• Facebook
  • Youtube
  • Twitter
  • Banner eSocial - Fatos e Notícias
  • Evento Manaus
  • Banner Propostas
  • app do sindeprestem
  • BOLETOS ON-LINE
  • coffee news mudou para melhor
  • sindeprestem 2018
  • CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018
  • Palavra do presidente
  • Home
  • Notícias
  • Últimas Notícias
  • 14/09/2018 | Trabalhadores com diploma conseguem emprego, mas em vagas sem qualificação - O Globo

14/09/2018 | Trabalhadores com diploma conseguem emprego, mas em vagas sem qualificação - O Globo

Mesmo durante a recessão, entre 2014 e 2017, mais 2,2 milhões de pessoas que têm ensino superior completo ingressaram no mercado de trabalho. No entanto, a maior parte delas, 1,3 milhão, só conseguiu uma vaga em funções que, no máximo, exigiam conhecimento técnico ou de nível médio. A renda média desse grupo também foi a que mais encolheu no período: quase 10%.

Para especialistas, os números, que fazem parte de um levantamento do Dieese, mostram dois aspectos cruéis da crise. Primeiro, profissionais sem alternativa de emprego acabam empreendendo ou aceitando trabalhos que não exigem maior especialização. Segundo, na outra ponta, a parcela mais vulnerável, de trabalhadores com menor qualificação, é expulsa do mercado.

- É assustador ver um país que investiu na formação de profissionais mais qualificados desperdiçar essa mão de obra e a chance de aumentar a produtividade. Deveríamos estar colhendo esses frutos, mas o que vemos é uma desestruturação intensa e rápida do mercado de trabalho - diz Patrícia Pelatieri, coordenadora de pesquisa do Dieese.

Paulo Sardinha, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Rio de Janeiro (ABRH-RJ), reconhece que, em períodos de crise, há empresários que aproveitam a grande oferta de mão de obra qualificada para contratar esses profissionais em funções e salários inferiores. Mas considera a política “nada inteligente”, já que, dificilmente, o profissional se acomodará nesse emprego.

- O desemprego prolongado que vivemos faz, em primeiro lugar, a pessoa aceitar trabalhar longe de casa. Se não tiver sucesso, passa a aceitar qualquer vaga, por um salário muito inferior ao que recebia. Do outro lado, quem não teve condições ou oportunidades de evoluir na escolarização permanece desempregado - observa Sardinha.

OPÇÃO É SE REINVENTAR

Há, no entanto, quem aproveite o limão para fazer uma limonada. É o caso de Patricia Braga, de 52 anos. Pós-graduada, trabalhou por 30 anos em multinacionais, onde chegou a ocupar cargo de gerência. Desde a demissão, no início de 2016, não conseguiu mais se recolocar. Hoje, em parceria com a amiga Márcia Amaro, de 55, cuja trajetória profissional é semelhante, vende doces e artesanatos a bordo de uma bicicleta pelas ruas de Botafogo, na Zona Sul do Rio.

- Às vezes sinto falta do glamour. Passei 30 anos pegando avião e fazendo reuniões fora, mas a qualidade de vida que eu tenho agora é impagável. Quando você vira a chave e começa a perceber que existe um mundo além das quatro paredes de uma multinacional, é impagável. Sou muito feliz - conta Patrícia, que hoje fatura um terço do salário anterior.

A bióloga Cristian Nair de Souza, de 44, chegou a ser consultora de alimentos em duas grandes indústrias alimentícias do Rio e dava aulas em cursos preparatórios. Desde que ficou desempregada, em 2016, já trabalhou como motorista de aplicativo de transporte e taxista. Conta que a crise lhe deu uma grande lição:

- Não existe trabalho que não seja digno e salário que não valha a pena. Logo que fiquei desempregada, recusei muitas propostas, porque me pagariam pouco, até que cheguei a ter apenas os R$ 700 da pensão do meu filho mais novo (Cristian é divorciada) para sustentar a casa.

Hoje, comemora o novo emprego, com carteira assinada, ainda que fora de sua área. É vendedora de uma indústria de alimentos.

VENDEDORES E MOTORISTAS

Segundo a pesquisa, entre os vendedores de porta em porta, o número de pessoas com ensino superior saltou 187% entre 2014 e 2017, de 49,2 mil para 141,2 mil pessoas. O de motoristas de táxis e aplicativos graduados cresceu 125%, para mais de 105 mil, assim como o de trabalhadores de limpeza, que teve alta de 117%, passando para 65,4 mil pessoas com graduação nessa função.

‘Aumenta a escolaridade, mas não a produtividade’, diz economista

De 2012 a 2018, cresceu em quase um ano o tempo médio de escolaridade dos trabalhadores brasileiros, de 8,8 anos para 9,7. Os setores que deram os maiores saltos foram a agropecuária, de 4,5 para 5,6 anos; a construção, de 6,6 para 7,5; e o transporte, de 8,5 para 9,4. Os dados são de um levantamento feito pelo economista e pesquisador do Ibre/FGV e IDados Bruno Ottoni. Para o especialista, as dificuldades de se criarem postos de trabalho condizentes com uma melhora na formação educacional não têm a ver apenas com a recessão, mas refletem um problema estrutural da economia brasileira.

O que deu errado?

Em um outro estudo, verifiquei que, entre 1992 e 2014, ocorreu o mesmo. Aumentou o nível médio de escolaridade, mas não a produtividade, porque a maior parte dos empregos gerados estava no setor de serviços, que exige baixa qualificação e agrega pouco à eficiência produtiva. Um motorista de aplicativo de transporte, por exemplo, não vai executar o serviço com mais qualidade se tiver mais ou menos anos de estudos. Já no setor financeiro, uma pessoa qualificada tende a ter sua formação reconhecida e ascender na empresa, gerando mais receita e aumentando a produtividade do trabalho.

O Brasil desperdiçou o investimento que facilitou o acesso à educação formal?

Isso não é só decorrência da recessão, mas um problema estrutural. Tem a ver com um ambiente de negócios que, historicamente, não favorece o desenvolvimento das empresas, porque não as incentiva a se tornarem competitivas. Tem a questão tributária, a falta de infraestrutura. Tudo isso impede que empresas cresçam, se desenvolvam, se tornem competitivas internacionalmente. É nessas empresas que estão os melhores empregos, que pagam mais. Continuamos com uma maioria de empresas médias e pequenas, informais, que nunca sairão dessa condição.

 

É possível reverter esse quadro?

Os nossos desempregados procuram emprego no boca a boca, levam currículo de porta em porta. Não é a melhor forma de se conseguir um bom emprego, condizente com sua formação. Temos visto que, quando uma ONG promove um mutirão de intermediação, milhares de desempregados aparecem formando uma enorme fila. Temos os Sines, mas são pequenos e trabalham mais com vagas operacionais. Precisamos de boas agências privadas, nos moldes do que existe em outros países do mundo, que encontrem a melhor vaga para cada perfil.

A baixa qualidade da educação também é um problema?

Sim. Os dados mais recentes mostram que nossas escolas estão falhando. O Brasil aumentou muito os gastos em educação nos últimos anos, em proporção ao PIB, mas as notas dos alunos não respondem a isso. É preciso avaliar melhor a eficiência do gasto, pensar em programas que incentivem os alunos a estudarem mais e que esse tempo na escola se reflita em maior aprendizado.

 

Últimas Noticias

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02