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14/10/2019 | Juro real pode ficar perto de zero em 2020 - Valor Econômico

Conhecido pelos juros altíssimos das últimas décadas, o Brasil tem a possibilidade de experimentar taxas reais próximas de zero nos próximos meses. Com inflação baixa e enorme capacidade ociosa, o Banco Central (BC) tem ainda um espaço considerável para cortar os juros, hoje em 5,5% ao ano, segundo alguns analistas. A contenção dos gastos públicos e a desaceleração global também contribuem para o BC reduzir a taxa básica e, com isso, tentar dar mais gás a uma retomada que segue lenta, apesar de alguns sinais recentes mais favoráveis no crédito, no varejo e no mercado de trabalho. Na sexta-feira, os economistas do Banco Safra reduziram a estimativa para a Selic no fim do atual ciclo de corte de juros de 4,5% para 4% ao ano. Na visão do Safra, o BC vai promover neste ano mais dois cortes de 0,5 ponto percentual, fazendo a taxa encerrar 2019 em 4,5%. Além disso, a expectativa é de mais duas reduções de 0,25 ponto nas duas primeiras reuniões de 2020 do Comitê de Política Monetária (Copom). Isso levaria a Selic para 4%, nível em que a taxa terminaria o ano que vem, segundo o banco. 

O Safra também revisou as previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para 2019, o Safra cortou a estimativa para o IPCA de 3,6% para 3,4% e, para 2020, de 3,9% para 3,7%. “Caso confirmado nosso cenário de taxa de juros a 4% e IPCA a 3,7% em 2020, passaremos a ter uma taxa de juros real [descontada a inflação] muito próxima do zero, algo sem precedentes na história brasileira”, diz a equipe liderada pelo economista Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro. “E não podemos descartar a possibilidade de estímulos adicionais para uma recuperação mais acentuada da economia como um todo, em um contexto de inflação bastante benigno.” O juro real neutro (aquele que permite a economia crescer sem pressões inflacionárias) está hoje em 2,5%, nos cálculos de Kawall.

Para estimular a atividade num ambiente de inflação abaixo das metas perseguidas pelo BC - de 4,25% neste ano e 4% no ano que vem - e de grande ociosidade, a taxa real precisa ficar abaixo do nível neutro. Com uma Selic de 4% e um IPCA de 3,7%, Kawall diz que a política monetária caminha sem dúvida para ser mais estimulativa. “Mas, se será o suficiente, não sabemos”, pondera ele, observando que, na crise financeira global de 2008, os países desenvolvidos rapidamente adotaram juros reais negativos e depois promoveram o afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês, a política de compra maciça de ativos, para manter baixas as taxas de longo prazo), mas mesmo assim a recuperação foi lenta. “E se o juro neutro for ainda mais baixo?”, pergunta ele. Isso explica o fato de o banco não descartar estímulos adicionais por parte do BC. “O nosso modelo, aliás, sugere que seria possível [a Selic] ir até abaixo de 4% com a inflação na meta. Mas claro que há que se considerar o balanço de riscos”, diz Kawall. O Safra estima que a taxa neutra real no Brasil caiu de 5,5% entre 2008 e 2014 para os atuais 2,5%, por causa da contenção dos gastos governamentais e dos empréstimos dos bancos públicos e da queda dos juros globais. Na semana passada, a divulgação do IPCA de setembro surpreendeu para baixo, ao mostrar recuo de 0,04%. Houve forte deflação do grupo de alimentos e bebidas, de 0,43%, mas os núcleos também mostraram resultado benigno. A média de sete dessas medidas acompanhadas pela MCM Consultores subiu apenas 0,1%, derrubando o acumulado em 12 meses de 3,04% em agosto para 2,82% no mês passado.

A inflação parece se consolidar em níveis estruturalmente menores, num quadro de expectativas sob controle e inércia jogando a favor - índices de preços baixos no passado contribuem para indicadores igualmente baixos no futuro. Para completar, a economia segue fraca e há muita ociosidade, o que contribui para segurar a inflação. Isso fica claro no comportamento do núcleo do IPCA que reúne os serviços, bens industriais e alimentos mais sensíveis ao ciclo econômico, em alta de apenas 2,29% nos 12 meses até setembro. Esse quadro autoriza o BC a tentar níveis menores de juros, ainda mais num cenário em que a economia global perde força e os gastos públicos estão contidos devido à gravidade da situação fiscal. Esses choques negativos de demanda, como notam os economistas do Bradesco, “podem e devem ser contrabalanceados” por uma política monetária mais expansionista, “desde que as expectativas e projeções de inflação permaneçam comportadas”. Na visão do Bradesco, a Selic vai terminar 2019 em 4,5% - antes, apostava em 4,75% -, continuando nesse nível ao longo do ano que vem.

Com juros reais baixos para padrões brasileiros, a retomada deve ganhar algum fôlego, embora a taxa dos empréstimos siga muito alta, devido aos spreads elevados (a diferença entre custo de captação dos bancos e juros cobrados nos financiamentos). O Safra espera que a economia cresça 0,9% neste ano e 2,3% no que vem, enquanto o Bradesco prevê 0,8% e 1,9%, respectivamente. Não são números exatamente animadores, mas uma expansão próxima a 2% em 2020, após três anos de crescimento na casa de 1%, seria uma boa notícia. A política monetária é hoje a grande fonte de estímulo para a atividade (sem contar medidas pontuais, como a liberação do FGTS), num ambiente em que há graves restrições fiscais nas três esferas de governo, a economia global perde força e o programa de concessões de infraestrutura ao setor privado ainda não deslanchou.

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