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16/10/2019 | Para FMI, Brasil pode crescer 2% em 2020 após desaceleração global sincronizada - Folha de S. Paulo

Prevendo um cenário de aceleração e alta do PIB brasileiro de 2% em 2020, o FMI (Fundo Monetário Internacional) rebaixou outra vez a estimativa de crescimento mundial para este ano.

Segundo o Fundo, a desaceleração sincronizada global em curso diminuirá o ritmo de aumento do PIB global em 2019 para 3%, o menor patamar desde a chamada Grande Recessão de uma década atrás.

Para 2020, o cenário é de pequena recuperação, com alta projetada de 3,4%, mas ainda abaixo do crescimento de 2018 (3,6%).

No ano que vem, as duas maiores economias do mundo (EUA e China) devem continuar desacelerando. No ano eleitoral de 2020, os EUA devem crescer 2,1%. Já o crescimento chinês cairá para 5,8%.

Mas o PIB mundial em 2020 poderá se recuperar com uma retomada mais forte da atividade na zona do euro e em outras economias menores.

O Brasil é uma delas, com a projeção de crescimento dobrando do 0,9% previsto para este ano para 2% no ano que vem. Neste cenário, a taxa de desemprego cederia dos atuais 11,8% para 10,8% ao final do ano que vem.

O Fundo alerta, no entanto, que para manter ou acelerar o crescimento, o Brasil deve persistir no ajuste das contas públicas e nas reformas em curso.

Na Europa, a Alemanha também tende a se recuperar com alguma força, seguida por Itália, Reino Unido e França.

Mas o Fundo diz que, além de não ser uniforme, a recuperação global prevista para 2020 é “precária” e poderá continuar sendo contaminada por fatores que seguraram o crescimento mundial neste ano.

Entre eles, há grande indefinição sobre um eventual acordo entre EUA e China na área comercial, o baixo crescimento da produtividade nas principais economias e o envelhecimento populacional nos países ricos.

Para o comércio internacional, importante motor do crescimento global, o FMI projeta neste ano um crescimento de apenas 1,1%, bem baixo da alta de 3,6% em 2018. A recuperação prevista em 2020 chega a 3,2%. Se frustrada, será um dos principais fatores a deprimir novamente a economia global.

Além do comércio menor, as principais economias do mundo registram quedas tanto na produção industrial quanto nos índices de confiança dos empresários.

Na indústria, houve ainda um baque adicional vindo do setor automobilístico e da menor atividade em suas longas cadeias produtivas, que representam 5,7% da produção industrial global. Parte disso deveu-se a novos padrões de emissão de poluentes adotados na Europa e na China. 

Além da precariedade da recuperação prevista em 2020, o Fundo destaca em seu Panorama da Economia Mundial para o fato de os países ricos afetados pela crise global de 2008-2009 terem hoje “munição limitada” para agirem em caso de novos problemas.

Para salvar o mundo de um colapso há dez anos, os bancos centrais dos países ricos baixaram agressivamente suas taxas básicas de juro e injetaram desde então cerca de US$ 15 trilhões no mercado global comprando títulos de governos e de empresas em dificuldades.

A maior oferta de dinheiro levou o mundo a se endividar em níveis recordes, com débitos somados de governos, empresas e famílias atingindo agora US$ 250 trilhões, o equivalente a 320% do PIB.

Numa eventual nova crise, injetar mais dinheiro barato nas economias afetadas, segundo muitos especialistas, trará pouco impacto sobre a atividade e muitas dúvidas sobre a sustentabilidade de um endividamento cada vez maior.

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