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5 dicas para melhorar a inteligência emocional no trabalho

Valor Econômico

Especialistas apontam danos que a falta de controle sobre as próprias emoções pode causar no trabalho e dão dicas para desenvolver esta habilidade

Por Fernanda Gonçalves

Inteligência emocional é a habilidade de gerir as próprias emoções, ajudando o indivíduo a se relacionar melhor consigo mesmo e com o seu entorno. No trabalho, a pessoa emocionalmente inteligente é aquela capaz de se conectar com as próprias necessidades e, também, com as dos outros, criando um ambiente mais harmonioso e produtivo. Isso é o que dizem diferentes especialistas em comportamento e trabalho.

Mas, Saulo Velasco, psicólogo e professor da The School of Life, tem uma definição ainda mais simples de entender. Ele diz que a inteligência emocional funciona como uma “cola”: “todos nós somos um pouco difíceis de conviver, e o ambiente profissional é o grande caldeirão de loucuras, onde todos esses caprichos se misturam”, afirma. É justamente por isso que o local de trabalho acaba sendo muito propício a conflitos interpessoais. “A inteligência emocional é a ‘cola social’. Ela permite que possamos extrair o melhor dessa diversidade que, por sua vez, deixa de ser um obstáculo e se torna um valor”, completa.

Ter inteligência emocional é uma das principais habilidades comportamentais demandadas hoje no mundo corporativo. “Diferente de antigamente, em que a tarefa era lutar contra as forças da natureza, as jornadas atuais, na maioria das vezes, envolvem trabalhar em grupo, se comunicar com outras pessoas e tomar decisões coletivamente. Para que isso funcione, é necessário saber manejar as próprias emoções e prever as reações emocionais dos outros”, defende.

Já a consultora organizacional e coach executiva Caroline Marcon destaca que, embora a inteligência emocional seja sempre um dos principais pontos para garantir um time de alta performance, ela é fundamental em momentos de crise, especialmente para os líderes. “Alguém tem que manter as pessoas minimamente focadas no objetivo, equilibradas e capazes de realizar o trabalho. Quando a inteligência emocional do líder não existe, nessas horas os resultados costumam ser muito desastrosos”, pondera. Na visão de Marcon, o gestor emocionalmente maduro é aquele que sabe ler os sinais emocionais das pessoas e, por meio disso, consegue oferecer o direcionamento e segurança necessários.

Independente do nível ou cargo, a ausência de inteligência emocional pode prejudicar o crescimento de carreira, afirma a especialista. “Há pessoas que são muito inteligentes do ponto de vista cognitivo, mas incapazes de perceber o próprio impacto e, por isso, não conseguem crescer na carreira. O indivíduo alcança um platô – geralmente, muito abaixo do que idealiza para si”, diz Marcon.

Velasco aponta que são profissionais não inteligente emocionalmente aqueles que agem sem pensar, muitas vezes tendo comportamentos dos quais se arrependem depois. “Alguns têm dificuldade de lidar com colegas e de ouvir críticas, pois as entendem como um ataque pessoal. Já outros não conseguem ser assertivos, por necessidade de agradar e ter medo da rejeição”, exemplifica.

A boa notícia é que a inteligência emocional não é um traço fixo de personalidade – muito menos um dom inato -, e pode ser aprendida, exercitada e aprimorada. “O primeiro passo é estar disposto a fazer o esforço necessário, e isso normalmente vem pela dor, após experiências frustrantes como não ser promovido, receber um feedback negativo e, principalmente, quando a pessoa se dá conta de que a imagem que está passando para os outros é muito negativa e vai contra os próprios valores”, afirma Marcon.

Para que um líder consiga ajudar os membros de sua equipe a serem mais maduros emocionalmente, os especialistas concordam que é necessário saber dar o exemplo. Velasco lembra que o gestor tem um papel fundamental na criação de um ambiente de segurança psicológica, no qual as pessoas se sentem livres para errar e arriscar. “Ele pode construir isso admitindo erros, dúvidas, solicitando ajuda, admitindo suas próprias imperfeições e se colocando em posição de vulnerabilidade”, pontua. Para a consultora Caroline Marcon, também é necessário se atentar não somente ao conteúdo, mas à forma como o líder passa uma mensagem ao seu time. “Expressão e tom de voz contam muito. Além disso, valorizar, chamar pelo nome, destacar os pontos positivos e demonstrar apoio, são pontos importantes para fazer as pessoas se sentirem energizadas”, explica.

Confira 5 dicas para desenvolver a inteligência emocional:

  1. Desconfie das próprias emoções: evite dar vazão ao primeiro impulso. Tente se distanciar da situação para poder pensar e se acalmar antes de reagir, assim você consegue autorregular suas emoções. “Isso vai na contramão da cultura que nos ensina a ouvir a própria intuição. Mas precisamos aprender a desenvolver uma distância saudável dos nossos sentimentos para poder considerar formas alternativas de ação”, afirma Velasco.
  2. Observe-se: é preciso identificar os gatilhos que geram respostas emocionais e físicas, pois conhecendo a si próprio, você pode interromper o processo de reação em cadeia antes que a situação se agrave. O especialista explica: “É difícil parar um trem em alta velocidade. Mas se você consegue frear assim que ele sai da estação, o trem não vai longe demais”.
  3. Reconheça e faça as pazes com a própria vulnerabilidade: estar aberto a ouvir críticas e aceitar suas imperfeições é o primeiro passo para sair da defensiva e, assim, estabelecer uma relação mais saudável consigo e com os outros.
  4. Pratique a escuta ativa: ouvir as pessoas com curiosidade e interesse genuíno, sem interrupções e conselhos não solicitados, te ajuda a se conectar verdadeiramente com o seu interlocutor e, como lembra Marcon, é uma habilidade cada vez mais escassa na era multitarefas em que vivemos.
  5. Exercite a empatia: tente compreender e respeitar as emoções e imperfeições das pessoas, se colocando no lugar delas. Ao procurar olhar uma situação a partir do ponto de vista de alguém, as chances de obter um desfecho positivo para um conflito se tornam muito maiores.

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