the summer time changeover, time change, alarm clock-2175397.jpg

Aposta é de contratação maior de temporários

Valor Econômico – 09/12/2021 –

A inflação e os juros mais altos no Brasil são preocupações para os comerciantes varejistas neste fim de ano, mas a demanda reprimida e o pagamento do 13º salário devem estimular vendas melhores do as que do ano passado e incentivar uma maior contratação de funcionários temporários pelas lojas.

Conforme projeções da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), o saldo de trabalhadores temporários contratados para este fim de ano deve ser de aproximadamente 94 mil em todo o país. Apesar das quedas no desempenho do varejo nos últimos meses, conforme os dados da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, a percepção da é a de que os consumidores farão o possível para sair às compras depois do isolamento exigido pela pandemia, superando a perda de poder de compra provocada pela alta da inflação. Isso exigirá reforço das equipes de trabalho.

“Embora tenhamos fatores prejudiciais à venda como dólar alto, inflação, juros alto e desemprego alto, a demanda reprimida e a vacinação, que deve permitir que os shoppings fiquem abertos, fazem com que os consumidores se sintam mais confiantes para sair e comprar”, diz o diretor institucional da Alshop, Luis Augusto Ildefonso.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) decidiu rever para baixo sua previsão para a contratação de trabalhadores temporários no fim de 2021, que era de 94,2 mil vagas.

A avaliação atual é que o número não deve passar de 90 mil, segundo o economista sênior Fabio Bentes, o que significa um resultado acima de 2020 – quando ficou em 68,3 mil, o menor desde 2013 -, mas inferior ao que era imaginado até setembro.

A projeção para o Brasil só deve ficar pronta na próxima semana, mas já foram fechadas as novas estimativas para alguns Estados. Para São Paulo, a previsão é de crescimento do número de temporários de 18,4 mil em 2020 para 25,6 mil em 2021, pelos dados da CNC, mas o Rio de Janeiro deve ainda amargar queda para 6.628 em 2021, frente a 6.826 em 2020.

“Os resultados do varejo têm sido muito decepcionantes e o volume de vendas é a principal variável para estimar a contratação de trabalhadores temporários. Teremos algum aumento em relação a 2020, quando havia muitas restrições, mas o número provavelmente não chegará aos 90 mil”, diz Bentes.

No Estado de São Paulo, a FecomercioSP projeta que o varejo paulista criará 40 mil vagas de trabalho neste último trimestre, número próximo ao saldo de 41 mil postos registrados em 2019, antes da pandemia. “Pelo dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em outubro, o varejo [de São Paulo] já gerou cerca de 14 mil vagas e provavelmente teremos a geração de mais 26 mil com os meses de novembro e dezembro, sendo que 22 mil devem ser em dezembro e 4 mil em novembro”, prevê Jaime Vasconcellos, economista da Fecomercio.

Ele explica que é mais razoável comparar com 2019 do que com 2020 porque a pandemia dificultou a leitura adequada dos números do ano passado. No último trimestre de 2020, o saldo de empregos criados pelo varejo paulista foi de 70 mil, mas havia um saldo negativo de 105 mil vagas até setembro. “As contratações dos últimos três meses do ano passado não podem nem ser ligadas à geração de trabalhos temporários porque grande parte foi de reposição dos quadros de funcionários”, aponta Vasconcellos.

“Em dezembro de 2020, grande parte das lojas de shopping centers ficou fechada e já antes de dezembro havia aquele abre e fecha. A contratação de temporários em 2020 foi muito apática. Por isso a gente procurar comparar com 2019 que foi um ano normal”, aponta Ildefonso, da Alshop.