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13/09/2019 | "Eppur si muove" (Fernando Dantas) - Folha de S. Paulo

Não que o presidente Jair Bolsonaro pareça muito preocupado com isso, mas o resultado da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de julho, divulgado hoje pelo IBGE, é um pequeno sinal alentador em termos da travessia de pinguela econômico-política que o País estará fazendo no próximo ano ou ano e meio: com a governabilidade ameaçada pela popularidade presidencial declinante, na esteira da sua estratégia política de agredir e dividir, a salvação da lavoura para a economia e o governo depende da potencial melhora de humor da população, com uma retomada da atividade minimamente digna deste nome.

O volume de serviços prestados em julho cresceu 0,8% ante junho (dessazonalizado) e 1,8% ante o mesmo mês de 2018 – em ambos os casos, bem acima das medianas das Projeções Broadcast, de respectivamente 0,15% e 0,6%.

Segundo Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências, “os números vêm ganhando consistência, e a trajetória de retomada está presente, ainda que não no ritmo em que a gente gostaria”.

Luzes no fim do túnel têm piscado com mais frequência recentemente: o PIB do segundo trimestre, a pesquisa de comércio (divulgada ontem), os serviços hoje, e números de um crescimento relativamente forte de empregos (o desemprego cai lentamente porque também cresce a procura por trabalho), ainda que de má qualidade.

Campos Neto observa que sinais de vida da economia são o que a maioria dos analistas esperava após todo  o ciclo de cortes da Selic pelo BC (cuja prevista continuação está antecipada nos juros de mercado) e pelo avanço na agenda de reformas, com a aprovação por esmagadora maioria da reforma da Previdência em duas votações na Câmara.

Assim, os pequenos sinais de reação recentes não são tanto uma surpresa, mas sim a confirmação de uma expectativa que já estava ficando esquecida de tanto ser frustrada.

Evidentemente, não é de jeito nenhum momento de soltar fogos de artifício.

A decepção com o resultado da indústria em julho indica claramente que a situação ainda é delicada, e que a retomada ainda não saiu da incubadora e tem que ser tratada com muito cuidado – o que definitivamente não é o caso quando se fala da ala política do governo, que insiste em atiçar a fogueira das incertezas (em grande parte vindas de fora) que paralisa investimentos.

A indústria, entretanto, parece acompanhar uma desaceleração global do setor, e ainda está sendo prejudicada em particular pelo mais recente episódio da interminável série “Argentina, o colapso”. Isto é algo que afeta especialmente o Brasil, cujas cadeias industriais têm entrelaçamentos com as argentinas que vão bem além do sempre citado setor automobilístico.

Que o problema esteja particularmente localizado na indústria é e não é um consolo.

Por um lado, com nota um gestor de recursos no Rio, os segmentos “non-tradable” – que não fazem parte do comércio internacional; dos serviços, pela ótica da oferta, e do consumo das famílias, pela ótica da demanda – que têm mostrado sinal de vitalidade são justamente os mais sensíveis à demanda, o que mostra que a queda de juros e a melhoria das condições financeiras das famílias podem estar fazendo efeito.

Por outro lado, sentimos muito, mas, seja qual for o motivo, uma recuperação sem o motor da indústria está fadada a ser morna e frágil.

De qualquer maneira, de forma claudicante e com lacunas, a economia brasileira não está parada. Há mais empregos, mas faltam os formais. As famílias consomem mais, mas o investimento não decola. A construção começa a dar tênues sinais, mas vinda de um colapso brutal. E não dá para pensar em impulsos vindos do setor público e do lado externo da economia, nem agora, nem no médio prazo.

A tarefa do governo, em compensação, parece simples. Seguir tocando as reformas econômicas liberais, com a ajuda de um Congresso excepcionalmente receptivo a esta agenda em termos históricos, e não balançar o barco. Esta segunda parte, porém, parece muito além da capacidade do governo Bolsonaro.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

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