• Pontaria Novo Governo
  • BOLETOS ON-LINE
  • coffee news mudou para melhor
  • sindeprestem 2018
  • CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018

06/09/2019 | Crescimento tímido e retórica agressiva põem investimento em xeque - Valor Econômico

O baixo crescimento da economia brasileira e a retórica contundente do governo em temas sensíveis, como o ambiente, podem afastar investidores estrangeiros que antes planejavam entrar em projetos de infraestrutura, concessões ou privatizações, opinam especialistas. 

Embora ainda seja cedo para uma virada brusca de humor sobre o Brasil, esses são exemplos de elementos trazidos pelo novo governo que podem frustrar a tentativa de, em cenário de restrição fiscal, atrair capital privado para destravar investimentos. No começo do ano, a expectativa do governo e de vários analistas era que o bom andamento da reforma da Previdência no Congresso traria um volume expressivo de recursos do exterior para o país. Isso ainda não ocorreu, embora a mudança do sistema de aposentadorias seja vista como fundamental pelos investidores de fora do país para garantir a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo. Recentemente, os questionamentos sobre a segurança de se investir por aqui aumentaram com as polêmicas em torno das queimadas na Amazônia, dizem consultores que mantêm contato frequente com estrangeiros. "Existe uma certa confusão na cabeça do investidor, que vê uma ala pragmática e reformista nos ministérios da Economia e da Infraestrutura e, ao mesmo tempo, vê uma outra parcela do governo que gera muito ruído", afirma Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B. Segundo ele, que há pouco tempo se encontrou com esse público no exterior, o tema ambiental dominou as conversas, em inequívoco sinal de que, embora ainda positivo, o clima já se deteriorou desde a eleição da Jair Bolsonaro.

Frischtak pondera que, em comparação com o fim do governo Michel Temer, a imagem brasileira é inquestionavelmente melhor. "A questão é que poderíamos estar em uma situação muito melhor a custo zero", diz ele. "A retórica belicosa do governo dificulta o grau com que o investidor estrangeiro enxerga o tecido reformista", diz Chris Garman, diretor-geral para as Américas da consultoria de risco político Eurasia Group. Segundo ele, no entanto, esse fator tende a se tornar secundário, caso o quadro de marasmo na economia se reverta. "Se o crescimento vier, podemos ver aumento da presença do investidor estrangeiro, a exemplo do que observamos em outros países que também possuem lideranças polêmicas", afirma ele. Garman também alerta que, a despeito dos avanços do governo, a agenda reformista não é vista como plenamente solucionada. "Discutir a reforma tributária é excelente para o médio prazo, mas, se os debates se prolongarem por um ano, isso poderá gerar incertezas para as empresas." Os especialistas ainda lembram que o ambiente externo é hoje mais desfavorável do que no passado recente, o que também pode adiar os planos dos estrangeiros. "O apetite para emergentes fica menor nesse ambiente de reversão da globalização, queda do comércio exterior, Brexit e disputa entre Estados Unidos e China", afirma Celso Toledo, diretor da LCA Consultores.

As falas de Bolsonaro, apesar de contarem com amplo apoio entre seus eleitores fiéis, também podem ter influenciado as decisões dos empresários locais, diz Toledo. "Embora isso seja difícil de mensurar, certamente esse clima de deflagração pode ter afetado um pouco a confiança", diz. De acordo com Toledo, uma postura mais conciliatória de Bolsonaro poderia ajudar a puxar o crescimento e, nesse sentido, o investidor estrangeiro estaria mais propenso a apostar no país. "Era de se esperar que o Brasil estivesse crescendo mais." Mais otimista, o presidente da Roland Berger para o Brasil e América Latina, António Bernardo, vê uma influência marginal da postura do governo no humor estrangeiro. "Nas últimas duas semanas estive reunido com vários investidores industriais e também do setor financeiro e eles continuam interessados", afirma, destacando que há um excesso de liquidez global com as baixas taxas de juros vigentes nos países desenvolvidos.

Ele também minimiza o fato de existir um consenso de que o Brasil terá mais um ano de crescimento fraco, em torno de 0,8% - no começo do ano, os mais otimistas esperavam avanço superior a 3%. "A taxa de crescimento, de fato, não é positiva. Mas esse não vai ser um problema para o investidor de médio e longo prazo, a equipe econômica vai adotar medidas que vão acelerar o crescimento, principalmente a partir de 2021", afirma Bernardo. Segundo ele, os investidores esperam que o governo coloque mais ativos à venda, acelerando os programas de concessão ou privatização. Ao mesmo tempo, Bernardo diz que é essencial apresentar as estatais ao mercado em melhor situação financeira. "Há empresas estatais que são mais fáceis de vender, como Eletrobras e Petrobras, mas há uma série de outras que precisa passar por transformação para se tornar mais atrativa." De janeiro a julho, o investimento direto no país (IDP) somou US$ 44,9 bilhões, alta de 17,6% em relação ao mesmo período de 2018, segundo o Banco Central. Na composição, porém, houve queda de 3,8% na participação de capital, para US$ 30,6 bilhões, enquanto as operações intercompanhia mais do que dobraram, para US$ 14,3 bilhões.

 

Fatos e Notícias

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02