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02/10/2019 | A economia do futuro é circular - O Globo

Desde a Revolução Industrial, no século XVIII, a economia funcionou de forma linear. As empresas extraem matéria-prima e a transformam em produtos, gerando resíduos ao longo do processo. Os compradores consomem e descartam. O resultado é o uso excessivo dos recursos naturais, numa ponta, e a geração de lixo, na outra.

Esse modelo não se sustenta mais. Em seu lugar, está se instaurando a economia circular, que unifica as pontas da cadeia de produção e consumo, com benefícios para a sustentabilidade e para a geração de empregos. Muito difundida na Europa, a economia circular é um conceito essencial para o desenvolvimento sustentável dos países e que, no Brasil, começa a ganhar espaço. Como mostra pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 76,4% das empresas do setor adotam alguma prática de economia circular.

Nesse sentido, a CNI tem trabalhado para ampliar a adoção do modelo e mobilizar empresas, governo, academia e sociedade em escala nacional. Uma das ações recentes, dia 24, foi a realização do Encontro Economia Circular e a Indústria do Futuro, em São Paulo. Ao longo de um dia inteiro de painéis e palestras que reuniram especialistas e empreendedores da academia e dos setores público e privado, o evento debateu não só o conceito de economia circular, mas também estratégias concretas de colocá-lo em prática.

AÇÕES E EMPREGOS

Durante o evento, correalizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai) com o apoio da Nespresso, do Instituto C&A e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a CNI apresentou a primeira pesquisa de abrangência nacional sobre o tema. Além de mostrar que três quartos das empresas já adotam alguma ação de economia os números mostram que 60% avaliam que a prática pode gerar empregos e 75,9% a percebem como relevante para evitar desperdícios.

“A transição para a economia circular permitirá que a indústria brasileira esteja à frente das legislações e das normas nacionais e internacionais, colaborando para a construção de políticas públicas facilitadoras às mudanças sistêmicas”, afirma Marcelo Thomé, presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI. “Em um primeiro momento, as empresas terão de investir, mas em uma etapa seguinte será possível diminuir custos operacionais, com processos mais eficientes e voltados para o reaproveitamento de resíduos e utilização de bens reciclados”.

Para o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, a economia circular é um imperativo e uma oportunidade em um mundo que está em rápida transformação. “A economia circular aparece como alternativa desejável ao modelo tradicional, pois defende o uso dos recursos naturais com menos desperdício. Além disso, permite que as empresas reduzam custos e perdas, gerem fontes alternativas de receita e diminuam a dependência de matérias-primas virgens.”

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