Planalto anunciou ontem a prorrogação do auxílio emergencial por três meses, até outubro. O anúncio, a mais de três semanas do fim das quatro parcelas do atual auxílio, ocorreu em dia de noticiário ruim para o presidente Jair Bolsonaro, com gravações de uma ex-cunhada afirmando que ele promovia a chamada “rachadinha” para confiscar parte dos salários de seus funcionários quando era deputado federal. A Presidência divulgou a medida por meio de nota, sem no entanto informar a quantia. Mas, segundo o governo, o auxílio terá o mesmo valor pago atualmente. Hoje, o benefício varia de R$ 150 para quem vive sozinho a R$ 375 para mães chefes de família. Outros beneficiários recebem R$ 250.

Também de acordo com fontes do Executivo, o custo mensal do auxílio é de cerca de R$ 9 bilhões. Para viabilizar a nova rodada de três meses, Bolsonaro solicitou ao Congresso um crédito extraordinário de cerca de R$ 20 bilhões. Além disso, será utilizada a sobra de quase R$ 8 bilhões do teto de R$ 44 bilhões autorizado pelos parlamentares para pagamento das quatro parcelas do programa, que terminam neste mês. O pagamento do benefício será automático. Os critérios de elegibilidade não foram alterados. O número de beneficiários está em cerca de 39,3 milhões, segundo o governo. Minutos após o anúncio, Bolsonaro publicou vídeo nas redes ao lado de ministros e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para informar a prorrogação. “Juntamente com o presidente do Senado, estamos prorrogando o auxílio emergencial por mais três meses – agosto, setembro e outubro -, enquanto acertamos o novo valor do Bolsa Família para o ano que vem”, afirmou. Também estavam no vídeo os ministros Paulo Guedes (Economia), João Roma (Cidadania), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo).

Em 2020, o governo chegou a pagar uma ajuda de R$ 600, o que impulsionou a popularidade do presidente em meio à pandemia. Embora tenha se oposto a um valor dessa magnitude, Guedes, acredita ser importante o pagamento até outubro, quando o governo acredita que toda a população já deve estar vacinada. “A economia brasileira voltando a crescer, vacinação em massa, presidente Bolsonaro, presidente Pacheco, presidente [da Câmara Arthur] Lira (PP-AL) acertaram logo no início do ano a prorrogação do auxílio emergencial e a vacinação em massa. O ministro [da Saúde, Marcelo] Queiroga está avançando com a vacinação em massa. A economia voltando, retorno seguro ao trabalho”, afirmou Guedes. “Com esses três meses adicionais agora, vão ser sete meses. Isso aí é para dar essa proteção enquanto atingimos a vacinação em massa da população brasileira.”

Pacheco, por sua vez, disse que a ajuda aos mais vulneráveis é uma “das principais demandas do Parlamento”. Ele pediu ainda “pacificação” e “respeito às divergências”, sem citar a CPI da Pandemia instalada no Senado e que tem servido para fustigar Bolsonaro. “Neste momento, nós precisamos mais do que nunca de diálogo permanente, de pacificação, de busca da identificação dos consensos e respeito às divergências. Portanto, esse é um ambiente que a sociedade brasileira espera que nós possamos dar a ela”, afirmou. Essa deve ser a última prorrogação do auxílio. Após outubro, o governo pretende reempacotar o Bolsa Família, que pode ganhar um novo nome para dar uma marca social ao governo Bolsonaro. No vídeo postado pelo presidente, Roma faz referência a isso.

“Já em novembro, entraremos com o novo programa social do governo, fortalecido e ampliado, para que os brasileiros possam também avançar cada vez mais, não só com o suporte do Estado brasileiro para esse momento de vulnerabilidade, mas também com todos os auxílios para que ele possa vencer e avançar na sua situação e na sua qualidade de vida”, afirmou o ministro da Cidadania. Além da reportagem do UOL que implicou Bolsonaro no caso das rachadinhas, uma pesquisa CNT/MDA trouxe más notícias para o presidente ontem. De acordo com o levantamento, o ex-presidente Lula aparece com 41,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26,6% de Bolsonaro. Bolsonaro também é derrotado por Lula em simulação de segundo turno. A desaprovação do presidente atingiu 62,5%.

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